Bloomberg — As empresas dos Estados Unidos criaram mais vagas de emprego do que o esperado em dezembro, lideradas por pequenas e médias empresas, destacando a resiliência da demanda por mão de obra que sustenta o crescimento dos salários.
Os rendimentos das Treasuries americanas (os títulos do Tesouro de 10 anos dos EUA) subiram e os índices futuros de ações de Wall Street ampliaram as quedas após a divulgação dos números. Por volta das 11h40 (horário de Brasília), as bolsas caíam até 1,25% nos EUA, caso da Nasdaq 100.
As folhas de pagamento privadas aumentaram em 235 mil no mês passado, depois de uma revisão para cima em 182 mil em novembro, de acordo com dados do ADP Research Institute divulgados na manhã desta quinta-feira (5). A previsão média em uma pesquisa da Bloomberg News com economistas indicava um aumento de 150 mil.
O aumento no número de empregos concentrou-se nas empresas com menos de 500 empregados. As maiores empresas cortaram 151.000 trabalhadores da folha de pagamento – o maior número desde abril de 2020. Lazer e hotelaria, educação e serviços de saúde, serviços profissionais e empresariais e construção lideraram o crescimento dos empregos.
“O mercado de trabalho é forte, mas fragmentado, com contratações variando acentuadamente por setor e tamanho do estabelecimento”, disse Nela Richardson, economista-chefe da ADP, em comunicado. “Os segmentos de negócios que contrataram de forma agressiva no primeiro semestre de 2022 desaceleraram as contratações e, em alguns casos, cortaram empregos no último mês do ano.”
Os números sugerem que o mercado de trabalho, embora esfrie em alguns grupos, continua forte. Apesar das preocupações de uma recessão iminente, a demanda por mão de obra ainda supera em muito a oferta, mantendo a pressão de alta nos salários e dando aos consumidores os meios para continuar gastando. As demissões também permanecem extremamente baixas e as vagas são elevadas.
Os dados são acompanhados de perto por investidores, que buscam sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve em seu combate à inflação. Na ata da última reunião do Fomc, a autoridade monetária dos EUA sinalizou que sua luta contra a alta dos preços não acabou e que os juros deverão permanecer em patamares mais elevados por algum tempo.
De forma geral, os participantes do comitê observaram que uma política restritiva deverá ser mantida até que os dados recebidos forneçam confiança de que a inflação está a caminho de sua meta de 2% – o que provavelmente levará algum tempo.
-- Com informações da Bloomberg Línea
-- Com a colaboração de Jordan Yadoo
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