ArcelorMittal avalia investimento de R$ 5 bilhões para ampliar usina no Ceará

Projeto em Pecém prevê nova linha de bobinas laminadas a quente e depende da redução da participação do aço importado no mercado brasileiro. Expansão elevaria a produção de aço de maior valor agregado no Brasil em meio às mudanças no comércio global

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Bloomberg — A ArcelorMittal pretende tomar uma decisão final de investimento sobre uma expansão de R$ 5 bilhões de sua usina siderúrgica de Pecém, no Ceará, até o final do ano, segundo o diretor de operações da empresa no país sul-americano.

O projeto adicionaria uma linha de produção de bobinas laminadas a quente com capacidade anual de 1,5 milhão de toneladas na usina localizada no Nordeste do Brasil, afirmou o diretor-executivo da empresa, Jorge Oliveira, à margem de uma conferência sobre o setor siderúrgico em São Paulo.

As tarifas dos EUA sobre as importações de aço forçaram a produtora global de aço a buscar novos mercados para as placas produzidas no Brasil, reforçando a justificativa para a estratégia de Pecém de transformar uma parcela maior do aço semiacabado em bobinas de maior valor agregado no mercado interno, afirmou Oliveira. A decisão final, no entanto, depende de estudos que ainda estão em andamento, acrescentou ele.

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A ArcelorMittal anunciou recentemente um investimento de magnitude semelhante para instalar um laminador de tiras a frio e uma linha de revestimento contínuo em sua usina de Tubarão, no sul do Brasil.

Isso faz parte de uma estratégia para expandir as operações de transformação no país, afirmou Oliveira. Mesmo assim, “cautela” continua sendo a palavra de ordem para a indústria siderúrgica brasileira, à medida que os produtores lutam para competir com as importações baratas da China e pressionam por exigências de conteúdo local e políticas mais protecionistas, acrescentou ele.

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Uma queda nas importações brasileiras de aço, em consequência das medidas governamentais para defender a indústria local, está melhorando as perspectivas para que a ArcelorMittal invista mais no país, afirmou Oliveira. Atualmente, as importações representam cerca de 18% do mercado brasileiro de aço, mas, idealmente, esse número precisaria cair para menos de 12% para viabilizar a aprovação do projeto, disse ele.

A ArcelorMittal redirecionou, neste ano, parte dos embarques brasileiros de placas de aço dos Estados Unidos para a Europa, em resposta às tarifas impostas pelo governo Trump.

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As exportações para a Europa atingiram 1,04 milhão de toneladas no período até agosto, aproximando-se do volume total embarcado em todo o ano de 2025, de acordo com dados da empresa. As exportações brasileiras de placas da ArcelorMittal para os EUA totalizaram 1,77 milhão de toneladas nos primeiros oito meses de 2026.

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