Vale afirma que custos altos levam 10% do mercado de minério a operar no prejuízo

Em entrevista à Bloomberg Television, Gustavo Pimenta avalia que o aumento de custos de energia e frente tem pesado sobre o mercad; ‘Os preços [do minério de ferro] deveriam estar um pouco mais altos hoje’, disse

Gustavo Pimenta
Por Mariana Durao - Francine Lacqua
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Bloomberg — O líder da Vale (VALE3), maior produtora de minério de ferro, estima que o aumento nos custos de energia e frete, provocado pelo conflito no Oriente Médio, esteja tornando cerca de 10% da oferta no mercado global de transporte marítimo não lucrativa.

“Os preços deveriam estar um pouco mais altos hoje”, afirmou o CEO Gustavo Pimenta em entrevista à Bloomberg Television com Francine Lacqua. “Não por causa da oferta e da demanda, mas devido ao impacto das taxas de frete; os preços dos combustíveis têm estado mais altos.”

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Os contratos futuros de minério de ferro em Cingapura caíram esta semana para menos de US$ 90 por tonelada pela primeira vez em dois anos e registram queda de cerca de 15% em 2026, em meio à demanda chinesa vacilante e à oferta global abundante, incluindo novas fontes como a mina de Simandou, na Guiné.

Enquanto isso, um aumento nos preços da energia, impulsionado pela guerra, elevou os custos para mineradoras como a Vale.

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Os preços provavelmente se recuperarão, já que os custos para os chamados produtores marginais estão desestimulando a produção, afirmou Pimenta.

Os cerca de 10% da oferta que atualmente não são rentáveis totalizam aproximadamente 160 milhões de toneladas, e cerca de 15 milhões de toneladas já foram retiradas de operação devido aos custos mais elevados, disse ele.

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Pimenta espera que o mercado permaneça equilibrado e que a demanda da China e de outros mercados-chave continue forte.

“Na China, a demanda continua sólida”, afirmou ele, acrescentando que há “muito crescimento” em outros países produtores de aço, como Índia e Vietnã.

Ações da Vale (VALE3)

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O executivo também se mostra otimista em relação à política no Brasil, independentemente do resultado das eleições no final deste mês.

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Ele afirmou que ambos os candidatos apoiarão o setor e reconhecem os benefícios de fortalecê-lo por meio da agilização de licenciamentos e outras medidas.

Os brasileiros irão às urnas no dia 25 de outubro para o segundo turno das eleições presidenciais, com o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enfrentando Flávio Bolsonaro (PL), um conservador que defende regras ambientais mais flexíveis e o desenvolvimento de recursos naturais pelo setor privado.

A Vale foi privatizada em 1997, mas os investidores continuam cautelosos quanto à influência do governo por meio de uma ação de controle na empresa, bem como em relação às políticas envolvendo o licenciamento de minas e concessões ferroviárias importantes.

Pimenta tem pressionado por medidas para impulsionar o investimento em mineração, incluindo agilização do licenciamento e mais mapeamento geológico.

Uma revisão das regras brasileiras que protegem cavernas naturais poderia viabilizar grandes projetos, incluindo uma mina de minério de ferro planejada pela Vale com capacidade anual de 50 milhões de toneladas.

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