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A vez dos investimentos no metaverso

Opção para investidor cresce no ambiente virtual, indo de produtos financeiros, imobiliários, do segmento de games até obras de arte

Jogos como o Axie Infinity, que tem quase 3 milhões de usuários, puxam investimentos no metaverso
Tempo de leitura: 4 minutos

Por Roseli Lopes para Mercado Bitcoin

São Paulo - Sustentado pelas moedas digitais, pela blockchain e cada vez mais pelos NFTs, sigla em inglês para tokens não fungíveis, o metaverso abriga, hoje, uma rede de ativos digitais financeiros e não financeiros voltados a investimentos. São produtos dos segmentos de finanças, imobiliário, de games, de obras de arte, musical e outras tantas oportunidades que não param de surgir. Sejam para pessoas físicas ou empresas.

Um dos atrativos de se investir usando esse universo virtual é que, por ele ser um ambiente descentralizado, a operação não depende de nenhuma intermediação de instituições financeiras. Ou seja, é rápida, sem burocracia. E, graças à tecnologia da blockchain, a transação é registrada em uma espécie de banco de dados, onde todas as informações são compartilhadas e checadas pelos participantes da rede.

Independentemente da escolha quanto ao produto, toda operação é feita exclusivamente com criptomoedas, um dos setores que mais crescem nesse ecossistema. As moedas cripto têm sido puxadas especialmente pelos games, em particular os jogos play-to-earn, onde o participante é remunerado para jogar. O jogo sob esse conceito mais conhecido do metaverso e que tem registrado o maior crescimento é o Axie Infinity. São quase três milhões de usuários.

“Entre as possibilidades de investimento que enxergamos dentro do metaverso estão as próprias criptomoedas dos jogos e um bom exemplo é o Axy Infinity, que ganhou bastante notoriedade entre os gamers, puxado pelas moedas digitais”, diz Cláudio Olímpio, CEO da Dax, startup com foco no desenvolvimento de soluções e produtos voltados à blockchain.

Para este ano, a desenvolvedora do Axy Infinity, a Sky Mavis, anunciou que criará mais alternativas de ganho com o jogo no metaverso, como a venda de terrenos dentro do game, permitindo que compradores criem ali seus próprios empreendimentos. E gerem renda com isso.

MANA

Olímpio cita ainda a criptomoeda MANA, a moeda da plataforma Decentraland, um dos ativos mais populares do metaverso, cuja valorização, em 2021, chegou a 3.847%, nos dados da Coingecko. Está justamente na MANA outra possibilidade de ganho financeiro. Com ela se investe na compra de terrenos dentro da plataforma.

Embora a aquisição dessas áreas ainda predomine entre empresas, há a possibilidade de o investidor individual ter um bem imóvel para futura venda ou locação. Mas a MANA também pode ser usada para bens e serviços virtuais. A compra da criptomoeda deve ser feita em exchanges confiáveis.

Os NFTs, a versão digital de produtos e bens reais, outra forma de se investir, lembra Olímpio, se transformaram na vedete do metaverso, levando para dentro desse ambiente as maiores e mais variadas opções de investimento. A tokenização de ativos reais, vendidos como itens únicos e imutáveis, alcançaram quase tudo que se possa imaginar, gerando ganhos. Com eles, compram-se obras de arte, imóveis digitais, itens colecionáveis e muita coisa mais. Os tokens garantem a autenticidade dos itens no ambiente digital.

“Itens colecionáveis são uma forma de investimento, tanto aqueles desenhados exclusivamente para os jogos, com várias marcas fazendo isso, como aqueles de artistas, que produzem e vendem uma simples camiseta”, diz o executivo da Dax.

NFT, fator-chave para o metaverso

Segundo relatório da consultoria canadense Emergen Research, a crescente popularidade dos tokens virtuais, somada ao aumento da procura por produtos baseados em realidades virtuais e à demanda por soluções de jogos online, se tornou fator-chave para levar o metaverso a uma receita de US$ 1,607 trilhão, em 2030.

“Com o surgimento dos NFTs, em 2020, de terrenos, carros, marcas, roupas, cartas, jogos de tabuleiro e tantas outras coisas, houve uma grande procura por esse tipo de mercado, impulsionando plataformas e utilizações até então não tradicionais, mas foi apenas em 2021 que o mercado conseguiu ter uma maturidade relevante e começou a ser utilizado por ecossistemas de games, como o da Axie, diz Humberto Andrade, analista de trading do Mercado Bitcoin.

Com um número crescente de empresas e setores da economia focados na construção do metaverso, surgiram também os fundos de investimento de olho nessas empresas, a maioria do segmento de tecnologia. Unity, Nvidia, Meta, Roblox são algumas que estão no portfólio desses fundos.

Entre os que investem no segmento estão os ETFs, que são fundos negociados em bolsa. Nas finanças tradicionais é possível comprar ETFs de ações, renda fixa ou mesmo ouro. No Brasil, só existem ETFs brasileiros dos principais criptoativos.

“Há diversas formas de estar dentro do metaverso. Hoje, tudo que acontece no mundo físico pode ser transferido para esse ambiente virtual. No caso de produtos imobiliários, por exemplo, o ganho com um terreno vai além da venda futura ou locação. É possível construir uma loja, que vai precisar de funcionários. E de compradores. Muitos metaversos já estão gerando emprego e renda”, diz Andrade. Tudo é investimento, diz

Andrade lembra que o metaverso também vai precisar de pessoas para dar palestras em determinado momento, outra forma de ganhar dinheiro. “O certo mesmo é que todas essas experiências imersivas que incluem esses produtos têm contribuído para elevar o volume de investimentos em criptomoedas”, diz.

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