Bloomberg — As negociações entre a Braskem (BRKM5) e seus credores sobre uma recuperação extrajudicial da dívida se deterioraram, e os acionistas retiraram da mesa uma proposta de injeção de capital considerada fundamental para um acordo caso as conversas permaneçam nos termos atuais, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Após reuniões com credores em Nova York nesta semana, os acionistas decidiram recuar do compromisso de aportar capital na Braskem depois que detentores de títulos de dívida rejeitaram uma proposta que incluía a conversão de US$ 3,8 bilhões de dívida em capital, disseram as pessoas, que pediram anonimato para discutir assuntos que não são públicos. As negociações continuam em andamento e nenhuma decisão final foi tomada.
Embora as partes tenham até o fim de novembro para chegar a um acordo, o desenvolvimento representa uma guinada negativa nas negociações. As conversas desta semana incluíram uma proposta não vinculante de US$ 1,4 bilhão em aportes de capital pelos acionistas da Braskem, Petrobras (PETR3, PETR4) e IG4, condicionada à concordância dos credores com uma conversão de dívida em ações.
Com as partes ainda bastante distantes em relação a termos importantes, um possível pedido de recuperação judicial voltou a ser alternativa para a Braskem e seus acionistas, disseram as pessoas.
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Qualquer acordo com os credores precisaria ser aprovado pelo conselho de administração da estatal de petróleo. Os termos atualmente propostos foram recebidos com ceticismo pelo conselho e seriam rejeitados, disseram outras duas pessoas familiarizadas com o assunto.
A Braskem disse, em comunicado à Bloomberg News, que mantém comunicação regular com o mercado e que quaisquer novos desdobramentos serão divulgados oportunamente por meio dos canais oficiais. Petrobras e IG4 não responderam imediatamente a pedidos de comentário.
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As ADRs da Braskem apagaram os ganhos após a notícia, chegando a cair 30% em Nova York antes de reduzir as perdas. Os papéis acumulam queda de cerca de 65% neste ano.
Os credores vêm pressionando há meses os acionistas controladores para que injetem recursos na Braskem, e o tema tem criado entraves em várias rodadas de negociações. A Petrobras, que teria de aportar a maior parte dos recursos, tem resistido a fazê-lo.
A Braskem viu sua posição de caixa se deteriorar após um desastre ambiental em uma de suas minas de sal e um longo período de preços deprimidos no setor petroquímico. Diversas tentativas frustradas da antiga acionista Novonor de vender sua participação de controle agravaram ainda mais os problemas. O grupo IG4 comprou da Novonor uma participação de controle no início deste ano.
Em junho, a Braskem pediu uma medida cautelar de emergência, ganhando tempo para obter apoio suficiente dos credores para uma recuperação extrajudicial de sua dívida. Dois meses depois, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial, tornando-se a mais recente empresa brasileira a ser obrigada a reestruturar suas dívidas.
Uma estrutura apresentada em documentos judiciais em agosto previa o compromisso dos principais acionistas, ou de terceiros acordados entre as partes, de aportar ou garantir uma nova injeção de capital após o chamado período de alívio. Ainda assim, o valor, a estrutura e o cronograma permaneceram em aberto.
Desde então, a companhia e um grupo de detentores de títulos vêm mantendo negociações intensas para chegar a um plano definitivo de reestruturação e evitar um pedido de recuperação judicial.
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