Governo Lula amplia subsídios a diesel e gás e zera impostos sobre aviação e biodiesel

Pacote inclui corte de PIS/Cofins sobre combustíveis, subsídios ao diesel e apoio às aéreas, com custo de cerca de R$ 10 bilhões para conter impacto do petróleo diante da guerra no Oriente Médio

Subsídios chegam a R$ 1,52 por litro para diesel importado, com impacto fiscal de cerca de R$ 10 bilhões
Por Martha Beck
07 de Abril, 2026 | 08:37 AM

Bloomberg — O governo brasileiro decidiu ampliar cortes de impostos federais e subsídios aos combustíveis para conter o impacto da alta de preços provocada pela guerra no Irã, estendendo medidas já anunciadas anteriormente no contexto do conflito.

A administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva eliminará temporariamente os impostos PIS/Cofins sobre o biodiesel e o combustível de aviação, além de subsidiar a produção local de diesel e a importação de gás de cozinha, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a repórteres na segunda-feira (6).

PUBLICIDADE

As medidas fazem parte de um pacote mais amplo que a equipe econômica de Lula revelou ao tentar atenuar os efeitos de uma guerra que já está em sua sexta semana.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

As medidas, que também permitirão que as companhias aéreas acessem linhas de crédito de um fundo nacional de aviação, entrarão em vigor imediatamente e durarão inicialmente dois meses, de acordo com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti.

PUBLICIDADE

O plano inclui um subsídio de R$ 1,20 por litro para a importação de diesel, cujo custo será compartilhado pelo governo federal e pelos estados. Também cria um subsídio de R$ 0,8 por litro para o diesel produzido internamente.

Combinado com as medidas anunciadas no mês passado, o pacote aumentará os subsídios totais para R$ 1,52 por litro para as importações de diesel e R$ 1,12 por litro para a produção doméstica.

O custo será amplamente compensado por impostos sobre as exportações de petróleo e outras receitas relacionadas, disse Durigan.

PUBLICIDADE

Leia também: Do Brasil ao Chile: petróleo pressiona inflação e expõe fragilidades na América Latina

Os subsídios adicionais terão um impacto fiscal de R$ 10 bilhões (US$ 1,9 bilhão), mas as compensações permitirão que o governo cumpra sua meta orçamentária para 2026, disse Durigan.

O governo Lula tem como meta um superávit primário modesto, excluindo os pagamentos de juros, este ano.

PUBLICIDADE

O conflito prolongado causou um aumento acentuado nos preços globais do petróleo desde o seu início no final de fevereiro, forçando os governos de todo o mundo a reagir.

Lula agiu com urgência especial em face das preocupações inflacionárias renovadas antes da votação presidencial de outubro no Brasil, na qual o veterano líder esquerdista planeja tentar a reeleição.

“Lula nos deu a orientação de que uma guerra que não tem nada a ver com o Brasil não pode prejudicar nossa população”, disse Durigan em uma coletiva de imprensa.

O pacote se baseia nas medidas iniciais que seu governo tomou em meados de março, quando eliminou temporariamente o imposto PIS/Cofins sobre as importações e vendas de diesel, oferecendo subsídios aos produtores e importadores do produto.

Moretti disse que o governo poderia arrecadar até 40 bilhões de reais em receitas ligadas ao petróleo.

Leia também: Crise do petróleo e filas em postos viraram a melhor propaganda para carros elétricos

O governo planeja rever as medidas a cada 60 dias, disse Moretti.

Ele acrescentou que tomará medidas adicionais para combater os altos preços dos combustíveis, se necessário, e que as empresas que recebem subsídios serão obrigadas a repassar esses benefícios de custo aos consumidores.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que o governo também imporá multas mais altas para a manipulação de preços e concederá a um órgão federal poderes para fechar postos de gasolina se determinar que estão envolvidos nessa prática.

--Com a ajuda de Daniela Milanese e Daniel Carvalho.

Veja mais em bloomberg.com