Bloomberg — O mercado monitora nesta semana que começa a definição do arcabouço fiscal e os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, que devem influenciar as apostas na trajetória dos juros.
A sucessão de diretores do Banco Central segue em foco. Na bolsa brasileira, investidores acompanham a assembléia da Oi (OIBR3) e balanços referentes ao quarto trimestre de 2022 em meio a receios com crédito. No exterior, o presidente do Federal Reserve Jerome Powell e os dados de emprego do payroll podem gerar volatilidade.
1. Arcabouço fiscal
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o arcabouço fiscal, que substituirá o teto de gastos, deve ser concluído ainda nesta semana. O ministro disse que a nova regra fiscal ajudará na política monetária, mas não adiantou quando haverá algum anúncio sobre a proposta, que ainda terá de ser discutida no Congresso.
A expectativa de nova âncora, combinada ao sinal favorável com a reoneração dos combustíveis, ajudou o mercado a precificar a chance de corte da Selic a partir de junho. No entanto, há dúvidas sobre o grau de ortodoxia da regra fiscal, dado que o discurso do governo tem sido de equacionar o Orçamento mais pelo lado das receitas do que das despesas.
2. Sucessão no BC
O mercado segue atento à possível substituição dos dois diretores do BC cujos mandatos expiraram no final de fevereiro, Bruno Serra, de política monetária, e Paulo Souza, de fiscalização. A indicação dos novos diretores tem gerado expectativas em meio às críticas de ministros e do presidente Luiz Inacio Lula da Silva ao nível elevado dos juros.
A indicação dos diretores é uma prerrogativa do presidente da república, mas os nomes precisam ser aprovados pelo Senado. Além das críticas ao BC, Lula também tem feito críticas aos dividendos pagos pela Petrobras (PETR3; PETR4).
3. IPCA de fevereiro
O mercado de juros futuros deve reagir ao IPCA de fevereiro, que sai na sexta-feira (10). “A inflação mensal deve acelerar de 0,53% em janeiro para 0,75% em fevereiro, refletindo em grande parte o aumento sazonal nas mensalidades escolares, enquanto a inflação dos alimentos provavelmente desacelerou”, diz Adriana Dupita, da Bloomberg Economics.
Expectativas de inflação do relatório Focus, do BC, além de IGP-DI e Caged também estão no radar.
4. Powell e payroll
Apesar do alívio com a queda dos yields na sexta-feira (3), o testemunho no Congresso do presidente do Fed, Jerome Powell, deve influenciar as expectativas sobre os juros americanos nesta terça-feira (7).
O payroll, que tem estimativa de desaceleração para 200.000, também deve mover os ativos financeiros, assim como decisões de política monetária no Japão, Canadá e Austrália. China tem reunião do Congresso Nacional do Povo e divulgará CPI e balança comercial, após dados recentes que apontaram recuperação após o fim de políticas restritivas impostas pela covid.
5. Oi e balanços
A Oi reúne os acionistas em uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) na segunda-feira (6) para discutir a proposta de nova chapa de conselheiros. Na justificativa para solicitar o encontro, a Tempo Capital disse que “o momento é crítico para a companhia”.
A empresa afirmou em comunicado que chegou a acordo com alguns credores sobre os principais termos e condições para reestruturação de certas dívidas e um financiamento de longo prazo para sustentar suas operações.
O Bradesco (BBDC4) aprovou Juros Sobre Capital Próprio (JCP) complementar de R$ 5,93 bilhões para 8 de março. Entre os balanços da semana estão Magazine Luiza (MGLU3), Via (VIIA3), CSN (CSNA3), Azul (AZUL4), Gol (GOLL4), Embraer (EMBR3), IRB Brasil (IRBR3) e 3R Petroleum (RRRP3).
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