Opinión - Bloomberg

A crise na Europa é uma certeza, mas de que tipo ela será?

Os governos europeus podem ficar tentados a evitar uma crise energética arriscando criar uma crise fiscal, mas ambas as opções são onerosas

Como a região pode lidar com esse problema?
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Opinion — Os governos europeus estão tendo de escolher qual crise enfrentarão: uma crise energética ou fiscal. O que está em jogo é a economia global.

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As estimativas da intensidade do choque dos preços de energia variam, mas uma avaliação plausível estima uma amplitude de 6% a 8% do PIB da Europa. Uma resposta a esse choque seria deixar os preços da energia subir e permitir que o setor privado se adapte. Isto significaria custos mais altos de fabricação, contas mais altas e menor renda disponível para gastar em outros produtos e serviços.

Observe que o tamanho da recessão é tipicamente maior do que o tamanho do choque inicial de preços. À medida que alguns setores começam a se contrair, eles puxam outros setores. Os preços dos ativos também cairão, o que, por sua vez, prejudica o investimento e o consumo. Os economistas por vezes chamam o processo de “teoria do ciclo real de negócios”, ramo que investiga como um evento negativo inicial se espalha.

Esta não é uma fábula econômica. Dados recentes indicam que as exportações alemãs vão mal, embora parte deste declínio seja devido a problemas não relacionados à energia.

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Isso parece ruim, mas é importante perceber que existe um caminho diferente, mas igualmente sombrio: os governos poderiam pegar este choque de preços de energia e transformá-lo em um choque fiscal.

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Se um governo absorve o aumento dos preços de energia, seria como se o choque nunca tivesse acontecido. Seria difícil implementar uma política do tipo, mas já houve alguns movimentos nessa direção. O governo do Reino Unido está comprometendo uma possível verba de US$ 223 bilhões para isolar a economia britânica dos choques no preço da energia, embora grande parte desse choque ainda chegue à economia A economia alemã também revelou um plano de gastar cerca de US$ 196 bilhões para proteger a economia dos choques dos preços da energia.

Os governos podem tentar limitar esses choques de maneiras diferentes. Eles podem tentar ajudar consumidores e empresas com subsídios e transferências de renda, por exemplo, ou podem limitar os preços e depois tentar tornar ajudar as empresas de energia. Mas não importa a política, o custo extra vai gerar um rombo orçamentário para os governos.

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Se um governo assumisse todo o custo extra de energia, esse custo estaria na faixa de 6% a 8% do PIB – e precisaria ser incorrido todos os anos que os preços da energia permanecessem altos. Isso exigiria mais empréstimos do governo, impostos mais altos, mais dinheiro impresso, ou uma combinação dessas opções.

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A boa notícia é que transformar uma crise energética em uma crise fiscal não espalha os altos custos da energia por toda a economia. A má notícia é dupla: primeiro, manter os preços da energia baixos não faz nada para incentivar a economia de energia. Em segundo lugar, e mais importante, uma crise fiscal ainda é uma crise. Mesmo que um governo faça empréstimos extras, quanto espaço existe para aumentar os impostos, considerando as restrições econômicas e políticas?

Portanto, este é um momento de inovação política: podemos chamar de tributação de problemas econômicos. A pandemia é outro exemplo bem recente. Por quanto tempo o mundo pode tributar seus problemas? A tributação pode ajudar o mundo a evitar grandes crises econômicas?

Talvez este seja apenas o começo de níveis de dívida super altos como uma forma de seguro contra a falta de sorte. Ou talvez os mercados de títulos estejam à beira de se rebelar contra esses empréstimos contínuos – e essa dívida destruirá o pacto fiscal por trás da União Europeia, considerando a visão comum de que pelo menos alguns desses países acabarão abusando de seus privilégios de crédito. Lembre-se de que as taxas de juros reais estão aumentando.

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Resumindo, nenhum desses cenários é otimista, ninguém sabe realmente o que está fazendo e o resultado final provavelmente será ditado pelo mercado de títulos.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

Tyler Cowen é colunista da Bloomberg Opinion. É professor de economia na George Mason University e escreve para o blog Marginal Revolution. É coautor de “Talent: How to Identify Energizers, Creatives, and Winners Around the World.”

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