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Negócios

Latam busca mais US$ 750 mi e pede mais tempo para negociar reorganização

CEO do grupo, que está em recuperação judicial, diz que apresentação de plano de negócios vai ajudar a recuperar confiança dos credores, volta a descartar processo de venda e manda recado para Azul

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São Paulo — O CEO do Grupo Latam, Roberto Alvo, disse, nesta sexta-feira (10), que a companhia aérea chilena pediu mais tempo à Justiça norte-americana para apresentar um plano de reorganização, um passo importante para sair da recuperação judicial, após ter recebido “várias” propostas de financiamento de credores e acionistas, sem citar nomes. Ele espera uma resposta à solicitação em audiência marcada para o próximo dia 27 de setembro. Além disso, a Latam descartou ser vendida e disse que pode acessar uma nova parcela de financiamento no valor de até US$ 750 milhões.

Veja mais: Em recuperação judicial, Latam nega estar à venda

“Estamos solicitando ao juiz a extensão do nosso período de exclusividade, 30 dias mais, até o dia 15 de outubro. Isso é uma consequência das boas notícias de que recebemos múltiplas intenções de financiamento no grupo. E nós precisamos de mais tempo para poder avaliar, negociar e finalmente apresentar o plano de reorganização que tem de ser com a melhor das propostas que o grupo possa obter”, afirmou o executivo, em entrevista virtual com jornalistas brasileiros.

A companhia também pediu novo prazo para apresentação do plano de reorganização até 15 de dezembro deste ano. “Estamos na última etapa para sair do Chapter 11, que é a preparação do plano de reorganização e a apresentação dele. Estamos confiantes de que até o final do ano vamos ter fechados os principais itens do processo do Chapter 11 (Capítulo 11)”, disse Alvo, em referência ao “Chapter 11” da Lei de Falências dos Estados Unidos, que permite um prazo para que as empresas se reorganizem financeiramente.

Veja mais: Azul conversa com credores para comprar operações da Latam Brasil

Segundo a Latam, as extensões solicitadas promoverão o desenvolvimento de um plano de reorganização que satisfaça o capital de saída da Latam e as suas necessidades de financiamento e auxilia nas negociações com as várias partes interessadas no Capítulo 11.

Nas próximas semanas, esperamos poder estar em posição de apresentar nosso plano de reorganização na Corte dos EUA, que ainda tem de ser aprovado pelos credores e pelo juiz antes da saída do Capítulo 11”, afirmou Alvo.

O grupo chileno evitou dizer quantas ofertas foram recebidas e quem as apresentou, justificando ser uma informação confidencial no processo. Limitou-se a dizer, em comunicado divulgado na noite de ontem, que “até o momento” são “várias ofertas de seus principais credores e acionistas majoritários, fornecendo cada uma mais de US$ 5 bilhões de novos fundos, o que reafirma a confiança do mercado na Latam”.

“No fim do dia, o grupo tem de apresentar uma só oferta, que constitui o plano de reorganização, mas o nosso interesse é amplo, toda nossa base de acionistas principais e de credores”, disse Alvo.

Na entrevista desta manhã, o CEO do grupo evitou mencionar nomes. Questionado se a companhia aérea Azul apresentou alguma oferta, ele repetiu o posicionamento anterior da companhia de dizer que a Latam não está à venda.

“Eu ficaria preocupado se eu fosse um concorrente da Latam após olhar o que a Latam vai fazer. Compreendo bem o interesse de Azul de se defender, mas acredito que o que estamos fazendo é o caminho correto, todo o mercado acredita que estamos fazendo o caminho correto. Eu fico muito tranquilo. Como eu já disse em outras oportunidades, a Latam não tem intenção de vender nenhuma unidade de negócio do grupo. Cada uma dela, seja no Brasil, seja Colômbia, seja Equador, são sinergias importantes do nosso grupo”.

Financiamento

Ele disse que a performance do grupo nos últimos meses trouxe confiança dos investidores em seu plano de negócios, citando que fechou o mês de julho com uma liquidez de cerca de US$ 1,9 bilhão, que considera US$ 1,1 bilhão em caixa e US$ 800 milhões em financiamento DIP não sacado.

O financiamento existente do DIP (debtor-in-possession) da Latam prevê uma possível terceira parcela adicional (Tranche B) de financiamento garantido de até US$ 750 milhões, além das linhas existentes de US$ 1,3 bilhão na Tranche A e de US$ 1,15 bilhão na Tranche C, cujos recursos não foram integralmente sacados até o momento, segundo a companhia.

Avaliando as atuais condições de mercado como favoráveis, a Latam informou estar solicitando manifestações de interesse de potenciais financiadores de uma linha de crédito sob a Tranche B e irá considerar propostas para determinar se pode acessar fundos a uma taxa mais competitiva do que as linhas de crédito existentes das Tranches A e C.

Temos uma oportunidade de baixar nosso custo de financiamento. Vamos solicitar propostas para uma Tranche B (...) Podemos mudar a composição dos desembolsos futuros do DIP, incluindo eventualmente a Tranche B”, afirmou Alvo.

Plano de negócios

O grupo e algumas de suas afiliadas devedoras no Brasil, Chile, Colômbia, Equador, EUA e Peru divulgaram, ontem, o seu plano de negócios de cinco anos, que é uma das etapas finais antes da apresentação do seu plano de reorganização. Até 2024, a Latam prevê recuperar a rentabilidade aos níveis de 2019 e, até 2026, aumentar o resultado operacional em 78% com relação ao período pré-pandêmico.

Segundo o comunicado, o plano de negócios inclui uma visão da recuperação da demanda, o plano de frota e as projeções financeiras e operacionais até 2026, entre outras informações. Em relação à capacidade projetada (ASKs), o grupo espera retornar aos níveis pré-pandêmicos em 2024 e ter um crescimento de 7% até 2026, em relação a 2019, em função da esperada recuperação do mercado doméstico até 2022 e do internacional até 2024.

A recuperação é apoiada pelo aumento operacional no mercado doméstico da Latam Airlines Brasil até o momento, que atingiu a capacidade (medida em ASK) de 77% em agosto, em relação a 2019, e deve ultrapassar 100% em relação a 2019 no início de 2022. O mercado doméstico das afiliadas na Colômbia, Equador, Peru e Chile já atingiu 72% em agosto, enquanto a recuperação internacional do grupo, tanto os voos curtos na região quanto os longos, continua a ser afetada por restrições de viagens. Em relação a 2019, a receita total deve crescer 13% até 2026, enquanto as receitas de passageiros e de cargas devem crescer 8% e 59%, respectivamente”, informou o grupo.

O CEO do grupo chileno também falou sobre a joint venture com a Delta. Ele disse que essa sociedade ainda precisa de aprovações regulatórias no Chile (algo que ele estima para as próximas semanas) e nos EUA (expectativa de que ocorra em alguns meses). “Penso que vai estar disponível para os clientes na América do Sul e Estados Unidos em algum momento em 2022”, afirmou.


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Sérgio Ripardo

Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.