Inflação em alta, emergentes com ar professoral

Também no Breakfast: Mercados seguem curso de queda após “choque de realidade” com inflação; Musk levanta US$ 7,1 bi em novo financiamento para o Twitter e pode ser CEO e Cerveja e carros mais caros? Consumidores parecem numa boa com isso

Tempo de leitura: 7 minutos

Bom dia! Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças.

Operadores de câmbio devem estudar o manual dos mercados emergentes para navegar em uma era marcada por uma inflação elevada em todo o mundo. Esta parece ser uma opinião corrente entre gigantes do mercado financeiro e é compactuada pelo Goldman Sachs.

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Diferenciais de inflação nos países do Grupo dos 10 serão fundamentais para determinar o caminho de suas moedas daqui para frente, escreveu Michael Cahill, economista do banco norte-americano. Isso reflete uma característica historicamente endêmica em nações em desenvolvimento, que há muito lidam com inflação alta.

À medida que os preços ao consumidor crescem rapidamente em todo o mundo, tornou-se mais importante observar as taxas de câmbio reais em vez de apenas os níveis nominais, de acordo com o banco. Essa análise mostra que as moedas de países com inflação mais baixa, incluindo Japão e Suíça, podem ganhar terreno sobre suas contrapartes da Zona do Euro e os Estados Unidos.

💸 Preços estão altos no Brasil? Na Turquia, inflação já chega a 70%

A inflação da Turquia acelerou em abril devido a uma alta nos preços globais de energia e nos custos domésticos de alimentos, mantendo-se em seus níveis mais altos em duas décadas. Os preços ao consumidor subiram 70% no mês passado, comparados a 61,1% em março.

🔴 Turquia e Argentina registram as maiores taxas de inflação entre as nações do Grupo-20. O Brasil está em quarto lugar, antecedido pela Rússia. A aceleração dos preços está forçando os bancos centrais em todo o mundo a apertar a política monetária mais rapidamente do que muitos previram, como é o caso do Banco Central do Brasil, que tem aplicado um dos ajustes de juros mais agressivos em todo o mundo desde a pandemia, com dez aumentos consecutivos de sua taxa.

Turquia e Argentina enfrentam a maior inflação entre as nações do G-20dfd

Na trilha dos Mercados

Os mercados, que ontem tiveram o que para muitos foi um choque de realidade, seguia nos primeiros negócios da manhã o seu curso de perdas, embora bem mais moderadas. Tanto os futuros de índices nos Estados Unidos como as bolsas europeias operavam no vermelho. Os títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos subiam para acima dos 3%.

O plano de ação do Federal Reserve (Fed) de domar a disparada dos preços com o aumento do custo do dinheiro volta a levantar dúvidas no mercado. A pergunta em evidência é se o banco central norte-americano será capaz de frear o impulso inflacionário sem conduzir a maior economia do mundo a uma recessão.

🏦 Apertem os cintos

Bancos centrais de todo o globo têm apertado o cinto para preservar o poder aquisitivo de seus cidadãos. Ontem, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), lançou um sinal de alerta que destoa do otimismo transmitido pelo presidente da Fed, Jerome Powell. Assustou com suas advertências de uma inflação superior a 10% no país e reconheceu o risco de contração de sua economia. A instituição aplicou o quarto aumento consecutivo de suas taxas, em 0,25 ponto percentual, para 1%, o maior nível em 13 anos.

Nos Estados Unidos, também fez soar o alarme o pior indicador de produtividade do setor não-agrícola, que sofreu a maior queda desde 1947 (baixou a uma taxa anual de 7,5% sobre os três meses anteriores). Já os custos trabalhistas subiram 11,6% no primeiro trimestre. Estes dados em mãos, acompanhados do recuo de 1,4% do PIB americano dias atrás, não trouxeram boas vibrações aos mercados.

➡️ Os vetores do dia

Hoje, o principal destaque provavelmente será o relatório de empregos dos EUA para abril, que juntamente com a leitura do índice de preços ao consumidor (IPC) na próxima quarta-feira, ajudará a conformar o debate nas seis semanas que antecedem a próxima reunião do FOMC/Fed, em meados de junho. Economistas do Deutsche Bank estimam que a folha de pagamento dos trabalhadores não agrícolas aumente em +465 mil, o que, por sua vez, reduziria a taxa de desemprego para 3,5%.

🟢 Sólidos dados sobre as folhas de pagamento representam uma fonte duradoura de pressões inflacionárias - e dão ao Fed o respaldo para aplicar altas mais intensas dos juros, se assim julgar necessário.

Esta manhã, o mercado conheceu alguns dados decepcionantes sobre a produção alemã, com queda de 3,4% em março, contra um acréscimo de 3% em fevereiro.

Um panorama à primeira hora do diadfd

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones (-3,12%), S&P 500 (-3,56%), Nasdaq Composite (-4,99%), Stoxx 600 (-0,70%), Ibovespa (-2,81%)

O otimismo nos mercados de ações não durou mais do que um dia. Os analistas questionaram a capacidade do Fed de controlar a inflação mais alta em décadas sem empurrar a economia dos EUA para uma recessão. Em meio a esses temores, o S&P 500 registrou seu segundo maior declínio do ano. Tanto o Dow Jones quanto o Nasdaq amargaram as quedas mais acentuadas desde 2020. Além disso, uma venda maciça de Treasuries de longo prazo elevou os prêmios do bônus de 10 anos acima de 3%.

Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados

No radar

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EUA: Relatório de Emprego (Payroll) não-agrícola (Abr); Taxa de Desemprego/Abr; Ganho Médio por Hora Trabalhada/Abr; Taxa de Participação da Força de Trabalho/Abr; Crédito ao Consumidor/Mar

• Europa: Alemanha (Produção Industrial/Mar); França (Folha de Pagamento do Setor Privado/1T22); Reino Unido (Índice de Preços de Imóveis Halifax/Abr; PMI de Construção/Abr); Espanha (Produção Industrial/Mar); Itália (Vendas no Varejo/Mar)

• América Latina: Brasil (IGP-DI/Abr; Produção e Vendas de Veículos/Abr); México (Investimento Fixo Bruto/Fev)

• Ásia: Japão (Base monetária); Hong Kong (Reservas Internacionais/Abr)

• Bancos centrais: Pronunciamentos de John Williams e Raphael Bostic (Fed); Catherine Mann, Huw Pill e Silvana Tenreyo (BoE); François Villeroy (BCE); Joachim Nagel (presidente do Bundesbank)

• Balanços: Intesa Sanpaolo, adidas, ING, Cigna, Alibaba, Sabesp, Porto Seguro, Enel Generación Chile

📌 E para segunda-feira, 9:

• Feriado: Hong Kong

• EUA: Índice de Tendência de Emprego/Abr; Vendas no Atacado/Mar; Otimismo entre Pequenas Empresas NFIB/Abr; Índice Redbook

• Europa: Zona do Euro (Confiança do Investidor Sentix/Mai; (Percepção Econômica ZEW/Mai)); Alemanha (Percepção Econômica ZEW/Mai); França (Balança Comercial/Mar; Transações Correntes); Reino Unido (Vendas no Varejo do BRC/Abr)

• América Latina: Brasil (Boletim Focus; Vendas no Varejo/Mar); México (IPC/Abr)

• Ásia: Japão (Domingo: PMI do Setor de Serviços/Abr; Massa Salarial Geral de Empregados/Mar; Reservas Internacionais/Abr; PMI do Setor de Serviços/Abr. Segunda: Gastos Domésticos/Mar); China (Balança Comercial/Abr; IPC e IPP/Abr)

• Bancos centrais: No domingo: pronunciamento de Raphael Bostic, do Fed e atas da Reunião de Política Monetária do Banco do Japão (BoJ)

• Balanços: Duke Energy, Microchip, BioNTech, Westpac Banking, Infineon, Exelon, Tyson Foods, Itaú Unibanco, Tran Gas del Sur, BTG Pactual, Cemargos, Cementos Argos, Naturgy, Assaí, Metalúrgica Gerdau

Destaques da Bloomberg Línea

Revolut quer absorver o talento tech demitido por unicórnios brasileiros

Mercado Livre bate expectativas com receita líquida de US$ 2,2 bilhões

Chefe da CIA disse a integrantes do governo que Bolsonaro não deveria questionar eleições

Com foco no varejo, XP entra em mercado de investimento direto no exterior

Também é importante

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• Musk levanta US$ 7,1 bi em novo financiamento para o Twitter e pode ser CEO. Elon Musk garantiu US$ 7,1 bilhões em acordos de financiamento para sua proposta de aquisição do Twitter (TWTR) por US$ 44 bilhões, obtendo o respaldo de alguns dos maiores investidores do mundo. Os acordos surgem enquanto o bilionário da Tesla (TSLA) organiza capital para financiar uma das maiores aquisições da indústria de tecnologia.

Gucci começará a aceitar pagamentos de criptomoedas em algumas lojas dos EUA. A Gucci aceitará pagamentos em criptomoedas nos EUA a partir deste mês, à medida que a indústria de luxo dá passos provisórios no universo de ativos digitais. Clientes em algumas lojas em Nova York, Los Angeles, Miami, Atlanta e Las Vegas poderão pagar usando tokens digitais a partir do final de maio, informou a casa de moda italiana em comunicado.

Cerveja e carros mais caros? Consumidores parecem numa boa com isso. Os consumidores parecem destemidos diante dos preços mais altos de tudo, desde carros de luxo a cervejas, abrindo caminho para que empresas como a Anheuser-Busch InBev e a BMW aumentem seus lucros, apesar das ameaças econômicas que vão da inflação à guerra e ao surto de covid na China.

Lemon Cash prepara para junho cartão cripto no Brasil. Usar bitcoin (BTC), ethereum (ETH), solana (SOL), binance coin (BNB) e qualquer criptomoeda para comprar do café na padaria ao próximo iPhone usando um simples cartão convencional é o sonho da maioria dos entusiastas do universo cripto. Em alguns mercados essa realidade já acontece e, em breve, o Brasil deve ganhar um novo competidor, se os planos de expansão da Lemon Cash se concretizarem.

Opinião Bloomberg

Por que Espanha e Portugal recebem tratamento especial na energia?

Espanha e Portugal tiveram uma vitória diplomática com uma nova estratégia para rebater o aumento nos preços de energia elétrica. Não contra a Rússia de Putin, que está pressionado pelos europeus importadores de gás, mas em oposição a seus próprios parceiros: a União Europeia. No curto prazo, a decisão protegerá os consumidores da Espanha e Portugal, cuja indignação a respeito da inflação ficou evidente durante os protestos nas ruas no 1º de maio. Mas no longo prazo, o acordo poderá acarretar rupturas visíveis para a UE.

Pra não ficar de fora

Valor da camisa usada pelo jogador no evento do gol com a ‘mão de Deus’ bateu recorde de Babe Ruth, famoso jogador de beiseboldfd

A camisa usada por Diego Maradona quando este marcou o infame gol da “mão de Deus” durante as quartas de final da Copa do Mundo de 1986 contra a Inglaterra foi leiloada por US$ 9,3 milhões.

💰 O preço bateu um recorde de 2019, quando uma camisa que havia sido usada por Babe Ruth enquanto jogava pelo New York Yankees foi vendida por US$ 5,6 milhões.

⚽ A camisa de Maradona pertencia ao meio-campista inglês Steve Hodge, que fez a troca de camisas com a estrela argentina depois que a Inglaterra perdeu por 2 a 1.

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Edição: Michelly Teixeira | News Editor, Europe

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