Operadores abandonam apostas em corte de juros e veem chance de alta até 2027

Curva de juros passou a projetar que a Selic irá permanecer estável na próxima reunião do Copom, na semana que vem

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Bloomberg — A vitória surpreendente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), em uma virada inédita no segundo turno das eleições, chacoalhou as mesas de operações e fez os traders de juros abandonarem o cenário de novos cortes da Selic. Mas não apenas isso: o mercado agora deposita fichas em uma elevação da taxa básica de juros até 2027.

A curva de juros passou a projetar que a Selic irá permanecer estável na próxima reunião do Copom, na semana que vem, de acordo com a precificação extraída dos contratos de juros futuros negociados na B3. E já há chance majoritária de uma elevação da taxa básica em dezembro.

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Além disso, embute um juro próximo de 15% no fim do próximo ano, sendo que a taxa básica hoje é de 13,75% após cinco cortes consecutivos promovidos pelo Banco Central desde março.

Entre o primeiro e o segundo turno, quando os investidores viam chance de Flávio vencer o pleito, os DIs chegaram a precificar uma sequência de cortes que levaria o juro básico para 12,50% ao fim do ano que vem.

“As apostas para o Copom estão bastante desorganizadas”, diz Alejandro Cuadrado, responsável pela estratégia global de câmbio e estrategista-chefe para América Latina do BBVA.

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O movimento de reversão das apostas em corte para alta de juros se deu sob o estresse violento de segunda-feira nos ativos locais. Os juros futuros chegaram a disparar mais de 300 pontos-base e a B3 teve que aumentar os limites máximos de oscilação permitida na sessão.

O mercado espera para ver o que Lula consegue entregar com as nomeações para a equipe de governo, incluindo ministros da Fazenda e da Casa Civil, e, também, com os planos econômicos.

Para Cuadrado, o BC deve permanecer com o ciclo de cortes em pausa e o próximo passo do mercado de juros doméstico deve ser reduzir as apostas em altas de juros, pelo menos as mais iminentes.

“Se nada vier, a pressão voltará a aumentar em pouco tempo, e as altas de juros voltarão a ser vistas como iminentes, em vez de apenas serem postergadas”, disse Cuadrado.

O mercado sinaliza que será muito difícil para o Banco Central cortar a Selic no curto prazo e que provavelmente será necessário elevar ainda mais os juros em breve para ancorar as expectativas de inflação, de acordo com David Austerweil, gestor de portfólio da VanEck.

“Com juros mais altos por mais tempo, o déficit fiscal e a atividade econômica serão prejudicados”, disse Austerweil. “A economia brasileira precisa urgentemente de juros mais baixos, mas, sem um esforço crível do novo governo Lula para reduzir o déficit fiscal, o Banco Central não conseguirá entregá-los.”

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