Bloomberg Línea — Bancos elevaram nas últimas semanas as recomendações para laboratórios de exames, em um novo posicionamento em healthcare que sinaliza rotação de carteira no fim do terceiro trimestre.
Os laboratórios voltaram a crescer com lucro em um ritmo que poucos hospitais e operadoras de planos de saúde conseguem acompanhar no Brasil.
As ações do Fleury (FLRY3) sobem cerca de 50% em 2026, e o UBS BB estreou a cobertura da Dasa (DASA3), dona de marcas como Delboni, Lavoisier, Pasteur e Salomão Zoppi, com recomendação de compra.
Na outra ponta, a Hapvida (HAPV3) viu o lucro quase zerar, enquanto a rede hospitalar Kora Saúde (KRSA3) e a Oncoclínicas (ONCO3) recorreram à recuperação extrajudicial, afugentando investidores.
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O movimento aproxima o país dos mercados maduros, onde empresas de diagnóstico valem mais na bolsa do que operadores de hospitais, segundo o BTG Pactual (BPAC11). O preço que o investidor paga pelo lucro futuro do Fleury subiu de 10,5 vezes no início do ano para mais de 14 vezes.
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A consultoria Peers Consulting + Technology mediu essa distância nos balanços do segundo trimestre. O lucro do Fleury cresceu 45,7%, enquanto o da rede hospitalar Hapvida encolheu 95,8%.
“A medicina diagnóstica, menos dependente de reajuste regulatório e mais sensível a escala e mix, é um dos poucos lugares do setor em que crescer receita e margem juntos ainda é rotina”, afirma a consultoria.
Exames premium sustentam virada da Dasa
A Dasa concentra o otimismo em medicina diagnóstica. Olavo Arthuzo, analista do UBS BB, fixou preço-alvo de R$ 3,90, potencial de alta de 36%, e projeta crescimento de 5,5% ao ano na receita de diagnósticos até 2030, acima dos 4% a 5% que estima para o setor.
O avanço deve vir de laboratórios independentes que terceirizam análises para a rede e da expansão da marca premium Alta Diagnósticos, que pode engatar um plano de expansão em novas geografias.
“Acreditamos que a recente melhora operacional sugere que a virada está ganhando tração, ainda sem reflexo no preço da ação”, escreveu Arthuzo em relatório.
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Sobre o Fleury, o Itaú BBA, o banco de investimentos do Itaú Unibanco (ITUB4), recomenda compra, com preço-alvo de R$ 25, porque o grupo vem ampliando a participação de mercado em medicina diagnóstica premium e intermediária, o que sustenta a aceleração da receita.
Depois da alta de 50% no ano, o UBS BB e o BTG Pactual preferem a recomendação neutra (equivalente a manter a ação). O UBS BB elevou o preço-alvo de R$ 17,50 para R$ 23,30, mas avalia que o crescimento e o retorno esperados já estão, em grande parte, no preço.
Para o BTG Pactual, a valorização veio mais do aumento do que o investidor aceita pagar pelo lucro do que de revisões nas projeções de resultado.
Exceções entre hospitais
Entre os hospitais, a exceção é a Rede D’Or (RDOR3), que o BTG Pactual considera mais atraente que o Fleury pelo crescimento superior.
A consolidadora natural do setor, na definição da Peers, elevou o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 18,2%, mais que o triplo da alta da receita.
Arthuzo calcula que 60% do crescimento vem do valor cobrado por paciente, com mais procedimentos cardíacos, neurológicos e oncológicos, mais caros e difíceis de substituir. Ele recomenda compra, com preço-alvo de R$ 48, potencial de alta de 29%.
“Escala compra densidade cirúrgica, densidade compra complexidade clínica, e complexidade compra poder de preço com as operadoras”, resume o analista.
Sem essa proteção, a Hapvida decidiu reajustar ou cancelar contratos de 947 mil clientes deficitários. Para Fabiano Rosa, ex-diretor médico nacional da operadora ouvido pelo Bank of America, a limpeza pode refletir a expansão para regiões sem infraestrutura hospitalar suficiente.
“A capacidade de execução do plano anunciado e sua conversão em ganhos consistentes de margem, geração de caixa e desalavancagem permanecem como os principais fatores para uma reavaliação da percepção de risco”, avalia William Bertan, do BB Investimentos, que recomenda neutro, com preço-alvo de R$ 12.
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A Kora Saúde e a Oncoclínicas renegociam dívidas sob supervisão da Justiça. Na Oncoclínicas, a receita caiu 28,5% com a falta de medicamentos.
A Amil faz o caminho oposto. Rosa avalia que a expansão da operadora ficou mais disciplinada depois da separação da Rede Americas, sociedade de hospitais criada com a Dasa.
Em setembro, a dona de 3,5 milhões de clientes encerrou conversas com os fundos Bain Capital e Advent International, que queriam 100% do capital, segundo o Poder360. O controlador José Seripieri Filho, o Júnior, preferiu manter o comando.
“O mais difícil já fizemos: reverter a situação da Amil e colocá-la entre as maiores do Brasil”, afirmou Júnior.
Para Arthuzo, a saúde privada brasileira já se recuperou do choque da pandemia, e daqui em diante o desempenho das ações vai depender da execução de cada companhia.
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