O estilo de vida dos ricos e dos criptofamosos difere das responsabilidades dos gestores de fundos

Indústria dos crypto hedge funds ainda é muito pequena, com apenas US$ 3,8 bilhões em ativos sob administração divididos entre 150 e 200 veículos de investimentos

Ray Dalio, bilionário e fundador da Bridgewater: preferência em investir em bitcoin do que em bônus
Por Shuli Ren
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(Bloomberg Opinion) – Quando Ray Dalio, o bilionário que dirige o maior hedge fund do mundo, diz que prefere os bitcoins aos títulos de renda fixa, será que os operadores de Wall Street deveriam pensar em criar seus próprios hedge funds de criptomoedas e iniciar uma carreira incrivelmente lucrativa?

Minha resposta é curta: não.

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A indústria dos crypto hedge funds ainda é muito pequena. Ela tinha apenas US$ 3,8 bilhões em ativos total sob administração em 2020, segundo uma pesquisa recente conduzida pela PricerwaterhouseCoopers LLC em parceria com a Elwood Asset Management LLP. Esse bolo é dividido entre 150 a 200 fundos e nenhum gestor de destaque emergiu desse grupo. Pouco mais de metade dos fundos gerenciam menos de US$ 20 milhões cada.

Como resultado, embora os crypto funds possam cobrar muito de seus clientes – taxas de administração de 2% e de desempenho de 20% são a norma -, muitos ainda têm dificuldade em atingir o ponto de equilíbrio.

Considere que um fundo médio gerencia apenas US$ 15 milhões, o que rende a ele US$ 300 mil em receita anual. Isso é o equivalente a um único salário em Wall Street! E um fundo desse tamanho geralmente emprega seis pessoas.

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Sem as taxas de desempenho, que só são acionadas depois que os fundos atingem seus níveis máximos, os gestores não conseguem nem mesmo pagar os salários dos funcionários. Esqueça o estilo Wall Street ao qual você se acostumou.

Muitos fundos teriam se saído bem no ano passado. A disparada dos preços do bitcoin e do Ethereum deram aos fundos médios um retorno de 128%, ou US$ 3,8 milhões obtidos com taxas de desempenho. Mas a quanto a este ano? O bitcoin registrou uma queda de até 47% em relação ao pico de alta alcançado na metade de abril.

Em questão está a falta de dinheiro institucional. Indivíduos ricos são de longe os maiores investidores, respondendo por mais da metade do dinheiro aplicado nos crypto hedge funds existentes; em seguida está os escritórios de famílias com 30%, segundo a pesquisa da PwC e Elwood.

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Você não encontrará um grande fundo de pensão da Califórnia aqui. Não há muita contribuição de fundos de fundos ou firmas de gestão de ativos. Na verdade, até mesmo o pouco já aplicado pode desaparecer.

O bitcoin pode oferecer uma vantagem porque ele parece subir dramaticamente. Mas ele também cai dramativamente. Gestores profissionais de recursos terão problemas para explicar isso aos seus investidores. Eles podem também preferir o ouro.

Conseguirão os crypto funds justificar suas taxas pesadas? No ano passado, quando as criptomoedas estiveram aquecidas, os retornos das carteiras desses fundos foram fracos em relação ao seu referencial – o aumento porcentual do preço de um bitcoin, independentemente da estratégia.

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Os gestores dos fundos podem explicar que retornos inferiores foram resultado do abrandamento da extrema volatilidade das criptomoedas – ou seja, um método contábil para nivelar as flutuações. Mas isso deixará seus clientes ricos mais felizes? Se o bitcoin bater nos US$ 500 mil – conforme acredita Cathie Woods -, os investidores poderão não obter toda a vantagem.

O dinheiro só vai ficar mais apertado de agora em diante para esses crypto hedge funds. Não se surpreenda se alguns começarem a esmorecer.

Sim, Dalio tem alguns bitcoins – ele é um bilionário e pode se dar ao luxo de investir seu dinheiro dessa maneira. Ou jogar fora. Mas a verdadeira questão é se ele iniciará um crypto fund – ou mesmo investir em um. Operadores de Wall Street, não larguem seus empregos.