Flávio Bolsonaro passa a apoiar fim da escala 6x1 sob pressão da campanha de Lula

Senado deve votar nesta quarta-feira (14) uma proposta de emenda à Constituição para reduzir a jornada semanal de trabalho, medida que Lula colocou no centro da estratégia para se recuperar na disputa pela Presidência

Senado deve votar nesta quarta-feira (14) uma proposta de emenda à Constituição para reduzir a jornada semanal de trabalho Victor Moriyama/Bloomberg
Por Augusta Saraiva
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Bloomberg — O senador Flávio Bolsonaro afirmou que apoiará uma proposta para reduzir a jornada de trabalho no Brasil, em uma mudança de posição sobre uma das principais bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes do segundo turno da eleição deste mês.

O Senado deve votar nesta quarta-feira (14) uma proposta de emenda à Constituição para reduzir a jornada semanal de trabalho, medida que Lula colocou no centro da estratégia para se recuperar de um resultado inesperado no primeiro turno, que transformou Flávio no favorito à Presidência.

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Lula intensificou a pressão sobre Flávio, senador que apoia uma proposta alternativa que, segundo ele, dará aos trabalhadores poder para negociar a própria jornada, para que vote a favor do popular projeto que acaba com a chamada escala 6x1 no Brasil.

“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6x1, então eu vou votar a favor do fim da 6x1”, disse Flávio a jornalistas em Brasília na terça-feira. “Só que a gente defende algo ainda melhor sempre. Eu queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar seu horário de trabalho.”

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Pesquisas mostram Flávio, que ajudou a adiar a votação da proposta antes do primeiro turno, na liderança. A mudança de posição, porém, sugere que ele vê o projeto como uma possível vulnerabilidade diante de novas pesquisas que mostram Lula ainda com chances de alcançá-lo antes do segundo turno de 25 de outubro.

Lula tem defendido o fim da escala em que muitos empregados trabalham seis dias e folgam um como forma de se reaproximar de segmentos da base da classe trabalhadora que migraram para a direita nas últimas eleições.

Leia também: Lula mira fim da escala 6x1 em ofensiva por voto de trabalhador

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No fim de semana, Lula reuniu milhares de apoiadores em um ato em São Paulo, onde muitos defenderam a aprovação da proposta que dará aos trabalhadores um dia adicional de folga sem redução salarial. Ele realizou um evento semelhante em Brasília na sexta-feira.

Flávio tinha 52% das intenções de voto, ante 48% de Lula, em uma pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada na terça-feira, no limite da margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Um levantamento PoderData/Aya mostrou o senador numericamente à frente, com 51% contra 49%, dentro da margem de erro de 1,8 ponto percentual.

Mesmo ao se comprometer a votar a favor da mudança, Flávio Bolsonaro fez eco às preocupações de entidades empresariais, que argumentam que a medida elevaria os custos trabalhistas e reduziria a produtividade e a atividade econômica. Ele também culpou Lula pelas dificuldades dos trabalhadores diante do elevado endividamento das famílias.

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“A gente tem que buscar fazer com que o trabalhador tenha direito a uma folga maior”, disse Flávio. “Mas a realidade do brasileiro hoje é que o Lula quebrou as empresas, as empresas estão endividadas. E o Lula endividou também as famílias brasileiras.”

Leia também: O que está em jogo na discussão sobre a PEC da escala 6x1, segundo economistas

O governo Lula apresentou na terça-feira uma proposta para perdoar R$ 12,6 bilhões em dívidas de microempreendedores, ampliando uma série de medidas de alívio do endividamento promovidas pela administração neste ano.

O governo comprará as dívidas de bancos privados, que deverão oferecer desconto, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em Brasília. A proposta ainda precisa da aprovação do Congresso.

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