Bloomberg — O Brasil criou mais empregos do que o esperado em agosto, proporcionando ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um dado econômico otimista poucos dias antes de os eleitores irem às urnas.
O Brasil gerou 165.827 empregos formais no mês passado, um número superior a todas as estimativas de uma pesquisa da Bloomberg com analistas, na qual a previsão mediana apontava para 106.900 novos postos de trabalho em agosto.
Os setores de serviços e construção civil foram responsáveis pela maior parte das contratações, de acordo com dados do governo, medidos pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta terça-feira (29)
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O mercado de trabalho brasileiro tem se mantido bastante resiliente, mesmo com a economia perdendo fôlego, com baixos índices de desemprego e salários estáveis proporcionando a Lula um cenário relativamente favorável à medida que se aproxima o primeiro turno. Ainda assim, o panorama econômico geral é menos tranquilizador.
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O crescimento está perdendo impulso e a inflação acelerou mais do que o esperado no início de setembro, complicando os esforços do atual presidente para convencer os eleitores de que suas finanças estão melhorando, apesar das medidas governamentais destinadas a proteger as famílias das altas taxas de juros e do aumento dos preços do petróleo.
Esses sinais contraditórios também complicam o próximo passo do Banco Central. Os formuladores de política monetária, liderados por Gabriel Galípolo, reduziram a taxa Selic pela quinta reunião consecutiva em setembro, para 13,75%, mas ofereceram poucas orientações sobre o que virá a seguir, reiterando que o ritmo e a magnitude de qualquer flexibilização adicional dependerão dos dados que forem divulgados.
Agora, a própria eleição tem se tornado mais uma variável. Os brasileiros votam em 4 de outubro em uma disputa acirrada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, e os investidores estão atentos não apenas a quem vencerá, mas também à forma como os mercados — particularmente o real — reagirão.
Uma forte onda de vendas pós-eleitoral poderia reduzir a margem de manobra do Banco Central para continuar reduzindo a taxa de juros, enquanto uma reação favorável poderia deixar a porta aberta para novas flexibilizações.
-- Com a colaboração de Giovanna Serafim.
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