Drones no mar: o plano da Shell para retomar a produção de petróleo após furacões

Primeira do setor a obter permissão regulatória, gigante britânica busca reduzir o tempo de paralisação e blindar suas operações contra eventos climáticos extremos

Shell
Por Lucia Kassai
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Bloomberg — Quando furacões assolam o Golfo do México, as empresas petrolíferas podem perder milhões de dólares enquanto aguardam a autorização para retomar a produção. A Shell acredita que uma frota de drones pode ajudar a reduzir essa espera.

A gigante britânica do setor de energia obteve uma importante autorização dos Estados Unidos para se tornar a primeira produtora de petróleo a utilizar drones em plataformas offshore.

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Trata-se de uma iniciativa que a Shell espera que, no futuro, a ajude a retomar a produção mais rapidamente após grandes eventos climáticos, como o furacão Isaias, e que permita a companhia economizar dezenas de milhões de dólares nos próximos anos.

“Quando um furacão atinge a região e precisamos evacuar a plataforma, não produzimos nem uma gota de petróleo”, afirmou Kevin McMahon, vice-presidente de ativos de produção no Golfo da América. “Contar com drones baseados nas plataformas nos permite realizar inspeções mais rapidamente após a passagem da tempestade, o que nos coloca em vantagem”, disse em entrevista à Bloomberg News.


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A empresa, maior produtora do Golfo do México, informou que o investimento está “na casa dos milhares” de dólares, ao mesmo tempo em que poderia economizar quase US$ 50 milhões ao longo de três anos ao reabrir as torneiras de petróleo um dia após tempestades intensas.

O primeiro drone do projeto IRN-Maiden — exibindo um logotipo inspirado em sua homônima, a banda britânica de heavy metal — deve ser instalado antes do final do ano. O drone será colocado em uma das plataformas do projeto Mars, um empreendimento de petróleo e gás em águas profundas no Golfo, a cerca de 209 quilômetros ao sul de Nova Orleans.

A retomada das operações após um furacão é uma questão oportuna. O furacão Isaias, a primeira tempestade desse tipo no Atlântico neste ano, atingiu a costa do Golfo dos Estados Unidos na semana passada.

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Aproximadamente 63% da produção de petróleo bruto dos Estados Unidos no Golfo do México havia sido interrompida na manhã de sexta-feira, enquanto quase 500.000 barris por dia de capacidade de refino estão localizados na trajetória prevista da tempestade ou nas proximidades. Vários portos também ficaram fechados antes da chegada do furacão, interrompendo as entregas de petróleo bruto por via marítima.

IRN-Maiden

Os furacões, que têm se tornado mais destrutivos à medida que o aquecimento dos oceanos alimenta tempestades mais intensas, estão entre as maiores ameaças à produção de petróleo no Golfo do México.

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As plataformas podem permanecer fechadas por dias ou semanas após a passagem de uma tempestade, com as equipes impossibilitadas de retornar até que os inspetores determinem que as condições são seguras.

Ventos que ultrapassam 273 quilômetros por hora e ondas gigantes que se erguem sobre as instalações offshore podem tornar essas avaliações particularmente difíceis.

O reinício das operações de uma plataforma de petróleo é um processo meticuloso que envolve várias etapas, incluindo o uso de um helicóptero para avaliar se as condições são seguras antes de enviar pessoas de volta ao local.

Olhando através de binóculos de longo alcance, os inspetores utilizam câmeras para capturar fotos e vídeos e transmitir as imagens para o centro de recuperação pós-tempestade da Shell.

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Esse é um processo que pode levar um dia inteiro, incluindo a mobilização de inspetores, helicópteros e o tempo de espera. Às vezes, as equipes precisam aguardar até que o furacão passe antes de poderem transportar qualquer coisa da terra firme.

Ao utilizar drones, a empresa espera economizar tempo, lançando os aparelhos movidos a bateria diretamente das plataformas.

Os drones de 76 centímetros de largura podem sobrevoar e contornar a instalação offshore do tamanho de um campo de futebol americano usando lentes potentes que podem ampliar e reduzir a imagem sob comando para verificar vazamentos e equipamentos danificados, enquanto transmitem relatórios ao vivo para a costa por meio do Starlink, a banda larga via satélite da SpaceX.

Embora os drones sejam amplamente utilizados para inspecionar refinarias, dutos e fábricas de produtos químicos, seu uso em águas internacionais — onde as plataformas offshore geralmente estão localizadas — era limitado devido à falta de regulamentação específica por parte da Administração Federal de Aviação (FAA).

A Shell obteve uma isenção da FAA no início deste ano, um processo que levou dois anos. Os drones ficarão alojados em uma caixa à prova de furacões.

“Quando outros operadores conseguirem enviar seus helicópteros ou aeronaves de asa fixa para lá, provavelmente já teremos realizado levantamentos incrivelmente detalhados de quaisquer danos e já estaremos começando a planejar quais serão os próximos passos”, afirmou Ross Doak, engenheiro sênior de robótica que lidera o projeto.

As seguradoras de bens nos Estados Unidos têm utilizado drones de longo alcance para avaliar danos causados por tempestades desde o furacão Florence, em 2018. As concessionárias de energia elétrica os utilizam ainda há mais tempo para inspecionar parques eólicos e solares e identificar equipamentos com defeito.

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Pesquisadores da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos também têm realizado experimentos com aeronaves não tripuladas e veículos oceânicos para coletar dados com o objetivo de aprimorar as previsões de furacões, e a Noruega vem utilizando drones no Mar do Norte.

O diretor executivo da Shell, Wael Sawan, vem conduzindo uma missão de corte de custos desde que assumiu o comando em 2023, com o objetivo de reduzir os custos em US$ 5 bilhões a US$ 7 bilhões até o final de 2028.

A Shell planeja colocar em operação pelo menos mais cinco drones no Golfo do México em 2027 e avalia a possibilidade de expandir os projetos para outros ativos offshore em locais como o Mar do Norte e a África.

-- Com a colaboração de Mitchell Ferman e Lauren Rosenthal

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