Banco da Inglaterra desafia mercado e mantém juros inalterados

Decisão ameaça minar credibilidade da autoridade monetária britânica junto aos investidores, que davam como certo um aumento na taxa de referência em novembro

Banco da Inglaterra surpreende ao manter juros
Por David Goodman
PUBLICIDADE

Bloomberg — O Banco da Inglaterra (BoE) desafiou as expectativas do mercado ao manter as taxas de juros inalteradas, numa decisão que ameaça minar sua credibilidade junto aos investidores que acreditavam que estava certo um aumento na taxa de referência em novembro.

Os membros do comitê de política monetária liderados pelo presidente Andrew Bailey aprovaram, por 7 a 2 votos, por manter a taxa de empréstimo de referência em 0,1%, priorizando as preocupações imediatas sobre a desaceleração do crescimento mais do que as perspectivas de um aumento da inflação.

PUBLICIDADE

As autoridades do BoE também contrariaram as expectativas do mercado, que apostavam em uma série de aumentos nas taxas até atingir 1% no próximo ano, observando que tal ação agressiva pode deixar o aumento preços abaixo de sua meta de 2% no final do período de alcance da política monetária.

Bailey fez uma referência explícita a essas apostas em uma entrevista após a decisão: “Eu advertiria contra as opiniões sobre a escalada de aumento que provavelmente empurraria a inflação abaixo da meta no futuro”, disse ele.

Libra desaba

A libra esterlina enfraqueceu após a decisão, sendo negociada 1,1% mais baixa, a US$ 1,3543, pouco depois das 12h em Londres (9h em Brasília). Às 13h15 (10h 15 em Brasilia), a moeda tinha baixa de 0,95%, a US$ 1,355. Os títulos do governo subiram, enquanto os mercados de renda fixa reduziam as apostas em novas altas de taxas.

PUBLICIDADE

O banco central britânico disse que os dados econômicos recentes reforçam a visão de que os custos dos empréstimos terão que aumentar nos “próximos meses” para manter a inflação dentro da meta. Mas também observou que grandes incertezas permanecem sobre o mercado de trabalho após o fim do programa do governo para ajudar os desempregados durante a pandemia.

A decisão levanta questões sobre a estratégia de comunicação do banco, e especialmente de Bailey, que permitiu que o mercado se posicionasse para aumento nas taxas nas últimas semanas antes de votar essa possibilidade em novembro.

--- texto sendo ampliado

PUBLICIDADE

Veja mais em bloomberg.com