Rodadas da semana: investimentos em startups da América Latina caem 36% no 3º tri

O Brasil recebeu US$ 629 milhões, 32% do total e a menor fatia do ano, enquanto o México liderou o trimestre; BioLinker e Leapy são os destaques da semana

Sao Paulo, Brasil
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Bloomberg Línea — As startups da América Latina captaram US$ 1,95 bilhão em 129 rodadas no terceiro trimestre, volume 36% inferior em relação ao segundo trimestre e 26% na comparação anual, de acordo com dados da plataforma Sling Hub. As startups brasileiras receberam US$ 629 milhões, 32% do total.

No trimestre, o México foi o país com maior volume de recursos, puxado por uma captação de dívida da fintech Mundi, no valor de US$ 150 milhões, da rodada mista (dívida e equity) da Kapital, de US$ 125 milhões, e da captação em equity da Felix Pago, de US$ 87 milhões.

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As startups brasileiras receberam US$ 629 milhões, 32% do total. O montante representa quedas de 63% na comparação com o trimestre anterior e de 50% em um ano. Ume, com um FIDC de US$ 98,4 milhões, e a Decade, com uma rodada de US$ 85 milhões, foram os destaques.


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O número de rodadas ficou praticamente estável no trimestre, com uma queda de 4%. No ano, o recuo ficou em 48%. A mediana das rodadas foi de US$ 2,7 milhões.

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Considerando só equity, o total é de US$ 802 milhões em 110 rodadas, 41% do volume. O valor restante veio de dívida, FIDCs e captações mistas. Fintechs responderam por 83% do capital da região, e as startups de IA captaram US$ 632 milhões em 52 rodadas, alta de 49% em um ano.

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Veja os destaques da semana:

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BioLinker

A BioLinker, biotecnologia brasileira fundada por cientistas da USP, captou R$ 8,4 milhões. Do total, R$ 7,2 milhões vieram do fundo da Axcell, aceleradora focada na Amazônia e abastecida com recursos de empresas da Zona Franca de Manaus, e o restante, do programa PIPE Fase 2, da Fapesp. O Google, que aportou na companhia no início de 2025, em valor não divulgado, já era investidor. A rodada segue aberta.

Fundada em 2018, a startup atua na descoberta, desenvolvimento e fabricação de proteínas recombinantes. Já gera receita recorrente e financia o desenvolvimento comercial com a própria operação. Hoje tem 12 colaboradores e uma filial em Manaus, onde está incubada no Centro de Bionegócios da Amazônia.

O aporte vai financiar um laboratório automatizado na capital amazonense, com robôs importados, para gerar dados em larga escala e treinar modelos de IA, além de ampliar a produção de DNA no país. A equipe deve dobrar, para 24 pessoas, nos próximos meses. A previsão é de que o valor sustente três anos de operação.

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Leapy

A Leapy, HRTech que opera programas de jovens aprendizes para empresas, recebeu aporte da elea Foundation for Ethics in Globalization, investidora filantrópica de impacto com sedes em Zurique, Joanesburgo e Cidade do México. O valor não foi divulgado.

É o primeiro investimento da elea no Brasil e se soma à rodada seed de R$ 12 milhões captada no segundo semestre de 2025, liderada pela Astella.

A plataforma contrata, forma e gerencia aprendizes e ajuda as companhias a cumprir a Lei da Aprendizagem. Segundo a Leapy, a taxa de efetivação entre seus parceiros é pelo menos três vezes a média nacional de 15%, dado do Ministério do Trabalho. A carteira inclui Nubank, iFood, Shopee, Vivo, Votorantim e RD Saúde.

O capital será usado para reforçar a entrega às grandes contas, ampliar o time, aperfeiçoar o go-to-market e consolidar o produto. A elea, com cerca de 40 empresas investidas na África, Ásia e América Latina, enquadra a Leapy em sua tese de habilidades para empregabilidade.