Mercados

B3 deve voltar do feriado com estreia da ação da Comerc

Após suspensão do IPO da controlada da Ambipar, mercado aguarda precificação do papel de holding de energia

B3 vê minguar a onda de IPOs com a piora das condições do mercado financeiro
08 de Outubro, 2021 | 12:20 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

São Paulo — A B3 deve voltar do feriado do dia 12, de Nossa Senhora da Aparecida, com a estreia das ações da Comerc Participações, holding de empresas de energia, prevista para o próximo dia 13. A precificação do papel após o encerramento do bookbuilding está prevista para hoje.

A outra companhia na lista de estreias deste mês era a Environment ESG, unidade de gestão de resíduos do Grupo Ambipar, que decidiu suspender sua oferta pública inicial de ações (IPO), culpando a piora das condições do mercado, o que tende a ampliar os descontos nos preços dos papéis devido à demanda reduzida por parte de investidores qualificados, como grandes bancos e assets.

As ações da Comerc serão listadas no Novo Mercado da B3 sob o código COMR3. A expectativa do mercado é que o preço do papel seja fixado no piso da faixa indicativa (R$ 16,87 a R$ 18,56), captando cerca de R$ 1,4 bilhão graças à ancoragem de gestoras de investimento. O IPO tem como coordenadores o Itaú BBA (líder), BTG Pactual, Credit Suisse, XP Investimentos e Citi.


PUBLICIDADE

O calendário da controlada da Ambipar estabelecia o próximo dia 11 de outubro como data de início da negociações das ações na B3. A fixação do preço da oferta estava marcado para ontem, mas a Environment ESG avisou à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) sobre o pedido de interrupção do prazo de análise do pedido de registro do IPO por um período de até 60 dias úteis, contados a partir de ontem.

Veja mais: Empresas globais adiam IPOs por volatilidade das bolsas

A empresa justificou o pedido citando “as atuais condições desfavoráveis dos mercados financeiro e de capitais, de modo que a fixação do preço por ação prevista para ocorrer nesta data não será realizada”.

A operação tinha como coordenadores o Bradesco BBI (líder), Santander e UBS BBr. A faixa indicativa para a oferta pública estava entre R$ 15,50 e R$ 20,50 por ação. A expectativa era que o IPO captasse cerca de R$ 3 bilhões com a venda de 168,4 milhões de ações, sem incluir o previsto para lotes extras (15% do total). A empresa diz que utilizaria os recursos captados para financiar aquisições no Brasil e no exterior.

PUBLICIDADE

No mês passado, a Bolsa já se preparava para duas estreias no pregão, a da farmacêutica Althaia e da rede de academias Bluefit, mas as duas também interromperam suas ofertas, que já estavam na fase de reservas dos papéis.

Safra negativa

A mudança do cenário macroeconômico, com a disparada dos juros, da inflação, da maior rentabilidade de aplicações em renda fixa e preocupações com a crise energética, com as eleições gerais de 2022 e com os riscos de descontrole dos gastos públicos, tornou o mercado mais seletivo na hora de investir na compra de novas ações. Houve ainda um movimento de saída de capital. Em setembro, os estrangeiros retiraram R$ 4,8 bilhões da B3 em setembro, segundo dados da Bolsa.

Veja mais: Bolha das ações de tech estourou no Brasil, diz gestor da Trígono

Os resultados negativos de outras ofertas iniciais realizadas neste ano também contribuíram para desinflar a onda dos IPOs, um dos destaques do mercado brasileiro em 2021. Levantamento realizado pela Bloomberg Línea mostra que apenas 15 das 45 companhias que concluíram ofertas iniciais neste ano registram ganhos acumulados de suas ações. Essa contagem não inclui a ação da varejista Assaí, que estreou em março na B3. O papel chegou ao pregão após cisão do GPA, dono das redes Pão de Açúcar e Extra, e não por meio de IPO.

Atualmente, a B3 tem 454 companhias listadas. Há dez anos, em 2011, eram 466. Em 1990, esse número somava 615. A título de comparação, há mais de 6 mil empresas listadas na Bolsa de Nova York (mais de 2.800) e a Nasdaq (mais de 3.300).

Com a interrupção do IPO da controlada da Ambipar, os bancos envolvidos nas operações de abertura de capital também terão de refazer suas previsões. O Santander, por exemplo, em agosto, esperava que o Brasil fechasse o ano com pelo menos 55 novas companhias listadas na B3 ou até 60.

A XP também chegou a projetar um ano recorde em IPOs e “follow on”. Se a B3 terminar realmente outubro sem novas estreias e o clima de cautela com ações novatas prosseguir no mercado, essa previsão tende a não se confirmar.

Sérgio Ripardo

Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.

PUBLICIDADE