Bloomberg — O diretor do Federal Reserve Christopher Waller afirmou que o aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de longo prazo está ajudando a conter a demanda em setores sensíveis às taxas de juros, como o imobiliário e o automotivo, o que contribui para o efeito de uma política monetária mais restritiva.
“Quando os rendimentos sobem, isso vai impactar setores sensíveis às taxas de juros, como o imobiliário, o automotivo e outros? Sim, é claro que sim”, afirmou Waller no Bloomberg New Economy Forum, realizado em Nova Délhi na terça-feira (13). Embora essa não seja a intenção do Fed, os rendimentos mais elevados estão “desempenhando parte desse papel”, disse ele.
Os rendimentos nos EUA e em outras economias avançadas subiram para níveis máximos em várias décadas, tornando as condições financeiras mais restritivas, em meio à inflação mais elevada provocada pela guerra entre os EUA e o Irã e às preocupações com déficits orçamentários.
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Os operadores reagiram reduzindo as expectativas de aumento das taxas, com o valor precificado nos swaps das oito principais economias caindo quase 200 pontos-base desde meados de setembro, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
Na semana passada, Waller sinalizou que provavelmente serão necessários novos aumentos nas taxas de juros para desacelerar a inflação, embora tenha acrescentado que as autoridades têm alguma flexibilidade quanto ao momento, ao considerarem um novo aumento.
O Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed (FOMC) votou por unanimidade no mês passado a favor do aumento de sua taxa de referência pela primeira vez desde 2023.
Inicialmente, investidores viam uma grande probabilidade de um novo aumento na reunião do Fed de 27 a 28 de outubro, antes de reduzir essas apostas depois que duas altas autoridades sinalizaram que os formuladores de políticas têm tempo para avaliar a economia antes de tomarem novas medidas.
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Economistas preveem que os dados de inflação a serem divulgados nesta quarta-feira (15) mostrarão que a taxa geral acelerou em setembro, impulsionada pelos custos da energia decorrentes do conflito entre os EUA e o Irã. Espera-se, no entanto, que os preços do núcleo tenham se moderado.
A inteligência artificial também está exercendo pressão de alta sobre os preços, à medida que a rápida expansão da infraestrutura de IA alimenta a demanda, afirmou Waller.
“Obviamente, se você estiver realizando investimentos de vários trilhões de dólares em IA e tiver que comprar todo esse material, e sua demanda for perfeitamente inelástica, você pagará qualquer preço”, disse Waller. “Você vai elevar o preço de todos os semicondutores de todos os tipos, e isso vai se refletir em qualquer outra pessoa que utilize esses produtos. E é isso que estamos começando a observar nos EUA.”
Waller está entre os muitos autoridades do Fed que têm esperança de que a IA possa, eventualmente, aumentar os ganhos de produtividade, possibilitando um crescimento mais forte sem gerar inflação excessiva no longo prazo.
Mas ele afirmou que esse retorno ainda pode demorar alguns anos — e, enquanto isso, as pressões sobre os preços impulsionadas pela IA podem durar dois ou três anos.
‘Existe uma ameaça’
Questionado sobre a ameaça ao seu cargo por parte do presidente Donald Trump — que tem atacado repetidamente o banco central americano por não ceder às suas exigências de taxas mais baixas —, Waller afirmou que confia no Congresso e nos tribunais dos EUA para preservar a autonomia do banco central.
“Existe uma ameaça à independência do Fed por parte do governo”, disse Waller, que foi nomeado por Trump durante o primeiro mandato do presidente. “Até o momento, isso não teve sucesso.”
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Em seu segundo mandato, Trump tem buscado destituir o ex-presidente Jerome Powell, que continua como membro do conselho, e a governadora Lisa Cook para abrir caminho para seus próprios indicados.
Sua campanha de pressão reacendeu o debate sobre quanta influência um presidente deve ter sobre a política monetária. A maioria dos economistas considera que os bancos centrais obtêm melhores resultados em relação à inflação quando lhes é permitido atuar sem interferências.
A campanha de pressão de Trump ainda não terminou. Este mês, a Casa Branca anunciou a formação de uma comissão para investigar alegações de fraude hipotecária contra Cook, que terá de se defender em uma audiência na Casa Branca marcada para 5 de novembro.
A Suprema Corte já bloqueou a tentativa inicial de Trump de destituir Cook com base nessas alegações, que, segundo ela, fazem parte de uma manobra fraudulenta para justificar legalmente sua destituição.
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