Por Matheus Mans para Mercado Bitcoin
São Paulo - Colecionar ingressos é uma prática comum, adotada por quem quer guardar alguma lembrança de um bom momento, como um show, um filme visto no cinema ou aquela final do time de futebol do coração. Foi olhando para esse hábito de muitos consumidores que empresas do setor esportivo e também do cultural se curvaram aos tokens não fungíveis, ou apenas NFTs, na sigla em inglês.
Essas empresas estão atrelando a venda de ingressos à criação de NFTs, ou seja, imagens vendidas digitalmente e registradas na plataforma com tecnologia blockchain, o que faz delas únicas. Esse movimento abre espaço para um novo mercado, lucrativo, para companhias desses dois segmentos.
“É um movimento que tende a crescer cada vez mais”, resume Cesar Sponchiado, fundador e CEO da Tunad, empresa especializada em marketing, com sede em São Paulo. “É também uma oportunidade para as empresas de fazer uma conexão da marca com os usuários clientes.”
Nessa estratégia “estão desde tickets como itens de colecionador, que podem ser compartilhados, utilizados como presente ou negociados no mercado digital, até experiências de pré, durante e pós eventos”, diz Sponchiado.
Novos negócios
Ao vender um NFT junto com um ingresso, ou dá-lo na forma de brinde em uma compra antecipada, a empresa ajuda a criar um clima de evento especial. Algo de que o setor de cinema está precisando mundo afora após as perdas tidas com o isolamento pela pandemia da covid-19. Mas essa tática traz outra perspectiva positiva bem maior: a de abertura de novos negócios. Como, por exemplo, se alguma empresa criasse um clube privado para fãs com NFTs?
No Brasil, uma das movimentações iniciais nessa linha partiu do Club de Regatas Vasco da Gama, no Rio de Janeiro. No começo deste ano, foi anunciado o desenvolvimento de um projeto de ingressos virtuais. “Os primeiros com layouts especiais foram comercializados na abertura do Campeonato Carioca 2022, [no último dia 26], mas o plano não para por aí”.
“O projeto visa todas as demais competições com participação do Gigante da Colina e trará coleções especiais com jogos históricos para reviver as grandes conquistas do clube, que ainda prepara uma série de benefícios e recompensas extras para colecionadores”, diz o Vasco da Gama.
Cinemas ganham
Já nos Estados Unidos, a rede de cinemas AMC distribuiu 86 mil NFTs para quem comprou ingressos do novo filme do Homem-Aranha com antecedência. Sponchiado explica que o NFT oferecido por times, clubes, cinemas e empresas conta com a mesma validade de um token regular. Com isso, quem recebe o NFT na compra de um ingresso ou ao entrar em um clube, por exemplo, pode dar a sorte daquele token valorizar.
“Além disso, o NFT resolve os obstáculos enfrentados pelo sistema tradicional de bilheteria, como a falsificação, a venda irregular de ingressos e o repasse para terceiros. Se formos um pouco mais longe, os organizadores de eventos poderão ter controle total sobre a venda de ingressos no mercado, mesmo que via plataformas externas”, diz.
Para Sponchiado, esse mercado é bastante promissor para os NFTs. “Creio que essa será a porta de entrada de muita gente ao mundo dos tokens não fungíveis, ajudando a popularizá-lo. Também vejo como uma possibilidade de entregar uma experiência exclusiva, imersiva e até sustentável, além de ser um item não consumível e sem prazo de validade e, por isso, deve ganhar cada vez mais adeptos ao longo do tempo”.


