PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Finanças pessoais

Como proteger os investimentos em meio à crise na Ucrânia?

Invasão russa na Ucrânia fez bolsas derreterem ao redor do mundo, elevou a cotação do dólar ante o real e ampliou incertezas de investidores

Mercados derretem após Rússia invadir a Ucrânia
24 de Fevereiro, 2022 | 03:20 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — A temperatura aumentou nos mercados após o presidente russo Vladimir Putin declarar guerra à Ucrânia, invadindo o país, o que contribuiu para uma forte queda das bolsas ao redor do mundo, valorização do dólar e das commodities.

PUBLICIDADE

Para Mark Haefele, Michael Bolliger e Vincent Heaney, estrategistas do banco suíço UBS, o aumento da volatilidade diante da escalada do conflito mostra que os mercados não tinham colocado totalmente no preço dos ativos a probabilidade de um aumento nas tensões.

Com isso, o time diz esperar uma forte volatilidade contínua no curto prazo, à medida que os líderes calibram e anunciam suas respostas ao movimento.

PUBLICIDADE

Neste cenário, como investir e proteger seu portfólio?

Para especialistas consultados pela Bloomberg Línea, o momento é de aumentar proteções na carteira, seja por meio de ativos de renda fixa, posições dolarizadas ou ativos reais, como o ouro.

Há, ainda, setores considerados mais defensivos na Bolsa que, por mais que não configurem uma proteção do patrimônio, podem compor uma posição estratégica da carteira.

Segundo o UBS, o fundamental é manter um portfólio diversificado entre regiões, setores e classes de ativos, de forma a reduzir a exposição a riscos idiossincráticos relacionados à crise na Ucrânia ou a outros potenciais riscos políticos emergentes em todo o mundo.

Inflação e CDI

  • Na renda fixa, ativos indexados à inflação podem ser boas proteções na carteira, tanto ao cenário de maior volatilidade quanto de alta dos preços, afirma Nicolas Fortes, sócio do escritório de assessores de investimento Ável Investimentos.
  • Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) curtos de bancos médios, com rating AAA, com prazos entre um e dois anos, podem ser boas opções, segundo ele, que pagam o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 6% ou 7%.
  • Os títulos públicos Tesouro IPCA+ (antigas NTN-Bs) com prazo até 2035, bem como o título Tesouro Selic, que acompanha a variação da taxa básica de juros, também podem ser boas opções.
  • Na caixinha de renda fixa, Ricardo Veles, gestor na Portogallo Investimentos, diz gostar de debêntures, LCIs e LCAs (Letras de Crédito Imobiliárias e do Agronegócio) pós-fixadas (que acompanham a Selic) ou indexadas à inflação, que paguem o IPCA mais um cupom de 6%.
    • A preferência é por prazos mais curtos, de até um ano e meio, dado o ambiente de maior volatilidade, com as eleições brasileiras também no radar.

Veja mais: Percepção do risco eleitoral no Brasil diminuiu, dizem gestores

PUBLICIDADE

Dólar e ouro

Posições dolarizadas também contribuem para uma maior proteção dos investimentos, destaca Jennie Li, estrategista da XP Investimentos, em relatório, dado que o ambiente favorece o fortalecimento do dólar, com investidores globais correndo em direção à moeda americana.

“Além de proteger contra a volatilidade da nossa própria moeda diante de riscos fiscais e políticos no Brasil, investimentos dolarizados protegem contra esses episódios de aversão à risco global”, escreve.

Nesse caso, investimentos em fundos de índice (ETFs), fundos de investimentos e BDRs (os Brazilian Depositary Receipts) podem oferecer esse tipo de exposição, escreve Jennie.

A avaliação é compartilhada por Veles, da Portogallo, que diz gostar de ter na carteira dos clientes posições de renda fixa internacional e em fundos globais, de gestoras como PIMCO e BlackRock, por exemplo, em meio às perspectivas de alta dos juros pelo banco central americano.

Fortes, da Ável, chama atenção ainda para ativos reais, como ouro e prata, que são considerados “porto seguro” em momentos de grande incerteza. Para isso, o investidor pode buscar fundos multimercados que investem em ouro ou fundos de índice (ETF) que acompanham a variação dos metais.

Commodities e Bolsa

Na visão da XP, com a inflação em alta e perspectivas de que siga pressionada por esse conflito geopolítico, ativos reais tendem a proteger os investidores contra a subida de preços. Commodities de energia, metais e agrícolas são exemplos.

PUBLICIDADE

Para isso, o investidor pode montar alocações estratégias na Bolsa, de forma a se beneficiar de uma alta desses produtos.

“Hoje as commodities são também uma proteção frente a inflação. Além de se valorizarem em um cenário de menor oferta, a maioria delas é precificada em dólar, o que favorece a alta em um cenário de maior turbulência internacional, como o atual”, diz Fortes, da Ável Investimentos.

Veja mais: Commodities agrícolas disparam e trigo atinge limite de alta com conflito

O UBS destaca que a Rússia responde por cerca de 40% das importações de gás da União Europeia e 30% da importação de petróleo da região; o país é também o maior fornecedor de trigo do mundo. Já a Ucrânia é um país exportador de milho, trigo e oleaginosas.

PUBLICIDADE

“Em meio ao risco de interrupções no fornecimento, acreditamos que commodities podem ser um ‘hedge geopolítico’ eficaz para portfólios, além de oferecer uma fonte atrativa de retornos em um ambiente de crescimento acelerado, inflação persistente e taxas de juros mais altas”, escreve o time de estrategistas.

Nesta quinta-feira (24), os preços do petróleo subiram acima de US$ 100 o barril pela primeira vez desde 2014. O gás natural na Europa tinha alta da ordem de 40%, enquanto metais como ouro, alumínio, cobre e níquel também disparavam.

Já Veles, da Portogallo, destaca que tem dado preferência para posições mais defensivas na Bolsa por meio de papéis do setor de utilities, como gás, energia e fornecimento de água, por exemplo, uma vez que o consumo continua estável independente do cenário macro.

Leia também:

Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.