A aposta em criptoativos próprios

Também no Breakfast: Clima de incerteza volta aos mercados, ascensão e queda dos bilionários da covid e a nova jogada de Messi é no capitalismo de risco

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Bloomberg Línea — Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia e ótima leitura!

A criação de criptoativos próprios vem ganhando corpo entre empresas da América Latina, especialmente no Brasil. O último a embarcar nessa tendência foi o Nubank, que lançará sua moeda digital própria, a Nucoin, na primeira metade de 2023.

O objetivo do Nubank, fintech com 70 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia e que tem investimentos de Warren Buffett, um notório crítico das criptomoedas, é oferecer aos clientes brasileiros benefícios como descontos e vantagens à medida que acumulam Nucoins. A empresa vai convidar cerca de 2 mil clientes para participarem do teste do Nucoin ao longo de outubro e novembro.

“É um caminho sem volta. Daqui para a frente a gente vai ver outras empresas tanto do segmento financeiro quanto de pagamento e marketplaces já estão analisando essa possibilidade [de ter uma criptomoeda própria]”, disse Henrique Teixeira, Global Head of Business Development da argentina Ripio, provedora da infraestrutura do token do Mercado Livre, em entrevista à Bloomberg Línea.

🌎 A iniciativa segue os passos de outras grandes empresas da América Latina. Em agosto, o gigante do e-commerce latino-americano Mercado Livre lançou a Mercado Coin também como parte de um programa de benefícios para fidelizar clientes.

Em julho, o Itaú Unibanco lançou seu primeiro token de crédito, um projeto-piloto interno com clientes de private banking. O banco brasileiro criou sua própria “tokenizadora”, unidade de negócio do banco responsável pelo processo de transformação de ativos em representações digitais que trafegam com a tecnologia blockchain.

Nesta semana, a Mastercard anunciou uma ferramenta para permitir a negociação de criptomoedas por bancos usando a infraestrutura da Paxos, que também faz a gestão das criptomoedas oferecidas pelo Mercado Livre.

⇒ Leia a matéria sobre a investida do Nubank

No radar dos Mercados

O clima de incerteza volta aos mercados. Os investidores ponderam o cenário de juros em alta, inflação persistente e risco de recessão. Isso somado à instabilidade no Reino Unido e alguns balanços trimestrais decepcionantes. Um novo conjunto de indicadores de atividade, discursos de integrantes do Federal Reserve (Fed) e resultados corporativos continuarão como catalisadores das operações de hoje.

🥃 Copo meio vazio. Enquanto esperam hoje por balanços de 22 empresas listadas no S&P 500 e de outras 25 que compõem o Stoxx 600, os investidores avaliam os números piores do que o esperado que foram divulgados ontem, após o fechamento dos mercados. A Alcoa contrariou a previsão de um lucro modesto e entregou um prejuízo de US$ 60 milhões no terceiro trimestre, motivado pelos altos custos de energia e queda de 20% nos preços do metal neste ano. Ao mesmo tempo, a Tesla vendeu menos do que o previsto no período como consequência de gargalos logísticos. A empresa nega que haja problemas com a demanda e Elon Musk promete um final de ano “épico”.

🛡️ Emergentes em baixa. O Goldman Sachs avalia que ações de mercados emergentes poderiam recuar ainda mais no curto prazo e sugere que os investidores optem por mercados defensivos até que o cenário global melhore. A perspectiva de lucros mais baixos para papéis desta categoria abrange América Latina, Sul e Sudeste da Ásia, Oriente Médio e Norte da África.

💬 Vozes do Fed. O presidente do Fed de Chicago, Charles Evans voltou a defender o repique dos juros nos EUA, mas disse se preocupar com o efeito sobre a economia caso a trajetória de alta tenha que ser muito mais prolongada para controlar a inflação. James Bullard, presidente do Fed Saint Louis, por sua vez, descartou preocupações com as tensões financeiras na economia e disse que o Fed não deve reagir às quedas no mercado de ações, que se retraiu mais de 20% este ano nos EUA. Hoje a atenção se dirige aos pronunciamentos de Michelle Bowman, Lisa Cook e Philip Jefferson, todos do Fed.

👺 Japão se protege. Na Ásia, os sinais de volatilidade voltaram a preocupar. O rendimento dos títulos de dívida do Japão com vencimento em 10 anos ultrapassou o limite superior de 0,25% da meta do banco central, o que levou o Bank of Japan (BoJ) a anunciar uma compra não programada de títulos para controlar o mercado. Os investidores estão em alerta para uma possível intervenção também no câmbio, uma vez que o iene atingiu um patamar que não era visto desde 1990, perto da marca de 150 em relação ao dólar.

→ A análise completa você lê no Radar dos Mercados

🟢 As bolsas ontem (19): Dow Jones Industrials (-0,33%), S&P 500 (-0,67%), Nasdaq Composite (-0,85%), Stoxx 600 (-0,53%), Ibovespa (+0,46%)

As bolsas norte-americanas caíram após dois dias de ganhos impulsionados por balanços corporativos. A dúvida sobre um prolongamento do aperto monetário por parte do Fed aumenta a probabilidade de uma recessão e continua preocupando os investidores. Segundo o dirigente do Fed, Neel Kashkari, se os níveis de inflação se mantiverem baixos, isso os “posicionaria em algum momento do próximo ano para uma possível pausa” nas taxas.

→ Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados e se inscreva no After Hours, a newsletter vespertina da Bloomberg Línea com o resumo do fechamento dos mercados.

Agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EUA: Vendas de Casas Existentes, Pedidos de Seguro Desemprego, Índice de Indicadores Antecedentes-Conference Board, Índice de Atividade Industrial-Fed Filadélfia/Out, Balanço Orçamentário

• Europa: Zona do Euro (Transações Correntes/Ago, Cúpula de Líderes da UE); Reino Unido (Confiança do Consumidor GFK/Out); Alemanha (IPP/Set); França (Pesquisa em Empresas/Out); Portugal (Transações Correntes/Ago)

• Ásia: Hong Kong (Taxa de Desemprego/Set); Japão (Índice de Preços ao Consumidor/Set)

• América Latina: Brasil (Reunião do CMN); Argentina (Balanço Orçamentário/Set, Balança Comercial/Set, Atividade Econômica/Ago)

• Bancos centrais: Discursam Michelle Bowman, Lisa Cook e Philip Jefferson (Fed)

• Balanços: Volvo, L’Oreal, Hermes, Phillip Morris, AT&T, Blackstone, Danone

📌 Para amanhã:

• Reino Unido (Vendas no Varejo/Set). Discurso de John Willians (Fed)

• Balanços (Amex, Verizon, Renault, Biotech)

Destaques da Bloomberg Línea:

• Lula perde terreno em 4 de 5 regiões do país e acende alerta em campanha

• Bolsa brasileira é destaque em ‘ano brutal’ para ações globais

• Por que o BTG decidiu apostar em cobrança de atrasos de condomínios?

→ E mais na versão e-mail do Breakfast:

• Também é importante: Ascensão e queda dos bilionários da covid: por que suas fortunas evaporaram? | Doria anuncia desfiliação do PSDB e abre consultoria de negócios | Datafolha: Bolsonaro reduz diferença para Lula a quatro pontos

• Opinião Bloomberg: Quanto tempo mais os consumidores aguentarão sustentar seus gastos?

• Pra não ficar de fora: Messi capitalista de risco? Craque abre fundo no Vale do Silício antes da Copa

⇒ Essa foi uma amostra do Breakfast, que na versão completa inclui muitas outras notícias de destaque do Brasil e do mundo.

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Edição: Michelly Teixeira, News Editor | Europe