Dólar e juros vão às máximas por falta de detalhes fiscais em fala de Haddad

Analistas consultados pela Bloomberg News apontaram que ex-ministro não apontou como pretende equalizar promessas de campanha

Ausência de falas mais concretas de Fernando Haddad foi vista como falta de alinhamento com o mercado
Por Felipe Saturnino
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Bloomberg — Os investidores reagiram mal ao discurso de Fernando Haddad, cotado para assumir o ministério da Fazenda, em evento da Febraban nesta sexta-feira. Dólar e juros futuros dispararam e foram às máximas em razão da ausência de detalhamento questão da fiscal e o que foi visto como falta de alinhamento com o mercado. O dólar tocou os R$ 5,42 na máxima no meio da tarde.

O ex-ministro não sinalizou qual será o tratamento fiscal no novo governo nem como pretende equalizar promessas de campanha, como o aumento do Bolsa Família para R$ 600,00. Ao mesmo tempo, ele voltou a criticar o teto de gastos, dizendo que a regra não inibiu a piora da qualidade do gasto público.

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Haddad também afirmou que o orçamento precisa ser reconfigurado e que uma reforma tributária será prioridade no governo Lula.

Na sequência, em fala à imprensa, Haddad afirmou que o presidente eleito vai negociar com o Congresso a aprovação da PEC da transição, que prevê gastos fora do teto. Ele também negou que tenha sido convidado para assumir a Fazenda.

Veja o que dizem os analistas:

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Gustavo Pessoa, sócio e gestor da Legacy

  • Haddad mostrou alinhamento com Lula e o PT, mas "alinhamento com o mercado não foi dado"
  • Ele criticou o teto dos gastos e não falou sobre responsabilidade fiscal, afirmou Pessoa
  • "Discurso ainda é bem genérico e não endereça pontos importantes da dinâmica de despesas públicas"

Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs

  • "O novo governo e os membros seniores da equipe de transição ainda não articularam uma visão clara para a política fiscal de médio prazo e não parecem estar na mesma página do mercado no que diz respeito às preocupações com as fragilidades fiscais do Brasil"

Bruno Carvalho, gestor da Asset 1

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  • "Vai se fortalecendo o call de Haddad na Fazenda"

Vinicius Alves, da Tullett Prebon

  • Discurso de Haddad, em geral, "não foi super positivo, ainda mais levando em conta que ele sabe que está falando para o mercado financeiro"

Paulo Nepomuceno, trader da mesa de derivativos da Mirae Asset

  • "Ele não deu pista alguma de como sair da sinuca do auxílio de R$ 600 reais"
  • "O mercado leu que ele não tem plano A, B e nem C"

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