Ucrânia busca zona segura, com Rússia se aproximando de usina atômica

Colunas russas de equipamentos militares, artilharia e lançadores de foguetes estão se movendo regularmente nas imediações das usinas

Quinze reatores da era soviética ainda funcionam em meio a conflitos
Por Jonathan Tirone
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Bloomberg — O chefe da empresa de energia nuclear da Ucrânia pediu que monitores internacionais intervenham para garantir a segurança dos 15 reatores atômicos do país, à medida que uma invasão russa avança se aproxima da maior usina nuclear da Europa.

A Agência Internacional de Energia Atômica convocará uma sessão de emergência na quarta-feira (2) em Viena para avaliar a situação. O órgão de vigilância vem alertando há dias que a guerra ameaça desencadear uma tragédia mais ampla ao danificar a infraestrutura de energia nuclear.

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“Continuo a acompanhar os acontecimentos na Ucrânia de muito perto e com grande preocupação, especialmente o impacto potencial do conflito na segurança e proteção das instalações nucleares do país”, disse o diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, em comunicado. “É extremamente importante que as usinas nucleares não sejam colocadas em risco de forma alguma. Um acidente envolvendo as instalações nucleares na Ucrânia pode ter graves consequências para a saúde pública e o meio ambiente”.

O chefe da concessionária Energoatom da Ucrânia, Petro Kotin, pediu a Grossi no início do dia para erguer uma zona segura de 30 quilômetros ao redor das quatro usinas nucleares do país. Colunas russas de equipamentos militares, artilharia e lançadores de foguetes estão se movendo regularmente nas imediações das usinas, disse a Energoatom em comunicado.

Todas as usinas da Ucrânia continuam a gerar eletricidade “de forma estável e segura”, disse a concessionária em comunicado na terça-feira, acrescentando que os perímetros do local foram colocados sob maior vigilância.

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As forças russas estão perto da Usina Nuclear de Zaporizhzhia – a maior da Europa, com seis reatores – mas não invadiram a entrada, de acordo com o comunicado da AIEA. De maior preocupação imediata é a ausência de pessoal substituto para operar os reatores, de acordo com a agência, que informou que um supervisor de turno em um local não foi dispensado desde 24 de fevereiro.

No domingo (27), a agência informou que duas instalações ucranianas contendo resíduos nucleares sofreram danos depois que mísseis atingiram um local de descarte de resíduos radioativos em Kiev, e um transformador elétrico foi danificado em um depósito semelhante em Kharkiv.

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A Ucrânia é o segundo maior gerador de energia nuclear da Europa depois da França. A Energoatom, a concessionária que opera seus reatores, continuou a operar suas quatro usinas que abrigam 15 reatores, mesmo com a incursão militar da Rússia. A energia atômica gera cerca de metade da energia do país.

A Rússia também tomou a área ao redor da usina nuclear fechada de Chernobyl durante seu avanço na Ucrânia.

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