Bloomberg Línea — A semana começa com um tom de maior cautela, com os investidores aguardando os dados de inflação dos Estados Unidos que serão divulgados na quinta-feira (14). Por aqui, o Ibovespa futuro opera em queda, em linha com o pré-mercado americano e bolsas europeias. A escalada dos conflitos na Ucrânia também contribui para a maior cautela dos mercados, depois dos novos ataques da Rússia ao país que mataram ao menos 10 civis e feriram outros 60. Os ataques também derrubaram o abastecimento de energia e outros serviços em diferentes regiões do país.
Veja as outras notícias que devem impactar os mercados nesta segunda-feira (10):
1. Expectativas do mercado
A expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano diminuiu de 5,74% na semana passada para 5,71% agora, segundo dados do Boletim Focus, divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central do Brasil. Esta é a décima quinta semana consecutiva de redução para a projeção de inflação para 2022. Para 2023, a previsão é que o IPCA fique em 5%, mesmo número das duas últimas semanas. Já para 2024, a projeção do principal indicador de inflação foi reduzida de 3,50% para 3,47%. A meta oficial para a inflação neste ano é de 3,5%, de 3,25% para 2023 e de 3% para 2024, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
O relatório também mostrou que a projeção do PIB estacionou em 2,70% para 2022, e subiu de 0,53% para 0,54% no ano que vem. Já as expectativa para a taxa Selic foi mantida em 13,75% para 2022 e 11,25% para 2023, e 8% para 2024.
2. Tensão escalada
A Rússia atacou Kiev e outras cidades ucranianas nesta segunda-feira, um dia depois do presidente russo Vladimir Putin culpar a Ucrânia por um ataque a uma ponte que liga a Península da Crimeia à Rússia, classificando o ataque como um “ato terrorista” da Ucrânia. Em resposta, a Rússia disparou 75 mísseis, dos quais mais da metade foram interceptados pelas defesas aéreas ucranianas, de acordo com o comandante em chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Valeriy Zaluzhnyi.
“Eles estão tentando nos destruir e nos varrer da face da Terra”, disse o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, pedindo às pessoas que fiquem em abrigos para proteção.
3. Mercados
Os futuros americanos caem nesta manhã, seguindo o sentimento de cautela e a busca por proteção. Depois de uma semana tumultuada, os investidores aguardam os números de inflação de setembro dos Estados Unidos, que saem na próxima quinta-feira (13).
O Dow Jones futuro caía 0,06% perto das 9h10, o S&P tinha queda de 0,18% no mesmo horário, e o Nasdaq recuava 0,30%. Na Europa, o FTSE, de Londres, tinha queda de 0,31%, e, na contramão, o Stoxx600 subia 0,04%. Por aqui, o Ibovespa seguia o mesmo tom das principais bolsas mundiais caía 0,27%, enquanto o Dollar Index, que mede a força da moeda americana em relação a uma cesta de outras moedas, subia 0,28%.
4. Manchetes do dia
- Estadão: Bancada de partidos do Centrão aumenta 41% nos Estados e no DF
- Folha de S. Paulo: Cartel do asfalto fraudou licitações de R$ 1 bilhão no governo Bolsonaro, aponta TCU
- O Globo: Câmara dos Deputados é a menos fragmentada em 20 anos, e partidos são empurrados para fusão
- Valor: Setor de infraestrutura testa opções em concessões fracassadas
5. Agenda
Com feriados nos Estados Unidos e no Brasil nos próximos dias, a semana será mais curta, mas ainda assim carregada de indicadores importantes. Por aqui, os destaques desta segunda-feira são os números do Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S), que mede a variação do custo de vida para famílias com renda entre 1 e 33 salários-mínimos, e a divulgação do Boletim Focus, do Banco Central.
Com o feriado de Columbus Day nos EUA nesta segunda, o mercado de títulos fica fechado, e os destaques ficam com os discursos do presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans, e da vice-presidente do Fed, Lael Brainard. Ainda nos EUA, em Washington, começam hoje as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, com alertas de uma possível perda de US$ 4 bilhões na produção econômica global. Já na Europa, a começar pela Zona do Euro, sai a confiança do consumidor para outubro, as vendas no varejo de setembro no Reino Unido e a balança comercial de agosto de Portugal.
E também...
Os preços do petróleo caem nesta manhã, com os investidores embolsando lucros depois dos ganhos da semana passada, com expectativas de uma oferta mais apertada depois dos cortes da Opep+, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados. Além disso, a desaceleração da economia da China, que é o segundo maior consumidor de petróleo do mundo depois dos Estados Unidos, também contribui para aumentar as preocupações sobre uma possível recessão global. Às 8h30, o petróleo tipo Brent caía 0,91%, a US$ 97,03 o barril, enquanto o WTI recuava 0,83%, a US$ 91,85 o barril.
- Com informações da Bloomberg News
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