Copom vê política monetária surtir efeito, mas mantém alerta sobre inflação no país

Ata mostra melhora no processo de desinflação e perda de impulso da economia, mas Banco Central avalia que demanda ainda pressiona os preços

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Bloomberg — O Banco Central vê mais indícios de que sua política monetária restritiva tem surtido efeito, ao mesmo tempo em que ressalta que a taxa de juros precisa permanecer restritiva, uma vez que choques de demanda e oferta internos continuam a pressionar a inflação.

“O Comitê avalia que os indícios da transmissão da política monetária restritiva à atividade econômica vêm se acumulando gradualmente”, escreveram os membros do Copom, liderados por Gabriel Galípolo, na ata da decisão de 5 de agosto, quando reduziram a taxa Selic de referência em um quarto de ponto, para 14%. Foi o quarto corte consecutivo, elevando a flexibilização acumulada desde março para 100 pontos-base.

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“Embora a política monetária tenha desempenhado um papel decisivo no processo de desinflação, a inflação ainda é impulsionada pela demanda, exigindo que a política monetária permaneça restritiva”, escreveram os formuladores de política no documento publicado na terça-feira.

O BC está obtendo algum alívio com a desaceleração da inflação anual tanto em junho quanto em julho. A atividade econômica também perdeu impulso nas últimas semanas, com setores como serviços e produção industrial apresentando enfraquecimento.

Ainda assim, as expectativas de preços ao consumidor para o primeiro trimestre de 2028 — que atualmente é o horizonte relevante para a política monetária — permanecem acima da meta de 3%.

“O Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de modo a manter a política monetária em um nível restritivo para garantir a convergência da inflação para a meta”, escreveram os membros do Banco Central.

Leia também: Copom: Banco Central reduz Selic para 14% ao ano após inflação desacelerar

O que diz a Bloomberg Economics: “A ata da reunião de agosto do Banco Central do Brasil não acrescentou muito ao quadro traçado no comunicado pós-reunião, mantendo a porta aberta para novos cortes nas taxas, caso as perspectivas de inflação o permitam.” (Adriana Dupita, economista especializada no Brasil)

A inflação anual desacelerou para 4,44% em julho, um pouco acima da previsão mediana de 4,4% dos economistas em uma pesquisa da Bloomberg, informou o IBGE na terça-feira (11). Em relação ao mês anterior, os preços ao consumidor subiram 0,07%.

Para o futuro, analistas consultados pelo Banco Central prevêem que os preços ao consumidor subam 3,8% no final de 2028, de acordo com uma pesquisa publicada em 10 de agosto.

“A principal conclusão alcançada e compartilhada por todos os membros do Copom foi que, em um ambiente de expectativas desancoradas – como é o caso atualmente –, é necessária uma maior restrição monetária por um período mais longo do que seria apropriado em outras circunstâncias”, escreveram os formuladores de políticas.

Os membros do Comitê enfrentam um delicado equilíbrio, já que riscos externos e internos obscurecem as perspectivas. O conflito no Oriente Médio mantém os preços do petróleo voláteis, enquanto condições climáticas severas associadas ao El Niño aumentam o risco de alta nos custos dos alimentos.

Embora as apostas em um aumento dos custos de financiamento no curto prazo nos EUA tenham diminuído, um Federal Reserve mais hawkish ainda poderia fortalecer o dólar em relação às moedas dos mercados emergentes, incluindo o real brasileiro, aumentando a pressão sobre os custos de importação.

No país, o desemprego está caindo e o mercado de trabalho está aquecido, embora a criação de empregos seja mais lenta e o crescimento dos salários seja mais moderado. Ao mesmo tempo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou um pacote de estímulo de bilhões de reais, impulsionando o consumo enquanto busca um quarto mandato nas eleições de outubro.

Na ata, os formuladores de políticas afirmaram que há uma moderação gradual na atividade econômica doméstica, com sinais contraditórios entre os setores, e um mercado de trabalho restrito.

“O Comitê reitera que a desaceleração da demanda agregada é um elemento essencial do reequilíbrio entre oferta e demanda na economia e da convergência da inflação para a meta”, segundo a ata.

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