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Internacional

Estratégia Covid Zero pode deixar China isolada por anos

Partido Comunista tenta zerar infecções mesmo com número relativamente baixo de casos considerando taxas de vacinação

Residentes em Wuhan são testados para Covid-19 em 3 de agosto
Por Bloomberg News
09 de Agosto, 2021 | 12:02 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — Quando a maior parte do mundo aprende a conviver com a Covid-19, a China se esforça para eliminar o coronavírus a longo prazo, uma abordagem que pode deixar a segunda maior economia do mundo isolada nos próximos anos.

Neste mês, a variante delta surgiu em mais da metade das 31 províncias da China, apesar dos controles de fronteira, desencadeando outra rodada de lockdowns direcionados, restrições de viagens e testes em massa em todo o país. Embora o surto seja o mais amplo da China desde o foco inicial em Wuhan no ano passado, a Organização Mundial da Saúde disse que os casos totais somavam 141 na sexta-feira passada, cerca de 0,01% das novas infecções naquele dia nos Estados Unidos.

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As medidas rigorosas para controlar um número de casos relativamente pequeno em um país com uma das maiores taxas de vacinação mostram como o Partido Comunista está engajado em zerar os casos de Covid-19. Autoridades chinesas fazem cada vez mais alarde de seu sucesso na contenção do vírus como uma vitória ideológica e moral sobre os EUA e outros países que agora abordam a Covid-19 como endêmica.

No curto prazo, os líderes chineses têm um incentivo para manter rígidos controles pelo menos até o próximo ano: não querem nenhum grande surto que atrapalhe a Olimpíada de Inverno ou o Congresso do Partido que ocorre uma vez a cada cinco anos, no qual o presidente Xi Jinping deverá obter um terceiro mandato. O problema, no entanto, são os custos econômicos e políticos crescentes em manter essa política indefinidamente, especialmente porque o coronavírus gera variantes que podem escapar das restrições com mais facilidade.

“A China terá que mudar sua estratégia de contenção, mais cedo ou mais tarde. Você pode ser ‘Covid Zero’ por um tempo, mas não pode ser ‘Covid Zero’ para sempre, porque o vírus aparece antes que você perceba”, disse Chen Zhengming, professor de epidemiologia da Universidade de Oxford. “Minha preocupação é que eles não busquem ativamente uma mudança de tática, pois a Covid Zero se tornou uma mentalidade arraigada. Especialmente quando você responsabiliza autoridades, ninguém se atreve a pegar leve com o surto.”

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No momento, é quase um tabu na China sugerir uma abordagem diferente. Em um comentário publicado no fim de semana por um aplicativo de notícias de saúde do jornal oficial People’s Daily, o ex-ministro da Saúde Gao Qiang pediu medidas mais fortes para manter o coronavírus fora da China e atacou os EUA, Reino Unido e outros países por aliviarem as restrições muito cedo.

“A dependência exclusiva da vacinação e busca da chamada ‘coexistência com o vírus’ levaram ao ressurgimento do vírus”, escreveu. “Este é um erro na tomada de decisões sobre a Covid, causado pelas deficiências em seu mecanismo político e o resultado de defender o individualismo.”

Depois que o artigo de Gao foi publicado, usuários das redes sociais chinesas começaram a atacar Zhang Wenhong, diretor de doenças infecciosas do Hospital Shanghai Huashan, que havia anteriormente pedido às autoridades chinesas para encontrar “a sabedoria de coexistir com o vírus a longo prazo”.

A China não é a única que buscou extinguir o vírus, pois Singapura, Austrália e Nova Zelândia também seguiram a chamada estratégia Covid Zero. Mas, à medida que o resto do mundo se abre e a perspectiva de eliminação global diminui, outros começam a se afastar de um manual que evitou mortes, mas os deixou isolados e focados na contagem de casos.

O compromisso da China com a Covid Zero tem implicações para investidores, muitos dos quais já foram impactados pela repressão de Xi às empresas de tecnologia que, a certa altura, eliminou US$ 1,5 trilhão das bolsas chinesas. Os riscos econômicos aumentam no segundo semestre com a desaceleração do crescimento, enquanto as pressões inflacionárias também sobem. Goldman Sachs e Nomura rebaixaram as previsões de expansão do PIB da China neste mês devido às medidas do governo de Pequim para frear o coronavírus.

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