Bloomberg — Políticos do Chile ameaçam acabar com seu negócio, mas um dos maiores gestores de fundos da América Latina continua otimista sobre os mercados no país.
Ignacio Calle, CEO da Sura Asset Management, de Bogotá, que administra o terceiro maior fundo de pensão privado do Chile, diz que as propostas de candidatos à presidência da oposição para desmantelar o sistema de aposentadoria talvez não cheguem a lugar nenhum. E investidores estão pessimistas demais em relação ao país, que tem muitas oportunidades para serem aproveitadas, diz.
“Temos uma visão muito positiva para o futuro do Chile”, disse Calle em entrevista. “As condições para os investidores estrangeiros são boas.”
É uma visão surpreendentemente otimista sobre um país que já foi considerado símbolo de estabilidade e boa governança na América latina, mas que se tornou mais volátil em meio a protestos por causa da desigualdade e serviços precários.
O desempenho dos mercados chilenos ficou aquém de outros países em desenvolvimento recentemente com a expectativa de vitória de um candidato de esquerda nas eleições presidenciais, incertezas sobre a redação na nova Constituição e depois que US$ 49 bilhões em saques antecipados de pensões, permitidos sob as medidas de alívio da pandemia, reduziram os recursos nas contas em pelo menos 20%.
Bancos de investimento estão divididos sobre quais são os riscos para o mercado acionário no Chile. Estrategistas do Bank of America e UBS reduziram a exposição às ações do país, citando crescente incerteza política, enquanto o JPMorgan Chase permanece neutro. A LarrainVial, de Santiago, disse que o mercado já precificou a fragilidade institucional do Chile, enquanto o BTG Pactual tem recomendação acima da média, ou overweight, pois os riscos estão embutidos nos atuais preços das ações.
O índice de referência S&P IPSA perdeu 6,9% nos últimos três meses em dólares, entre os 10 piores desempenhos do mundo durante esse período. O peso chileno se desvalorizou 8% em três meses, o pior resultado entre 31 moedas mais negociadas. Os rendimentos dos títulos denominados em pesos com vencimento em 2030 aumentaram quase 150 pontos-base desde junho.
Calle acha que grande parte da preocupação é exagerada. Os mercados continuaram a funcionar em muitos países, apesar da agitação social ou de governos de esquerda, aponta Calle.
E, embora vários candidatos à presidência, incluindo Gabriel Boric, o favorito para as eleições de novembro, tenham proposto substituir o sistema previdenciário privado do país por um sistema estatal, Calle acha que a ideia não irá em frente. Seria praticamente impossível devido aos pesados encargos fiscais e tributários necessários para que o estado assuma a responsabilidade, segundo Calle.
“Muitas vezes os candidatos são muito agressivos durante suas campanhas eleitorais, mas tendem a moderar os discursos quando chegam à presidência”, disse.
Em toda a região, a Sura tem cerca de US$ 147 bilhões em ativos sob gestão no Chile, Argentina, Colômbia, México, Peru, Uruguai e El Salvador, e espera terminar o ano com até US$ 162 bilhões, disse Calle. Cerca de 75% desses ativos correspondem às operações de pensões da Sura na região, com o restante em gestão de patrimônio e operações de investimento.
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