Bloomberg Línea — Rumores envolvendo a presidência da Petrobras (PETR3, PETR4) no governo Lula ganharam força nesta semana e não envolvem apenas o ex-senador Aloizio Mercadante. O nome do senador Jean Paul Prates (PT-RN) vem ganhando força na disputa pelo comando da petrolífera, segundo fontes que falaram à Bloomberg Línea e pediram que seus nomes não fossem revelados porque as discussões são privadas.
As ações preferenciais da estatal fecharam em queda de 3,24% nesta segunda-feira (12), e as ordinárias, de 2,71%, em um dia de valorização perto de 3% do petróleo do tipo Brent.
Prates é próximo de lideranças sindicais de petroleiros e tem trânsito na área. É um dos coordenadores do grupo de trabalho de Minas e Energia do gabinete de transição de governo e vem se articulando para ocupar o cargo há alguns meses. Passou a ser mais seriamente cotado na semana passada.
Como parlamentar, ele é considerado uma das pessoas-chave do PT para assuntos ligados a petróleo e gás. E ultimamente vem dando declarações sobre a necessidade de a Petrobras assumir um papel mais importante na transição energética - na geração de fontes renováveis. Outra sinalização do governo eleito é pela volta do investimento em refinarias ou da suspensão da venda de ativos nessa área.
Prates é um dos políticos próximos de Lula que não concorda com a política de paridade internacional de preços adotada pela Petrobras no governo Michel Temer (MDB) e flexibilizada por Bolsonaro. Em entrevistas, o senador tem dito que o ideal seria um mecanismo de ajuste regional de preços de petróleo sem tabelamento.
Prates já trabalhou para a Petrobras como consultor e ajudou a elaborar a Lei do Petróleo, de 1997, um dos documentos legais que regem a atuação da estatal.
A indicação de Prates para presidir a petrolífera, no entanto, esbarra na Lei das Estatais, que proíbe pessoas que estiveram em estrutura partidária ou no governo nos 36 meses anteriores de assumir funções no conselho de administração - segundo a consultoria Eurasia, o PT estuda propor uma alteração na lei para permitir a nomeação de seus quadros nas empresas federais. O partido não confirma a intenção.
Mas isso pode não impedir a nomeação. O atual presidente da Petrobras, Caio Paes de Andrade, por exemplo, era assessor de Paulo Guedes no Ministério da Economia e chegou a ter votos contrários à nomeação pelo conselho por causa de falta de experiência na área.
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