Excesso de oferta de chips de memória leva a corte da produção

Temores de inflação e recessão - além da volta ao escritório – encolheram as compras dos chips, que chegaram a preocupar o mercado durante a pandemia por escassez

Fabricantes globais de chips se beneficiaram do boom na pandemia, quando o trabalho remoto impulsionou a demanda por computadores e outras tecnologias de consumo.
Por Ian King e Takashi Mochizuki
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Bloomberg — A Micron Technology e a Kioxia Holdings, duas das maiores fabricantes de chips de memória do mundo, decidiram reduzir a produção para enfrentar a forte queda na demanda.

A Micron, maior fabricante de chips de memória dos Estados Unidos, divulgou lucros abaixo do esperado na quinta-feira e previu vendas trimestrais quase US$ 2 bilhões inferiores às estimativas de Wall Street. A japonesa Kioxia, que fornece grande parte do armazenamento NAND mundial para smartphones e servidores, anunciou nesta sexta-feira que vai cortar nova produção, além de reduzir a produção total em 30% até dezembro.

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Fabricantes globais de chips se beneficiaram do boom na pandemia, quando o trabalho remoto impulsionou a demanda por computadores e outras tecnologias de consumo. Mas temores de inflação e recessão - além da volta ao escritório – encolheram as compras. Com isso, clientes que usam chips de memória acabaram com pilhas de semicondutores não utilizados.

“Tempos difíceis estão por vir para a indústria, exceto para alguns”, disse Kazunori Ito, analista da Morningstar. “Os cortes profundos decorrem do enfraquecimento da demanda por computadores e smartphones, e a indústria de semicondutores em geral provavelmente seguirá a tendência.”

As medidas drásticas da Micron para abordar o problema foram suficientes para acalmar temores dos investidores na quinta-feira. A ação inicialmente recuou mais de 4% depois que as estimativas foram divulgadas, mas logo se recuperou. A Kioxia, que tem capital fechado, planeja uma oferta pública inicial, embora ainda não tenha definido a data.

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“À medida que olhamos à frente, a incerteza macroeconômica é alta e a visibilidade é baixa”, disse o diretor financeiro da Micron, Mark Murphy, em teleconferência após a empresa de Boise, Idaho, divulgar resultados trimestrais.

Chips de memória são únicos na indústria de semicondutores, fabricados de acordo com os padrões da indústria e, portanto, produtos de empresas rivais são intercambiáveis. São negociados como commodities, com preços publicamente disponíveis.

Para restaurar o equilíbrio entre oferta e demanda, as concorrentes sul-coreanas Samsung Electronics e SK Hynix também enviam sinais de redução da produção. O volume de semicondutores produzidos no país caiu no mês passado pela primeira vez em mais de quatro anos, e a Hynix avalia grandes cortes de despesas. A Samsung, maior fabricante de chips de memória, deve divulgar resultados na próxima semana.

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Por enquanto, a Micron enfrenta um ano complicado. A empresa projeta vendas de cerca de US$ 4,25 bilhões no primeiro trimestre fiscal que termina em novembro. O número se compara a uma estimativa média de analistas de US$ 6 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg. Excluindo alguns itens, o lucro será de cerca de 4 centavos de dólar por ação, em comparação com a previsão de 87 centavos de analistas.

Como parte de sua resposta à crise, a Micron reduzirá investimentos em 30% no ano fiscal de 2023, disse o CEO Sanjay Mehrotra.

“Sim, temos um ambiente de mercado desafiador, mas estamos respondendo rapidamente com ações”, afirmou em entrevista. “O (ano) fiscal de 2023 é, obviamente, um ambiente sem precedentes, mas os ‘drivers’ de longo prazo estão intactos.”

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Clientes de vários setores têm reduzido encomendas para enxugar os estoques de chips, disse, e a indústria enfrenta um ambiente de preços difícil. A Micron espera que as condições melhorem no segundo semestre do ano fiscal, que começa no trimestre de maio.

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