Da Venezuela ao Brasil: inflação na América Latina sobe com guerra no Irã

Inflação mensal acelerou nas principais economias da região com fechamento de Ormuz e alta do petróleo nos mercados internacionais

Alta dos combustíveis após choque no petróleo impulsiona índices em Brasil, México e Chile (Foto: Alejandro Cegarra/Bloomberg)

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O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz pelo regime iraniano geraram uma forte pressão sobre o preço do petróleo, e os efeitos inflacionários afetaram as economias da América Latina durante o mês de março.

Separamos alguns dos principais exemplos na região;

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No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou um aumento de 0,88% em março, superior aos 0,7% registrados em fevereiro.


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O aumento foi impulsionado pelos preços dos setores de transporte e alimentos e bebidas. Juntos, eles representaram 76% do índice do mês.

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O incremento de 4,59% na gasolina foi o principal fator por trás do desempenho dos preços do transporte, com um impacto de 0,23 pontos percentuais na inflação mensal. A inflação anual do Brasil está em 4,14%.

No México, a inflação mensal ficou em 0,86%, acima dos 0,5% registrados em fevereiro. O governo, no entanto, procurou conter o aumento dos combustíveis, e a gasolina subiu 2,59%. A inflação anual atingiu 4,59%.

A Argentina, por sua vez, é a segunda economia com maior inflação da América Latina e figura entre as cinco principais do mundo, com uma taxa anual de 32,6%.

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Além disso, o aumento global dos preços dos combustíveis impulsionou o índice mensal, que subiu para 3,4%, com o setor de combustíveis e lubrificantes para veículos de uso doméstico registrando um aumento de 7%.

A Colômbia foi uma exceção entre as grandes economias da América Latina, já que o dado mensal ficou em 0,78%, ou seja, abaixo dos 1,08% registrados em fevereiro. No entanto, o dado em relação ao ano anterior continua subindo e chegou a 5,56%.

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Enquanto isso, no Chile, o efeito Ormuz foi sentido com força, já que a inflação subiu para 1% mensal, quando em fevereiro havia sido de 0%. O setor de combustíveis para veículos particulares registrou um aumento de 8,7% mensal. Mesmo assim, a inflação anual ficou em 2,8%, abaixo da meta do Banco Central.

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No Peru, a inflação mensal da Região Metropolitana de Lima (que costuma ser tomada como referência) foi de 2,38%, a mais alta em 32 anos. Assim, o índice anual ficou em 3,8%.

Veja a inflação anual em cada país da América Latina

Com dados consolidados até março de 2026, este é o ritmo de variação anual da inflação nos países da América Latina:

  • Venezuela: 649%
  • Argentina: 32,6%
  • Bolívia: 15,05%
  • Tentativas: 13,42%
  • Colômbia: 5,56%
  • República Dominicana: 4,63%
  • México: 4,59%
  • Brasil: 4,14%
  • Honduras: 3,94%
  • Peru: 3,8%
  • Uruguai: 2,94%
  • Nicarágua: 2,86% (atualizado em fevereiro de 2026)
  • Chile: 2,8%
  • Guatemala: 2,5%
  • Equador: 2,33%
  • Paraguai: 1,9%
  • El Salvador: 1,47%
  • Panamá: 0,1% (atualizado em fevereiro de 2026).
  • Costa Rica: -2,09%

Dessa forma, a Venezuela continua sendo o país com a maior inflação do mundo. O país governado por Delcy Rodríguez voltou a divulgar dados oficiais em março deste ano, após dois anos de paralisação estatística.