Opinión - Bloomberg

Esta ameaça à economia foi diretamente causada pela pandemia

De todas as mudanças geradas no ambiente de trabalho em meio à pandemia de covid-19, a própria doença é a que ameaça a produtividade

Mas nem todos têm acesso a folgas remuneradas por doença
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Opinion — Esqueça a revolução do home office ou fazer o mínimo no trabalho: o maior impacto da pandemia de covid-19 no mercado de trabalho dos Estados Unidos será um evento de incapacidade em massa. É um choque que a economia não está bem preparada para enfrentar.

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Estima-se que um em cada quatro pacientes de covid experimentam sintomas que duram meses. Em princípio, nem todos deveriam ter que deixar a força de trabalho. Primeiro, eles deveriam poder avisar que não vão trabalhar. Se os sintomas de incapacidade persistirem além de uma semana ou duas, eles deveriam ter a opção de pedir redução de horas ou solicitar licença de curto prazo. Somente em casos graves, que duram vários meses ou mais, eles deveriam ter que fazer a transição para um seguro por invalidez.

Infelizmente, não é assim que as coisas funcionam na prática. Quase um quarto dos trabalhadores do setor privado norte-americano não consegue tirar um dia de folga remunerado por doença.

Mais da metade não tem acesso ao seguro por invalidez, e aqueles que têm precisam batalhar para que os pedidos de indenização por covid longa sejam aprovados. Os trabalhadores afetados podem até solicitar acomodações no local de trabalho, como horários de meio período, mas os empregadores têm ampla margem de manobra para negar essas solicitações, alegando serem irrazoáveis.

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O emprego não é garantido. Com o poder dos empregadores, os funcionários podem ser demitidos por faltar, mesmo que por doença. Embora a lei federal americana garanta até 12 semanas de proteção no emprego para pessoas que estão doentes ou cuidando de um recém-nascido ou membro da família gravemente doente, ela cobre apenas aqueles que estão na folha de pagamento há 12 meses – o que, em 2018, se aplicava a apenas 56% dos trabalhadores.

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Tudo isso representa um potencial grande impacto na capacidade produtiva do país. Estimativas baseadas em dados do censo sugerem que a covid longa está afastando do trabalho o equivalente a 4 milhões de adultos – aproximadamente o número de veteranos de guerra deficientes nos EUA. Não há indicação de que o número de trabalhadores afetados esteja diminuindo à medida que as pessoas se recuperam: a proporção de funcionários oficialmente doentes ou trabalhando em meio período devido a doenças, por exemplo, continua aumentando.

E tem mais covid vindo por aí, seja ela “curta” ou “longa”. Os Centros de Controle de Doenças dos EUA estimam 300 mil novos casos por semana, e as hospitalizações estão novamente aumentando. As pessoas continuarão ficando doentes por motivos fora de seu controle.

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Além disso, dadas as políticas que faltam nos EUA – incluindo acesso universal a folgas remuneradas por doença, incapacidade de curto prazo, proteção do emprego e acomodação em tempo parcial – muitos perderão dinheiro e empregos, ou acabarão ficando completamente fora da força de trabalho. Dados os desafios que a economia já enfrenta, essa é uma perda que o país não pode se dar ao luxo de ter.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

Kathryn Anne Edwards é economista na Rand Corp. e professora na Pardee Rand Graduate School.

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