Futuros de NY sobem apesar de receio com guerra e aperto do Fed

A Rússia iniciou o processo de pagamento de dois cupons de títulos com vencimento nesta semana para evitar o default

Ásia e futuros de NY sobem apesar de receio com guerra e aperto do Fed
Por Andreea Papuc
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Bloomberg — Os mercados de ações e de títulos soberanos permaneceram sob pressão nesta terça-feira, com a guerra entre Rússia e Ucrânia e o risco de um aperto agressivo na política monetária nos EUA para conter a inflação enfraquecendo a confiança dos investidores.

As ações tiveram alta no Japão, mas recuaram na Austrália, na Coreia do Sul e em Hong Kong. Os contratos futuros de ações do EUA subiram após uma queda nas ações americanas que deixou o Nasdaq 100 em território de correção.

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Os rendimentos de títulos da Austrália e da Nova Zelândia saltaram e os Treasuries mantiveram perdas antes do esperado aumento das taxas de juros pelo Federal Reserve na quarta-feira. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos (GT10) estão próximo do nível mais alto desde 2019. O dólar se manteve estável.

Os custos elevados das commodities devido a interrupções no fornecimento decorrentes da invasão da Rússia estão alimentando as pressões sobre os preços. Esse pano de fundo está contribuindo para o aperto do Fed, embora também prenuncie riscos para o crescimento econômico.

A escalada do preço do petróleo continuou a diminuir, embora as cotações permaneçam acima de US$ 100 o barril. Os operadores estão avaliando as negociações entre a Ucrânia e a Rússia que podem aliviar o conflito. Enquanto isso, as restrições sanitárias na China por conta da covid representam riscos para a demanda.

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Os traders começaram a precificar um caminho mais contundente para os aumentos de juros pelo Fed e agora esperam cerca de sete aumentos de 0,25 ponto em 2022. A inflação já estava alta antes da guerra e as sanções à Rússia provocaram um choque de commodities, agravando os desafios econômicos globais e criando um ambiente de risco tanto para ações quanto para renda fixa.

“O mercado de ações simplesmente não consegue ter um tempo”, disse o estrategista de derivativos do Susquehanna International Group, Chris Murphy, à Bloomberg Television. “Você reduz o preço do petróleo em US$ 8 ou US$ 10 e agora todo mundo está preocupado com os rendimentos dos Treasuries. Quando melhora de um lado, outra coisa aparece.”

Na China, os investidores aguardam os principais dados da atividade econômica e a decisão do banco central sobre a taxa dos empréstimos de um ano. Enquanto o Fed e um grupo de outras autoridades monetárias estão apertando a política, crescem os pedidos para que a China relaxe a política monetária para sustentar a economia.

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Títulos da Rússia

Enquanto isso, a Rússia iniciou o processo de pagamento de dois cupons de títulos com vencimento nesta semana. Os investidores estão esperando para ver se o país entra em default depois que os EUA e seus aliados congelaram as reservas em moeda estrangeira da Rússia.

Em outros mercados, os negócios com níquel serão retomados na London Metal Exchange na quarta-feira, mais de uma semana depois de terem sido suspensos em meio a um histórico “short squeeze”.

Os variados riscos, que vão de geopolíticos até uma ameaça de erro na política monetária à medida que os bancos centrais lidam com a inflação, sugerem que mais volatilidade está por vir.

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“Vai demorar um pouco para domar a inflação”, disse Kathy Entwistle, diretora-gerente do Morgan Stanley Private Wealth Management (MS), à Bloomberg Television. “O consumidor regular é o que mais vai sentir isso este ano. E foram eles que seguraram os mercados no ano passado.”

Aqui estão alguns eventos importantes para acompanhar esta semana:

  • China: Taxa de empréstimo de um ano, dados de atividade econômica, terça-feira;
  • EUA: Relatório de inventário de petróleo bruto da EIA, quarta-feira;
  • EUA: Decisão de taxa do FOMC e conferência de imprensa do presidente do Fed Jerome Powell, quarta-feira
  • Reino Unido: Decisão da taxa do Banco da Inglaterra, quinta-feira;
  • Zona do euro: A presidente do BCE, Christine Lagarde, a membro do conselho-executivo Isabel Schnabel, o membro do conselho do BCE, Ignazio Visco, e o economista-chefe, Philip Lane, falam em uma conferência, quinta-feira;
  • Japão: Decisão da taxa do Banco do Japão, sexta-feira;

Alguns dos principais movimentos nos mercados:

Ações

  • Os futuros de S&P 500 (ESH2) tinham alta de 0,3% às 11h40 em Tóquio (23h40 em Brasília). Na segunda, o S&P 500 caiu 0,7%;
  • Os futuros do Nasdaq 100 (NQH2) subiam 0,5%. O Nasdaq 100 caiu 1,9% na segunda;
  • O índice Topix (TOPIX), de Tóquio, subia 0,8%;
  • O S&P/ASX 200 da Austrália (AS51) recuava 0,5%;
  • O índice Kospi (KOSPI), de Seul, caía 0,5%;
  • O índice Hang Seng (HSI), do Hong Kong, caía 1,8%;

Moedas

  • O iene japonês (JPY) operava a 118,14 por dólar;
  • O yuan offshore (CNH) operava a 6,3900 por dólar;
  • O Bloomberg Dollar Spot Index (DXY) operava estável%;
  • O euro (EUR) subia 0,1% para US$ 1,0953;

Renda fixa

  • O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos subia para 2,13%;
  • O rendimento de 10 anos da Austrália subia sete pontos base para 2,52%;

Commodities

  • O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) caía 1,7% para US$ 101,30 o barril;
  • O ouro era negociado a US$ 1.950 a onça.

(atualizado às 23h43 com abertura em Hong Kong)

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