Bloomberg — O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá indicar um secretário especial para o clima para ajudar a reconstruir a imagem ambiental do Brasil no exterior, caso seja eleito para um novo mandato em outubro, segundo duas pessoas que trabalham em sua campanha.
O enviado, em posição semelhante a de John Kerry nos Estados Unidos, teria autoridade para estabelecer metas ambientais mais ousadas para o Brasil ao negociar especialmente com os EUA e a União Europeia sob os acordos de Paris e Glasgow, disseram as pessoas, pedindo anonimato para falar sobre as discussões em curso na campanha de Lula.
Dois ex-ministros dos governos petistas são vistos como nomes potenciais para o possível cargo: o senador Jaques Wagner, que foi chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, e Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores de Lula. A função será ligada diretamente ao gabinete da Presidência e atuará paralelamente ao ministério do Meio Ambiente.
A campanha do candidato não respondeu a um pedido de comentário.
Restaurar as credenciais verdes do país é uma das principais promessas de Lula se eleito, principalmente porque o ritmo do desmatamento da Amazônia aumentou sob o governo de Jair Bolsonaro, provocando críticas internacionais a sua gestão ambiental.
As queimadas florestais na Amazônia e no Pantanal, que causaram indignação global em 2019, estão novamente nas manchetes brasileiras, com junho registrando o maior número de focos de incêndio na região amazônica nos últimos 15 anos, segundo dados do Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais do Brasil).
Lula vem ampliando sua vantagem sobre Bolsonaro em pesquisas publicadas nos últimos dias. Levantamento do PoderData realizado de 19 a 21 de junho mostra o ex-presidente 17 pontos percentuais à frente do titular em um possível segundo turno.
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