Padilha nega que governo queira trocar o comando do Banco Central

Ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, diz em entrevista à Bloomberg que Lula quer reduzir taxas de juros, mas não pediu mudança na meta ao CMN

'O presidente Lula não quer derrubar ninguém, ele quer derrubar os juros', diz ministro
Por Simone Iglesias - Martha Beck
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Bloomberg — O que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer com a pressão sobre o Banco Central é reduzir as taxas de juros, não trocar o comando da instituição, afirmou o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Lula, que tem criticado o BC por manter os juros em 13,75%, quer discutir abertamente a política monetária, que vê como um obstáculo ao crescimento econômico e ao investimento.

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“O presidente Lula não quer derrubar ninguém, ele quer derrubar os juros,” disse ele em entrevista à Bloomberg quinta-feira (16), em seu gabinete no Palácio do Planalto.

O governo jamais discutiu mudar a lei que concedeu autonomia ao Banco Central ou demitir seu chefe Roberto Campos Neto, afirmou Padilha.

Segundo o ministro, embora Lula defenda publicamente o aumento da meta de inflação – um debate em andamento tanto em países emergentes quanto em países desenvolvidos, incluindo os EUA – ele não pediu isso ao Conselho Monetário Nacional.

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O conselho, formado pelo presidente do Banco Central e pelos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet, reuniu-se na quinta-feira. As reuniões do CMN não são públicas, mas o comunicado divulgado a respeito não fez referência a metas de inflação.

Lula não interfere diretamente sobre o trabalho da área econômica, seguindo a mesma diretriz de seus dois mandatos anteriores, afirmou Padilha.

No entanto, o debate é válido. “O mundo inteiro está discutindo a inflação e as metas de inflação”, disse ele. “Isso não pode ser um tabu.”

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Nova regra fiscal

A prioridade do governo este ano é avançar no Congresso com o novo plano fiscal que substituirá o teto de gastos e com a reforma tributária. Câmara e Senado estão alinhadas com a agenda econômica do governo Lula, segundo Padilha.

“Há um bom ambiente no Congresso, entre todos os partidos, para aprovar a reforma tributária e o novo arcabouço fiscal”, afirmou, incluindo parte da oposição que era base aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo Padilha, o ideal para o governo é aprovar as novas regras fiscais até julho, antes do Orçamento de 2024 ser encaminhado ao Congresso, em agosto.

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Haddad já prometeu enviar o novo plano fiscal aos congressistas em março.

A falta de clareza sobre as despesas públicas depois que Lula foi autorizado pelo Congresso a aumentar os gastos com programas sociais em dezembro passado pesou nos mercados brasileiros este ano.

As duras críticas ao Banco Central, questionando a necessidade de sua autonomia e criticando Campos Neto por manter as taxas no nível mais alto em seis anos, aumentaram o nervosismo dos investidores.

Dias depois de Campos Neto dar uma rara entrevista na TV prometendo trabalhar com o governo, Lula atenuou suas críticas ao chefe do BC quinta-feira, ao mesmo tempo em que criticou o setor financeiro do país por reagir exageradamente às ações de seu governo.

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