Trump afirma que Rússia e Ucrânia concordaram com ‘cessar-fogo energético’

Presidente afirmou nas redes sociais que os países chegaram a um acordo, depois de fazer exigências ao presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy suspendesse os ataques às refinarias de petróleo russas

US President Donald Trump during a Rose Garden dinner at the White House in Washington, DC, US, on Thursday, Sept. 17, 2026. The US is expected to delay the announcement of new tariffs over allegations of trading partners’ excess manufacturing capacity at least until after next week’s planned summit between Presidents Xi Jinping and Donald Trump, according to people familiar with the matter. Photographer: Jim Lo Scalzo/EPA/Bloomberg
Por Kevin Whitelaw - Catherine Lucey
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Bloomberg — O presidente Donald Trump afirmou neste domingo (11) que a Rússia e a Ucrânia concordaram com um “cessar-fogo energético” com vigência imediata.

“Ambas as partes concordaram. Não quebrem esse acordo!”, escreveu ele nas redes sociais.

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No dia anterior, Trump havia exigido novamente que o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy suspendesse os ataques às refinarias de petróleo russas e sugeriu que ele deveria considerar a possibilidade de deixar o cargo de líder do país.

Ao mesmo tempo, Trump também vem enfrentando fortes críticas por um acordo que firmou com a Rússia sobre as exportações de diesel por parte de Moscou.


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O anúncio de Trump no domingo ocorreu logo após Zelenskyy, em entrevista a um programa da emissora ABC, ter pedido a Trump que exercesse mais pressão sobre a Rússia para pôr fim à guerra.

“A Rússia não sente pressão real, eles querem continuar”, disse Zelenskyy, acrescentando que havia transmitido a Trump e sua equipe que a Ucrânia está pronta para um cessar-fogo. “Estamos prontos para dar início a qualquer tipo de medida de redução da tensão.”

Isso inclui um “cessar-fogo energético” caso a Rússia concorde com medidas semelhantes, afirmou ele. “Não nos ataquem. Não matem nossas crianças”, disse Zelenskyy. “Nós vamos parar de atacar o seu diesel.”

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A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de mais detalhes sobre o cessar-fogo.

Zelenskyy e Trump entraram em conflito nos últimos dias após o anúncio de Trump de que estava trabalhando com o presidente russo, Vladimir Putin, para liberar parte do diesel nos mercados globais.

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A decisão — que exigiu uma isenção do Tesouro para suspender as sanções — gerou críticas bipartidárias nos Estados Unidos e foi criticada por Zelenskyy por dar à Rússia mais recursos para continuar a guerra.

Negociações

No sábado (10), Trump exigiu que Volodymyr Zelenskyy suspendesse os ataques às refinarias de petróleo russas e sugeriu que ele considerasse deixar o cargo de presidente da Ucrânia, intensificando uma disputa centrada na garantia de mais suprimentos de diesel para os EUA antes das eleições de meio de mandato.

“Acho que é hora de a Ucrânia ter um novo presidente”, disse Trump a repórteres na Casa Branca no sábado, ao lançar uma crítica furiosa a Zelenskyy, afirmando que a Ucrânia precisa de um líder “que possa fazer um acordo” com a Rússia.

“Há muitos alvos”, disse Trump. “Não ataquem refinarias.”

Trump afirmou na sexta-feira que estava trabalhando com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre a liberação do diesel, revogando anos de sanções enquanto a Casa Branca busca maneiras de conter a alta vertiginosa dos preços dos combustíveis antes das eleições de 3 de novembro. Zelenskyy rapidamente reclamou que a medida dará à Rússia mais recursos para continuar a guerra.

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O presidente dos EUA defendeu seu acordo com a Rússia no sábado, afirmando que Putin está “liberando muito petróleo para o mundo”, e acrescentou que isso está ocorrendo a um “preço muito baixo”. Ao retornar a Washington no final do sábado, ele disse aos repórteres que a Rússia deseja “chegar a um acordo” para o conflito e que é hora de Zelenskyy realizar eleições.

Na sexta-feira, os negociadores ucranianos partiram de Miami um dia antes do previsto, onde vinham conversando com enviados de Trump sobre formas de pôr fim à invasão em grande escala da Rússia ao seu vizinho. Horas depois, pelo menos 20 pessoas foram mortas quando a Rússia atacou edifícios residenciais na Ucrânia.

Trump anunciou uma série de remessas a partir deste mês que, segundo ele, totalizariam inicialmente cerca de 13,5 milhões de barris. Um comunicado do Kremlin citou Putin afirmando que a Rússia está pronta “para fornecer petróleo e derivados aos mercados dos EUA e globais”.

No sábado, a Rússia suspendeu parcialmente sua proibição às exportações de diesel, permitindo que 500 mil toneladas métricas de combustível chegassem aos mercados internacionais. O governo não informou quando as 500 mil toneladas seriam embarcadas nem se volumes adicionais de exportação poderiam ser autorizados.

Após o anúncio dos EUA, a Alemanha e o Reino Unido emitiram comunicados confirmando seu compromisso de manter sanções rigorosas contra a Rússia. O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, conversou com Zelenskyy no sábado e se reunirá com ele pessoalmente nos próximos dias, segundo um porta-voz de Downing Street, que reafirmou o apoio total de Londres à Ucrânia.

O diesel, combustível frequentemente apelidado de “burro de carga” da economia global, ganhou destaque quando uma enorme escassez de oferta elevou os preços nas bombas a níveis recordes e alimentou preocupações com a inflação impulsionada pelos preços da energia.

Criticas da oposição

Os democratas foram rápidos em condenar o acordo de Trump para facilitar a venda de suprimentos energéticos pela Rússia, argumentando que isso ajudaria a fornecer a Moscou os recursos tão necessários para seus esforços de guerra na Ucrânia.

O deputado republicano Brian Fitzpatrick, da Pensilvânia, afirmou que planeja apresentar um projeto de lei que bloquearia qualquer compra de petróleo russo. “Ele se chamará ‘Lei Ronald Reagan da Paz por meio da Força’”, escreveu ele em uma postagem no X.

A senadora Lisa Murkowski, republicana do Alasca, também criticou duramente a decisão de Trump, observando que o Congresso aprovou uma lei que autoriza o presidente dos EUA a impor tarifas sobre países que compram produtos petrolíferos russos, lei essa que ele assinou.

“Podemos discutir o retorno da Rússia aos mercados globais de energia assim que a guerra terminar, mas, enquanto isso, precisamos cortar tudo o que a alimenta”, escreveu ela nas redes sociais.

Trump afirmou durante sua campanha de reeleição que poderia pôr fim à guerra rapidamente e tem entrado em conflito repetidamente com Zelenskyy desde que retornou à Casa Branca em 2025.

Em fevereiro de 2025, Trump questionou a legitimidade de Zelenskyy como líder ucraniano, chamando-o de “ditador” que se recusava a realizar eleições na Ucrânia em tempo de guerra.

Na semana seguinte, os dois líderes discutiram cara a cara no Salão Oval durante uma briga pública extraordinária sobre suas perspectivas conflitantes em relação à guerra, incluindo os papéis de Putin e do ex-presidente dos EUA Joe Biden. Desde então, Trump tem oscilado entre apoiar e criticar Zelenskyy.

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