Bloomberg Opinion — Abelardo de la Espriella conquistou a vitória nas eleições colombianas. Agora começa a parte difícil.
O histriônico advogado de 47 anos, que se tornou populista conservador, será o próximo presidente da Colômbia após derrotar seu rival de esquerda, Iván Cepeda, por uma margem mais apertada do que o esperado — de um ponto percentual — no segundo turno realizado no domingo (21).
Embora Cepeda e seu aliado, o presidente Gustavo Petro, até o momento não tenham reconhecido a derrota, o resultado efetivamente encerra a primeira experiência do país andino com um governo de esquerda.
A vitória de De la Espriella marca a quinta vitória consecutiva de um candidato presidencial de direita na América Latina desde outubro, uma sequência que provavelmente se estenderá assim que a vantagem de Keiko Fujimori sobre o rival Roberto Sánchez — cerca de 40 mil votos, com 99,7% dos votos apurados — for confirmada no Peru.
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Brasil, México e Uruguai são agora os únicos bastiões da esquerda na região, e esse grupo pode encolher ainda mais se o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não conseguir garantir um quarto mandato recorde em outubro.
Os especialistas em América Latina estão divididos quanto à importância dessa sequência de vitórias da direita: elas representam uma mudança fundamental nos valores, ideias e crenças da região? Ou são apenas uma rejeição aos governos em exercício que, por acaso, eram de esquerda?
Sujeita a fortes oscilações ideológicas, a política da região é frequentemente descrita como um pêndulo permanente, oscilando conforme os ventos ideológicos mudam pelo hemisfério.
Ambas as visões têm seu mérito. As pesquisas mostram que o percentual de pessoas que se identificam com a direita é o mais alto em mais de duas décadas. Em toda a região, não há dúvida de que os eleitores estão rejeitando as ideias socialistas radicais que transformaram países como a Venezuela e a Bolívia em casos perdidos economicamente.
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Talvez o sinal mais claro da profundidade desse sentimento seja o anúncio de Cuba, um dos últimos regimes comunistas do mundo, de que adotará medidas de liberalização do mercado na tentativa de sair do buraco negro econômico que ela mesma cavou.
Justo ou não, a direita também é amplamente vista como mais bem preparada para combater o crime, que figura consistentemente entre as principais preocupações dos eleitores, conforme refletido no sucesso e na influência extraordinária de Nayib Bukele, de El Salvador.
Ao mesmo tempo, a paciência dos eleitores está se esgotando, e é improvável que a afinidade ideológica seja suficiente para manter os governos no poder.
É por isso que, depois de conquistar grande parte do continente, a direita agora precisa cumprir o que mais importa: segurança, acessibilidade e combate à corrupção.
Alimentar a polarização política pode ajudar a vencer eleições, mas não substitui resultados tangíveis, principalmente na economia.
Alguns líderes de direita já aprenderam essa lição da maneira mais difícil.
Veja o caso de Rodrigo Paz, o moderado que, de forma inesperada, pôs fim a duas décadas de governo socialista na Bolívia no ano passado. Após um início promissor, suas tentativas de liberalizar a economia por meio de reformas de livre mercado desencadearam protestos sociais violentos, levando a semanas de agitação que prejudicaram gravemente a atividade econômica.
No Chile, a popularidade do conservador José Antonio Kast caiu 13 pontos percentuais desde que assumiu o cargo em março, após uma crise política desencadeada por um aumento acentuado nos preços dos combustíveis.
Na Argentina, o libertário Javier Milei enfrenta um dos seus índices de aprovação mais baixos, apesar de ter conquistado uma vitória crucial nas eleições de meio de mandato de outubro.
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Com esses precedentes em mente, De la Espriella deve agir com cautela. Assim como Petro descobriu que reformular as instituições da Colômbia era mais fácil na teoria do que na prática, o mesmo acontecerá com De la Espriella.
O rico empresário apoiado por Donald Trump, conhecido como “El Tigre”, logo descobrirá que as encenações rebeldes nas redes sociais não substituem o ato de governar. O país enfrenta desafios assustadores, desde o agravamento da violência relacionada às drogas até restrições orçamentárias que se agravam rapidamente.
E embora nunca ter ocupado um cargo público possa ser um argumento eleitoral convincente, isso pode rapidamente se tornar um obstáculo ao negociar com um Congresso fragmentado, onde De la Espriella tem representação limitada e a esquerda continua forte.
A capacidade dos governos de direita da região de conquistar apoio público duradouro e, ao mesmo tempo, melhorar os padrões de vida também determinará se sua aliança com Washington perdurará.
A pomposa iniciativa da Casa Branca chamada “Escudo das Américas” — uma aliança liderada pelos Estados Unidos com países do Hemisfério Ocidental que visa combater os cartéis de drogas, o crime organizado e a imigração ilegal — não é suficiente para consolidar suas parcerias na região. Os eleitores latino-americanos terão a palavra final, e poucos eleitorados são tão inconstantes politicamente.
A direita fez história nas urnas. A menos que ela proporcione ruas mais seguras, economias mais fortes e um governo mais limpo, porém, essa guinada para a direita se revelará pouco mais do que mais uma oscilação do pêndulo ideológico da América Latina.
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