Bloomberg Línea — Bom dia! Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças.
A temporada de balanços começou nesta semana nos Estados Unidos e um item tem recebido do mercado atenção especial: a pressão dos custos. O aumento está presente na realidade das empresas e deve reduzir os ganhos das companhias.
A Delta Airlines foi a primeira grande companhia aérea americana a divulgar os resultados do segundo trimestre e trouxe números aquém das expectativas de lucro para o período. A companhia informou que os altos custos operacionais persistirão pelo resto do ano, o que coloca em xeque uma esperada recuperação na medida em que as companhias aéreas tentam capitalizar a forte demanda por viagens.
O resultado é um alerta parcial para investidores nas três principais companhias do mercado doméstico brasileiro, Gol (GOLL4), Azul (AZUL4) e Latam (LTM). Fatores como o aumento de custos estão presentes na realidade das empresas, embora as restrições para a oferta de voos e assentos estejam por ora afetando a Europa e os Estados Unidos em particular.
A recessão tem assustado os investidores e levado a reduções nas estimativas dos balanços até pelos mais otimistas. Os analistas, que na grande maioria se agarraram a suas recomendações de compra e previsões otimistas de lucro enquanto os mercados desabavam, dão sinais de esmorecer. Eles fizeram mais de 500 rebaixamentos nos preços-alvo e estimativas de lucros das ações do S&P 500 nas últimas cinco sessões, segundo dados compilados pela Sundial Capital Research e pela Bloomberg.
Um ritmo tão frenético de rebaixamento é raro. Isso só aconteceu quatro outras vezes desde o início da compilação destes dados, após a crise financeira mundial.
➡ Leia mais em Alerta nos céus: alta de custos da Delta limita ganhos com demanda aquecida

Na trilha dos Mercados
Surpresa (para a maioria) com a inflação dos Estados Unidos, revisão do cenário. O disparo dos preços ao consumidor na maior economia do mundo, de 9,1% em junho, quando os economistas esperavam 8,8%, já induz alguns especialistas a aguardarem uma alta de 1 ponto percentual dos juros pelo Federal Reserve (Fed), que definirá o custo do dinheiro no final do mês.
👥 Inflação com dupla face. A elevada inflação não dá sinais de se arrefecer e tem ganhado novos contornos. Antes predominantemente de oferta, instigada por um aumento dos custos de produção, com o passar do tempo a inflação permeia a cadeia produtiva e se arraiga cada vez mais do lado da demanda, quando a procura por produtos e serviços excede a quantidade ofertada pelo mercado.
🥊 Custe o que custar. Mas os bancos centrais estão determinados a deter essa teimosa inflação - ainda que isso neutralize o crescimento econômico. Ontem, numa investida surpreendente, o Banco do Canadá aplicou um aumento de 1 ponto em suas taxas. No mesmo dia, os bancos centrais da Nova Zelândia e da Coreia do Sul optaram por aumentos de 0,50 ponto cada um. O dirigente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, avisou que está preparado para elevar o custo do dinheiro em proporções maiores.
💶✖️💵 Juros, Euro e Dólar. O Banco Central Europeu (BCE) ainda não acompanha seus pares na combatividade à inflação. Só iniciará seu ciclo de alta dos juros na semana que vem e, até agora, sua inclinação é para um aumento de 0,25 ponto. Este descompasso entre as subidas de juros entre o Fed e o BCE tente a fortalecer ainda mais o dólar frente ao euro. As duas moedas estão tocando a paridade. Ontem, pelo segundo dia seguido, a ruptura a favor do dólar se manifestou durante momentos do dia.
🔛 Também sacodem os mercados. A inversão da curva dos títulos do Tesouro de 10 e 2 anos chegou aos níveis do ano 2000. Este é um dos principais indicadores do risco potencial de recessão. E a temporada de balanços esquenta com os bancos de investimento, que deverão ser atingidos em cheio pelo cenário econômico conturbado.

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (-0,67%), S&P 500 (-0,45%), Nasdaq Composite (-0,15%), Stoxx 600 (-1,01%), Ibovespa (-0,40%)
As bolsas dos EUA completaram três sessões consecutivas em baixa após os dados da inflação reforçarem os temores de que o Fed ainda precisa de uma política monetária agressiva para controlar a alta do custo de vida. O dia foi volátil e os principais índices chegaram a subir em alguns momentos durante a sessão. A inflação mais elevada de todos os tempos levou os investidores a cogitarem um incremento de 100 pontos base dos juros na reunião do Fed este mês.
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No radar
Esta é a agenda prevista para hoje:
• EUA: PPI, Pedidos de Seguro-Desemprego, Estoque de Gás Natural
• Europa: Zona do Euro (Comissão Europeia divulga suas Projeções Econômicas); Alemanha (Índice de Preços por Atacado/Jun, Saldo das Transações Correntes sem Ajuste Sazonal/Mai); Reino Unido (Pesquisa de Condições de Crédito do BoE)
• Ásia: Japão (Utilização da Capacidade Instalada/Mai); China (Investimento Estrangeiro Direto, Preços de Imóveis/Jun, PIB/2T22, Producción Industrial/Jun, Vendas no Varejo/Jun)
• América Latina: Brasil (IBC-Br/Mar); Argentina (IPC/Jun)
• Bancos centrais: Pronunciamentos de Christopher Waller (Fed) e Sabine Mauderer (Bundesbank)
• Balanços do dia: JPMorgan, Morgan Stanley, Taiwan Semiconductor, Grupo Televisa, Camil
📌 Para amanhã:
• PIB da China. Ministros das Finanças do G-20 e banqueiros centrais se reúnem em Bali, a partir de sexta-feira. Pronunciamento de Raphael Bostic (Fed de Atlanta). Balanços: Citigroup, Wells Fargo, BlackRock
Destaques da Bloomberg Línea
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