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Mercados

Curva de juros acelera com inflação puxada por combustíveis

O Ibovespa tem algum alívio após forte recuo da véspera, sob pressão política, mas ainda permanece abaixo do patamar dos 114 mil pontos

O contrato do DI para janeiro de 2025 avançando 18 pontos-base para 10,230%
09 de Setembro, 2021 | 11:27 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — O principal índice da bolsa de São Paulo conseguiu reverter o movimento de queda forte visto na véspera, com investidores aproveitando as barganhas, e opera em alta no início do pregão desta quinta-feira (9). Os mercados pegam carona no clima positivo das bolsas norte-americanas, mas ainda observam as questões domésticas em segundo plano, entre elas as tensões políticas entre o presidente Jair Bolsonaro e os demais poderes - que acende o alerta sobre tramitações de reformas no Congresso -, potencializada pelo discurso do líder do Executivo nas manifestações de 7 de setembro e com os bloqueios de estradas promovidos por caminhoneiros em diversos estados.

Destaque para a curva de juros, que subia com força e em bloco após o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mostrar uma aceleração de 0,83% em agosto, a maior para o mês desde o ano 2000, puxado majoritariamente pelos combustíveis.

Com a alta generalizada dos preços, o mercado começa a avaliar uma possível atuação mais forte do que o esperado do Banco Central na próxima reunião de política monetária, em 21 e 22 de setembro.

  • O contrato do DI para janeiro de 2025 avançando 18 pontos-base para 10,230%.
  • Já o dólar futuro caía 0,92%, a R$ 5,2723, apagando parte da forte alta da véspera, com as moedas emergentes pares operando mistas no exterior
  • O Ibovespa subia 0,34%, a 113.793 pontos perto das 11h10
    • Petrobras (PETR4) e bancos eram os maiores pesos negativos do índice, com a petroleira recuando 0,72% e Bradesco (BBDC4), 0,85%. Na ponta oposta, B3 (B3SA3) era a maior contribuição positiva, subindo 2,06%
  • Nos EUA, Nasdaq subia 0,29%, S&P 500 0,25% e o Dow Jones, 0,38%

Contexto do dia

O IPCA divulgado nesta quinta acumula alta de 5,67% no ano e de 9,68% nos últimos 12 meses imediatamente anteriores, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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  • Segundo o instituto, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados subiram em agosto, com destaque para os transportes, que teve a maior alta de preços.

Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, apesar de a surpresa ter sido em itens pouco sensíveis às políticas monetárias, impulsionados por problemas climáticos e/ou geopolíticos, “a dinâmica inflacionária não permite que surpresas sejam sistematicamente altista, em função do alto patamar”

  • Ele aposta em uma aceleração da alta dos juros pelo BC, com a Selic subindo 125bps na próxima reunião.

O mercado segue monitorando ainda a movimentação dos caminhoneiros nas estradas brasileiras, que podem representar um risco ainda maior para a inflação, já que pode gerar consequências como desabastecimento. Em alguns estados, já há relatos de problemas de falta de combustível e filas longas nos postos.

Enquanto isso, lá fora, o número de americanos que deu entrada em pedidos de seguro-desemprego na última semana teve a maior queda desde o final de junho, à medida que o mercado de trabalho continua em plena recuperação.

Os pedidos iniciais de seguro-desemprego em programas regulares do governo diminuíram para 310.000 na semana encerrada em 4 de setembro, segundo dados do Departamento do Trabalho.

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Ana Siedschlag

Ana Carolina Siedschlag

Editora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero e especializada em finanças e investimentos. Passou pelas redações da Forbes Brasil, Bloomberg Brasil e Investing.com.

Kariny Leal

Kariny Leal

Jornalista carioca, formada pela UFRJ, especializada em cobertura econômica e em tempo real, com passagens pela Bloomberg News e Forbes Brasil. Kariny cobre o mercado financeiro e a economia brasileira para a Bloomberg Línea.