Bloomberg — A diretora-geral do FMI afirmou que o plano do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, de impulsionar o crescimento econômico para superar os crescentes problemas de dívida e déficit fiscal não surtirá efeito com a rapidez necessária.
“As autoridades dependem muito de um forte crescimento nos EUA”, afirmou a diretora-geral Kristalina Georgieva nesta quarta-feira (14). “O crescimento, é claro, ajuda, mas não pode proporcionar os ajustes necessários com a rapidez necessária.”
“Algumas medidas seriam necessárias”, acrescentou ela, falando em Bangkok durante as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.
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Bessent, que não está participando do encontro desta semana, afirmou nos últimos meses que os EUA serão capazes de alterar a trajetória de sua dívida e de seu déficit por meio de um forte crescimento econômico.
“O que importa é a relação dívida/PIB, e começaremos a inverter essa curva e a reduzi-la”, afirmou Bessent na semana passada. “Isso pode acontecer muito rapidamente.”
Ele acrescentou que um crescimento consistente do produto interno bruto acima de 3%, meta prevista para ser atingida no último trimestre do ano, ajudará a garantir esse objetivo.
Enquanto isso, a dívida dos EUA está caminhando para um patamar sem precedentes, uma das principais razões por trás do aumento nos custos dos empréstimos de longo prazo, o que tem despertado alarme em todo o mundo.
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O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) alertou, em fevereiro, que a relação dívida/PIB em 2030 ultrapassará o recorde de 106% estabelecido em 1946. A dívida pública total dos EUA ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez, com um aumento de um terço em menos de cinco anos.
Além disso, o déficit atingiu US$ 2 trilhões e está a caminho de ultrapassar 6% do produto interno bruto neste ano fiscal, informou o CBO.
O diretor do CBO, Phillip Swagel, projetou na semana passada que os EUA precisariam crescer pelo menos 5% ao ano para estabilizar os níveis da dívida federal, considerando uma taxa de juros de 4%. Com uma taxa de juros mais alta, de 5% — aproximadamente o nível atual —, os EUA precisariam de um crescimento do PIB de 6%, ajustado pela inflação.

Economistas consultados pela Bloomberg consideram que os EUA estão a caminho de uma taxa de crescimento de pouco mais de 2%, ajustada pela inflação, para este ano.
Paralelamente ao crescimento, Bessent também prometeu apresentar um pacote de consolidação fiscal para reduzir os gastos, afirmando desde agosto que está trabalhando com o diretor do Escritório de Gestão e Orçamento, Russ Vought, nesse plano. No entanto, ele não divulgou nenhum detalhe publicamente.
O Departamento do Tesouro não respondeu a um pedido de comentário enviado fora do horário comercial normal.
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Bessent não compareceu às reuniões do FMI nesta semana, nem a um encontro dos ministros das Finanças do Grupo dos 20 que ele deveria liderar. Os EUA também são o membro mais importante do FMI, pois detêm a maior participação nos votos.
A delegação dos EUA nesta semana está sendo liderada pelo secretário-adjunto Francis Brooke e por Erin Browne, subsecretária para assuntos internacionais. Bessent também não compareceu a uma reunião semelhante do G20 na África do Sul no ano passado.
Desequilíbrios globais
Sobre a questão mais ampla dos desequilíbrios globais, Georgieva afirmou na quarta-feira que o FMI vem “soando o alarme sobre o crescimento dos desequilíbrios globais excessivos”.
“Precisamos analisar quem são os maiores responsáveis por isso, e são principalmente a China e os EUA”, disse ela, acrescentando que a China precisa impulsionar o consumo interno, enquanto outras economias devem se concentrar em reduzir os níveis de dívida e déficit e gastar menos.
A diferença entre países com superávit, como a China e o Japão, e economias com déficit, como os EUA, voltou ao nível mais alto desde o período que antecedeu a crise financeira global de 2007-08 e está se aproximando de um pico de 150 anos — um nível que precedeu turbulências no passado.
“Para simplificar”, disse ela, “a China precisa gastar mais. Os EUA precisam poupar mais e a Europa precisa investir mais.”
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