Bloomberg — O principal cacique do partido governista do Paraguai apoiou o impeachment do presidente Santiago Peña após a quebra, nesta semana, do Ueno, um grande banco comercial com vínculos com o governo.
Horacio Cartes, ex-presidente e líder partidário, publicou uma carta nas redes sociais nesta quinta-feira (5) em apoio à destituição de Peña, uma mudança sísmica no cenário político do país sul-americano que pode aprofundar ainda mais as divisões no Partido Colorado, que detém maioria no Congresso, mas está fragmentado em facções rivais.
“Não ficaremos ao lado do saque de recursos públicos e privados nem das economias dos aposentados”, disse Cartes ao anunciar apoio ao impeachment de Peña. “A bandeira colorada representa uma história de serviço à nação: honrá-la também significa agir com coragem quando a pátria assim exige.”
Os reguladores paraguaios fecharam o Ueno Bank na madrugada de terça-feira, após o índice de solvência da instituição despencar. Antes da decisão do banco central, Peña havia minimizado as preocupações com o banco, em cuja holding manteve investimentos até 2025.
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A quebra do sexto maior banco do Paraguai em depósitos provocou a renúncia do presidente do banco central do país, Carlos Carvallo, que havia presidido a empresa antecessora da instituição antes de Peña nomeá-lo para comandar a autoridade monetária.
Os parlamentares marcaram sessões consecutivas a partir das 10h desta quinta-feira para discutir se darão início a um processo de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana.
Durante a madrugada, a polícia paraguaia entrou em confronto com manifestantes na capital, Assunção, com o aumento das tensões e milhares de correntistas do Ueno sem acesso às próprias economias.
Imagens divulgadas pela imprensa local mostraram policiais com equipamento de choque dispersando manifestantes com gás lacrimogêneo e canhões de água.
“Eles atiraram diretamente em mim. Não estávamos causando confusão, soltando rojões nem os insultando. Estávamos protestando pacificamente”, disse uma jovem em cadeira de rodas à ABC TV.
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O Ueno havia acumulado mais de 2,9 milhões de clientes em um país de cerca de 6,1 milhões de habitantes, com 17 trilhões de guaranis (US$ 2,8 bilhões) em depósitos, incluindo cerca de US$ 355 milhões devidos ao Instituto de Previdência Social (IPS). Os parlamentares aprovaram na quarta-feira (4) uma lei que determina ao banco central acelerar os pagamentos do seguro de depósitos aos poupadores com recursos bloqueados no Ueno Bank. A S&P Global Ratings e a Fitch Ratings rebaixaram a nota de crédito da instituição para nível de default.
Ex-clientes do Ueno Bank lotaram agências de outras instituições financeiras e sobrecarregaram aplicativos bancários na corrida para abrir contas e receber o ressarcimento dos depósitos. Na quarta-feira, o banco central agiu para conter rumores disseminados nas redes sociais que incentivavam as pessoas a retirar dinheiro dos bancos.
“Em resposta a informações que circulam nas redes sociais sobre supostas intervenções no sistema financeiro, o Banco Central do Paraguai afirma que essas alegações são completamente falsas”, disse a instituição em comunicado. A autoridade monetária reiterou que o sistema financeiro apresenta níveis adequados de solvência e liquidez.
A associação bancária Asoban disse que os bancos associados trabalhavam para atender os ex-correntistas do Ueno. Instituições como Banco Familiar Saeca, Banco Itau Paraguay, Banco Atlas e Banco Sudameris Paraguay Saeca disseram nas redes sociais que os aplicativos bancários apresentavam interrupções intermitentes.
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As agências bancárias permanecerão lotadas nos próximos dias, quando o banco central reembolsar os antigos depositantes do Ueno, disse Alberto Acosta Garbarino, diretor do Asoban e chairman do Banco Familiar, à ABC TV. “Nestes dois dias, terça e quarta-feira, abrimos mais de 50 mil novas contas”, afirmou. “Há muito medo e qualquer boato que circule é como acender uma fogueira em um quarto fechado.”
O banco central afirmou na manhã de quinta-feira que está trabalhando para garantir que os funcionários do Banco Ueno recebam suas indenizações nos próximos dias, à medida que as operações da instituição forem encerradas. Enquanto isso, pequenas empresas também estão se mobilizando para minimizar o impacto sobre seus trabalhadores.
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Horacio Barchello começou a adiantar salários para muitos dos 25 funcionários de sua empresa de materiais de construção em Assunção que não conseguem acessar seus fundos no Banco Ueno. Barchello, que tem cerca de US$ 10.500 no Banco Ueno, disse que planeja fazer mais negócios com bancos estrangeiros no futuro.
“É muito improvável que algo assim aconteça” com instituições financeiras estrangeiras, disse ele. Barchello começou a retirar dinheiro do Banco Ueno em setembro, quando suspeitou dos incentivos extremamente generosos oferecidos para depósitos. “Eles construíram uma carteira de clientes aproveitando-se da ignorância do povo paraguaio.”
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