Brasil

Petrobras deve pedir aprovação do governo para reajuste de preços, diz Reuters

Conforme a agência, citando fontes, o governo também considera restabelecer subsídios aos combustíveis como em 2018

Bolsonaro afirmou que haverá hoje (7) uma reunião entre a Petrobras e os ministérios da Economia e de Minas e Energia para debater a questão
07 de Março, 2022 | 12:12 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — Com a disparada dos preços do petróleo, e o Brent acima de US$ 120 o barril, aumenta também a pressão sobre os preços dos combustíveis.

Conforme a agência Reuters, citando fontes não identificadas, a Petrobras deve solicitar aprovação do governo nesta semana para elevar os preços dos combustíveis nas refinarias. Espera-se um pequeno aumento do preço do combustível nas refinarias, abaixo dos preços internacionais, disseram duas fontes à agência.

O Governo disse à Petrobras que está considerando restabelecer temporariamente os subsídios aos combustíveis, usados em 2018 pelo então presidente Michel Temer, para absorver a volatilidade internacional, disse uma terceira pessoa à Reuters, ponderando que a proposta não tem apoio até agora do Ministério da Economia devido a restrições orçamentárias e de gastos. A Petrobras não respondeu aos pedidos de comentários da Reuters.

Na manhã desta segunda-feira (7), o presidente Jair Bolsonaro disse que busca alternativas para evitar que a alta do petróleo internacional seja repassada aos consumidores por aqui, e criticou a política de paridade dos preços adotada pela petroleira estatal.

PUBLICIDADE

Bolsonaro afirmou que haverá hoje (7) uma reunião entre a Petrobras e os ministérios da Economia e de Minas e Energia para debater a questão, mas sem mais detalhes sobre soluções a serem debatidas.

Semana delicada na Petrobras

As ações da Petrobras recuavam perto do meio-dia de hoje (7). O papel preferencial (PETR4) caía 1,55%, para R$ 33,7, enquanto o ordinário (PETR3) recuava 2,76%, a R$ 35,95.

Além das questões globais de preocupação com os preços do petróleo por conta da guerra entre Rússia e Ucrânia, os investidores da Petrobras também avaliam a governança da estatal.

Rodolfo Landim, ex-presidente-executivo da distribuidora de combustíveis BR Distribuidora, foi nomeado pelo governo brasileiro para presidir o conselho de administração da Petrobras.

PUBLICIDADE

A gigante petrolífera estatal elegerá um novo conselho de administração na assembleia geral anual em 13 de abril. De acordo com um comunicado na noite de sábado, o Ministério de Minas e Energia enviou outras sete indicações para o conselho de administração e quatro indicações para o conselho fiscal da empresa.

Landim, que é presidente do Clube de Regatas do Flamengo, pretende conciliar o cargo de dirigente esportivo com o de presidente do conselho de administração da Petrobras. Ao longo de sua vida profissional e antes de povoar as páginas da imprensa esportiva à frente do clube de futebol mais popular do país, o executivo e engenheiro carioca de 64 anos testemunhou de perto capítulos marcantes da indústria de petróleo e gás no Brasil, como a construção do império do empresário Eike Batista a partir de 2008, durante o segundo governo do ex-presidente Lula (2007-2010)

Veja mais: Novo chairman da Petrobras: de ex-braço direito de Eike ao Flamengo

Petróleo é preocupação global

Os traders vêm apostando que o petróleo poderia subir ainda mais depois de atingir o nível mais alto desde 2008; alguns até afirmam que os futuros ultrapassarão US$ 200 antes do final de março.

Os preços das opções de compra subiram nesta segunda-feira (7), quando o mercado avaliou a possibilidade de um corte no abastecimento da Rússia, um dos maiores exportadores do mundo. Mais de 1,2 mil contratos para a opção de comprar futuros de Brent para maio a US$ 200 o barril foram negociados nesta segunda, segundo dados da ICE Futures Europe.

O JPMorgan Chase (JPM) disse na semana passada que o petróleo Brent poderia terminar o ano a US$ 185 o barril se o abastecimento russo continuar interrompido, ao passo que o Australia & New Zealand Banking Group estimou que cerca de 5 milhões de barris por dia seriam afetados por novas sanções.

PUBLICIDADE

A Rússia é o terceiro maior produtor de petróleo do mundo, atrás dos Estados Unidos e da Arábia Saudita.

Leia também

AO VIVO: Confira as últimas notícias da guerra na Ucrânia

EUA podem banir petróleo russo mesmo sem adesão de aliados

Morgan Stanley e Citi veem tempestade à frente para mercado de ações

Kariny Leal

Kariny Leal

Jornalista carioca, formada pela UFRJ, especializada em cobertura econômica e em tempo real, com passagens pela Bloomberg News e Forbes Brasil. Kariny cobre o mercado financeiro e a economia brasileira para a Bloomberg Línea.

PUBLICIDADE