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Descentralização pode ser aliada da segurança no metaverso

Tecnologia permite ainda reduzir preocupação com privacidade de usuários originada da maior presença de big techs nesse ambiente virtual

Soluções desenvolvidas com a ajuda da tecnologia blockchain serão importantes para proteger usuários
Tempo de leitura: 3 minutos

Por Gino Matos para Mercado Bitcoin

São Paulo — O universo virtual inerente ao metaverso, que permite às pessoas interagir sem barreiras geográficas, tem atraído não apenas o público em geral, mas grandes marcas, celebridades e até estados. No entanto, algumas questões relacionadas a esse novo ambiente não têm recebido a devida atenção.

Em outubro de 2021, o grupo controlador da rede Facebook trocou seu nome para Meta e divulgou o plano de criar o metaverso. Em meio à euforia após o anúncio, surgiram preocupações em relação à empresa estar elaborando uma tecnologia mais invasiva depois de ver seu nome envolvido em escândalos relacionados a dados.

“A internet, atualmente, é baseada na coleta de dados. No caso do metaverso, estamos falando de diversos sensores acoplados aos usuários que recolhem informações ainda mais aprofundadas do que as já disponíveis hoje”, avalia Sergio Ribeiro, especialista em segurança e privacidade do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD).

Informação é poder

Em dezembro de 2021, a plataforma alemã Statista, especializada em estatísticas de mercado e consumidores, apontou que o mercado de dados global é estimado em US$ 52,3 bilhões. Trata-se de um setor significativo, onde grandes empresas de tecnologia (as big techs), que detêm ferramentas de coleta avançadas, como Meta e Google, acabam dominando boa parte do segmento.

Se o mundo virtual for controlado por grandes companhias de tecnologia, haverá maior capacidade para obter informações. “Será possível entender como uma pessoa caminha, como ela conversa, seus movimentos oculares enquanto fala e suas emoções. Isso vai intensificar as pressões sobre questões envolvendo proteção”, diz Ribeiro.

O especialista comenta que, dentro das intenções das grandes empresas de criar um universo mais imerso, há um enorme espaço para criar modelos de monetização relacionados àquele conjunto de informações. “Alguns desses modelos são, por exemplo, a propaganda direcionada, o maior entendimento do público consumidor e até a venda cruzada de dados”, completa.

Descentralizar é a saída?

As big techs não são as únicas investindo na povoação do metaverso. Empresas com iniciativas descentralizadas, como Decentraland e Sandbox, têm crescido em popularidade com a compra de terrenos por empresas como Nike, Adidas e Gucci dentro do espaço que replica o mundo real.

Thata Saeter, diretora de operações na empresa de análise econômica e financeira Convex Research, avalia que os esforços de descentralização no metaverso podem, ao menos, reduzir o impacto negativo na segurança e privacidade dos usuários. “Acredito que o principal diferencial quando falamos em ambientes e estruturas descentralizadas está no fato de devolver ao indivíduo o poder e controle de seus dados.”

Para Thata, mesmo com a evolução a partir da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil, por exemplo, o resultado está aquém do esperado. “Apesar da proposta virtuosa, vimos uma concentração ainda maior das informações dentro das organizações, com a burocratização de processos, o que fragilizou ainda mais essa proteção.”

A saída para escapar do domínio das big techs, então, recai sobre a descentralização. Embora não se confunda com o conceito de metaverso, a Web 3.0, por exemplo, cujo objetivo é dar novamente ao usuário o controle sobre seus dados, pode criar um movimento voltado à privacidade entre os ‘cidadãos’ do metaverso e assim impulsionar o uso de tecnologias descentralizadas, na visão da executiva da Convex.

As pessoas querem privacidade?

Ribeiro, do CPQD, compartilha da opinião de Thata. Ele reforça que quanto maior for a invasão dos sensores e demais ferramentas relacionadas ao metaverso, maior será a pressão por proteção dos consumidores. O especialista avalia que soluções desenvolvidas com a ajuda da tecnologia blockchain serão importantes para proteger usuários, mas questiona se as pessoas realmente querem privacidade.

“Talvez muitos queiram privacidade de seus dados bancários e de outras informações específicas. Acho que as tecnologias descentralizadas terão importância no metaverso e serão utilizadas, mas o grande público, possivelmente, não dará muita importância aos benefícios trazidos por elas”, diz.

Big tech se posiciona

Questionada, a Meta afirmou, por meio de nota, que “não será a dona nem poderá criar o metaverso sozinha”.

“Acreditamos em uma construção conjunta dessa nova plataforma e já lançamos um fundo de investimento de US$ 50 milhões para os próximos dois anos para colaborar com players da indústria, grupos de direitos civis, governos, ONGs e acadêmicos para explorar como podemos construir essas tecnologias de maneira responsável.”

A empresa diz ainda que aproveitará sua infraestrutura, aportes e experiências no metaverso, que envolve um investimento de US$ 13 bilhões na área desde 2016. “Anunciamos um investimento de mais de US$5 bilhões em segurança em 2021, mais do que qualquer outra empresa de tecnologia”.

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