Bloomberg Línea — O BTG Pactual (BPAC11) registrou lucro líquido ajustado de R$ 4,5 bilhões no terceiro trimestre de 2025, o maior resultado trimestral da história da instituição.
O banco também atingiu índice de eficiência de 34,1%, o melhor da série histórica, indicando que gastou R$ 0,34 para gerar cada R$ 1,00 de receita. A redução do indicador, como apresentada, indica ganhos de produtividade e melhoria contínua de alavancagem operacional com gestão de custos.
O novo resultado recorde ocorreu em um cenário de taxas de juros elevadas no Brasil, com a Selic em dois dígitos. O BTG Pactual superou as expectativas de analistas dentro do consenso da Bloomberg em praticamente todas as linhas de negócio, na contramão da previsão de desaceleração dos resultados.
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A receita total do banco alcançou R$ 8,8 bilhões no período, com alta de 37% na comparação anual e 6,3% em relação ao segundo trimestre.
O retorno sobre patrimônio líquido (ROAE) ficou em 28,1%.
Segundo o banco, o desempenho reflete a expansão simultânea de todas as linhas de negócio, com destaque para as áreas voltadas a clientes.
A carteira de crédito corporativo somou R$ 218 bilhões, crescimento de 17% em 12 meses, enquanto o segmento de pequenas e médias empresas alcançou R$ 29 bilhões.
A área de Corporate Lending registrou receita de R$ 2,2 bilhões, com crescimento de 25,8% na comparação anual, refletindo a expansão da carteira e spreads estáveis.
A captação líquida de recursos de clientes totalizou R$ 83 bilhões no trimestre, somando R$ 296 bilhões nos últimos doze meses.
O banco atribuiu o resultado à diversificação de produtos e ao ganho de participação de mercado nos segmentos de alta renda e private banking.
Em Wealth Management, o volume sob gestão (WuM) atingiu R$ 1,1 trilhão, crescimento de 32,5% em relação a setembro de 2024. A receita da área alcançou R$ 1,4 bilhão, com alta de 35,7% no ano.
Do total captado no trimestre (R$ 49,2 bilhões), cerca de R$ 18 bilhões vieram da consolidação da JGP Wealth Management, adquirida recentemente. O restante representa crescimento orgânico.
A área de Asset Management seguiu trajetória semelhante. O volume de ativos sob gestão e administração (AuM/AuA) chegou a R$ 1,2 trilhão, enquanto a receita atingiu R$ 747,5 milhões, crescimento de 23,3% no ano.
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As captações líquidas somaram R$ 33,5 bilhões no período, concentradas em estratégias de renda fixa local e administração fiduciária.
O banco vem ganhando participação de mercado tanto na gestão de fundos quanto nos serviços de administração.
Sales & Trading, área voltada à negociação de ativos e derivativos, gerou receita de R$ 1,9 bilhão, aumento de 16% no ano. O resultado veio em cima da maior atividade de clientes e da alocação de capital em operações estruturadas.
A área de Investment Banking apresentou desempenho mais irregular, ainda sob impacto das taxas de juros elevadas por período prolongado.
A receita ficou em R$ 643 milhões, queda de 17,8% em relação ao segundo trimestre, mas crescimento de 69,2% na comparação anual.
Segundo o banco, a volatilidade desse resultado reflete a natureza do negócio, dependente do calendário de operações de mercado de capitais.
No trimestre, a área concluiu 52 operações de emissão de dívida (DCM), com volume de US$ 4,5 bilhões, e 11 transações em renda variável (ECM), totalizando US$ 735 milhões. Em fusões e aquisições (M&A), foram sete operações anunciadas, somando US$ 1,2 bilhão.
A estrutura patrimonial do banco encerrou o trimestre com ativo total de R$ 685 bilhões e patrimônio líquido de R$ 65,6 bilhões.
O índice de Basileia ficou em 15,5%, ante 16,2% no período anterior, refletindo o crescimento dos ativos ponderados pelo risco. O índice de cobertura de liquidez (LCR) foi de 168,5%, acima do mínimo regulatório.
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As despesas operacionais somaram R$ 3,4 bilhões, aumento de 3,2% no trimestre. O crescimento ficou abaixo da expansão das receitas, o que resultou na melhora do índice de eficiência.
A amortização de ágio atingiu R$ 365,8 milhões, como reflexo de aquisições como a Sertrading, a Julius Baer Brasil e a JGP Wealth Management. O quadro de funcionários totalizou 9.367 pessoas, com crescimento de 23% no ano.
Na frente de sustentabilidade, o banco destacou que coordenou uma emissão de US$ 750 milhões em blue bonds da Aegea, destinados a projetos de saneamento básico.
Até setembro, a instituição havia estruturado mais de US$ 23,1 bilhões em títulos sustentáveis. O banco também firmou parceria com a International Finance Corporation para mobilizar até US$ 1 bilhão até 2028 em projetos de sustentabilidade na América Latina.
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