Nova equipe econômica de Lula vai definir o tamanho do impacto na bolsa, avalia BTG

Maior banco de investimentos da América Latina projeta juro longo acima de 8%, real até 15% mais fraco e cortes menores da Selic enquanto o governo não apresentar plano fiscal crível; exportadoras e empresas pouco endividadas tendem a resistir melhor

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Bloomberg Línea — A escolha de quem vai comandar a economia no novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve determinar até onde a bolsa ainda pode cair depois da reeleição, segundo o BTG Pactual (BPAC11), o maior banco de investimentos da América Latina.

Sem nomes críveis e medidas concretas para as contas públicas, os juros longos tendem a subir e ficar altos, o real perde valor e o Banco Central ganha menos espaço para cortar a Selic (taxa básica de juros do Brasil), de acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira (26).

No cenário mais duro traçado pelo BTG Pactual, o Ibovespa recuaria até cerca de 170 mil pontos, nível em que o índice, sem Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), ficaria um desvio-padrão abaixo da média histórica de preço sobre lucro.

O real pode perder de 10% a 15%, o que elevaria a cerca de 30% a perda medida em dólar.

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O termômetro desse ajuste é a taxa real de longo prazo, que desconta a inflação. Ela estava em 6,7%, depois de cair 0,81 ponto percentual em 30 dias, e deve superar rapidamente 8%, permanecendo nesse patamar até o governo apresentar a política fiscal dos próximos quatro anos, na avaliação do BTG.

“Sem uma equipe econômica crível e medidas concretas para enfrentar a situação fiscal, os juros reais de longo prazo devem subir de forma relevante e permanecer altos”, escreveram os analistas Carlos Sequeira, Osni Carfi, Leonardo Correa, Antonio Junqueira e Bruno Ferreira, que assinam o relatório.

A mesma incerteza alcança o ritmo do Banco Central.

O boletim Focus, pesquisa semanal da autoridade monetária com economistas, aponta Selic de 12% no fim de 2027, um corte de 1,75 ponto percentual. Dependendo do desenho fiscal do novo governo, até essa trajetória pode se mostrar agressiva demais, diz o banco.

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“Somente o anúncio de uma equipe econômica crível e sinais de disciplina fiscal poderiam criar condições para juros mais baixos”, afirmam os analistas.

A lição de 2022

O BTG recorre às duas últimas eleições para mostrar que a duração de um movimento da bolsa depende de como as expectativas evoluem depois do voto. Em 2018, a vitória de Jair Bolsonaro veio acompanhada de queda dos juros longos, e o Ibovespa subiu 26,2% em 12 meses. Em 2022, com a volta de Lula, o índice recuou 1,8% no mesmo período.

A queda modesta de 2022 escondeu um estrago maior nos setores ligados à economia interna, diz a análise. No primeiro mês após o segundo turno, os índices de consumo, financeiro e imobiliário da B3 caíram 10,9%, 10,1% e 13,1%, enquanto o de materiais básicos subiu 12,8%. Só 27,5% das cerca de 70 ações acompanhadas pelo banco tiveram ganho nesse intervalo, ante 66,7% em 2018.

Os juros seguiram roteiro parecido. Em 2022, a taxa real de dez anos subiu de início, recuou depois e terminou o ano seguinte praticamente no ponto de partida. Em 2018, ela caiu cerca de 2,15 pontos percentuais em 12 meses, segundo o levantamento.

Rodízio para exportadoras

O retrato da bolsa antes do segundo turno indica onde o ajuste pode pesar mais. Desde a véspera do primeiro turno, as maiores altas ficaram com ações domésticas, como a varejista de materiais de construção Lojas Quero-Quero (LJQQ3), com 98,1%, a locadora de veículos Movida (MOVI3), com 72,1%, e o Magazine Luiza (MGLU3), com 66,8%. Entre as piores, estavam exportadoras como WEG (WEGE3), com queda de 16,9%, e Vale, com 14,1%.

Com o real mais fraco, o BTG vê esse quadro se inverter a favor de quem vende ao exterior, como Vale, Gerdau (GGBR4), Suzano (SUZB3), PRIO (PRIO3), SLC Agrícola (SLCE3), 3Tentos (TTEN3), São Martinho (SMTO3), WEG e Embraer (EMBR3).

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Empresas com pouca dívida e atuação em setores defensivos completam a lista, caso das seguradoras Caixa Seguridade (CXSE3) e Porto Seguro (PSSA3), da fabricante de bebidas Ambev (ABEV3), da Petrobras e do Itaú Unibanco (ITUB4), que o banco considera o grande banco mais preparado para um período de juros altos.

A montagem da equipe econômica também passará pelo Congresso, segundo o BTG. A coalizão de Flávio Bolsonaro terá cerca de 40 dos 81 senadores e 203 dos 513 deputados, o que obrigará o governo a buscar apoio no centro, que soma 179 cadeiras na Câmara, para aprovar sua agenda fiscal, diz.

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