Mercados

Mensagem do BCE e esforços dos EUA para imunizar a população aliviam mercados internacionais

Bolsas europeias sobem pela primeira vez em quatro dias e contratos futuros em Wall Street sinalizam alta

Bolsas europeias voltam ao terreno positivo. Contratos futuros de índices dos EUA apontam para recuperação
10 de Setembro, 2021 | 08:10 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Barcelona — A sinalização de que o Banco Central Europeu (BCE) seguirá com seu programa de recompras de títulos, embora a um passo mais lento, trouxe um respiro às bolsas da região. Às 7h45, horário de Brasília, as principais praças europeias registravam alta pela primeira vez em quatro dias. Do outro lado do oceano, os contratos futuros de ações subiam em Wall Street.

Ontem, o BCE anunciou que fará as recompras de títulos a um ritmo “modestamente inferior” em seu programa de emergência durante a pandemia. O ritmo de crescimento da economia do bloco e as perspectivas de inflação respaldam esta decisão, informou a autoridade monetária.

As compras líquidas de títulos se darão em uma média de 20 bilhões de euros ao mês. Ainda que inferior à média mensal de 80 bilhões de euros desembolsada nos últimos dois trimestres, a sinalização de que o BCE está pronto para aplacar qualquer distorção dos índices de inflação ou de crescimento econômico tranquiliza o mercado.

No front europeu, analistas financeiros repercutem, nesta sexta-feira, o anúncio de que a França estabeleceu um plano para saldar as dívidas geradas na era Covid-19. O objetivo do país é se apoiar nos investimentos, fugindo, assim, do aumento de impostos para reparar suas finanças públicas. Para evitar danos à produção e ao ritmo de crescimento econômico, países europeus tentam escapar da velha fórmula de cortes de gastos.

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  • O Stoxx 600 Europe Index subia 0,29%, para 468 pontos
  • O alemão DAX avançava 0,36%, para 15.679 pontos
  • Em Paris, o CAC 40 ganhava 0,36%, situando-se nos 6.709 pontos. Sobre o CAC-40, vale dizer que a fabricante de testes do Covid-19 Eurofins Scientific SE se unirá ao benchmark francês. Sediada em Luxemburgo, a Eurofins deverá substituir a empresa de serviços tecnológicos Atos SE. As ações da fabricante dispararam 81% este ano, enquanto as da Atos perderam 43%.
  • O FTSE 100 rumava para os 7.049 pontos, com 0,37% de alta
  • Em sentido contrário, o IBEX 35 declinava 0,60%, para 8.747 pontos

Nos Estados Unidos, a preocupação em torno dos estímulos por parte dos bancos centrais, que há dias acompanha os operadores, finalmente diminuiu. O mercado avalia as novas medidas de vacinação anunciadas pelo presidente Joe Biden, já que o programa pode influenciar a volta à normalidade e recuperação econômica.

Uma das exigências divulgadas é a de que todos os funcionários executivos e contratados federais se vacinem contra o Covid-19. Biden criticou os 25% de adultos americanos que até agora não foram inoculados, dizendo que eles estão arrastando a pandemia que já ceifou mais de 650.000 vidas nos Estados Unidos.

  • O S&P 500 futuro subia 0,40%, para os 4.500 pontos
  • Os contratos indexados ao índice Dow Jones avançavam 0,50%, somando 34.928 pontos
  • Os contratos futuros indexados ao índice Nasdaq ganhavam 0,35%, para 15.605 pontos

No fechamento de ontem em Wall Street, o S&P 500 cedeu pelo quarto dia sucessivo, com baixa de 0,46%, para 4.493 pontos. O Nasdaq 100 recuou 0,25% (15.248 pontos) enquanto o Dow Jones Industrial caiu 0,43%, para 34.879 pontos. O benchmark de ações dos EUA está caminhando para a maior queda semanal desde 16 de julho, ameaçando converter setembro no primeiro mês negativo desde janeiro.

Adicionaram volatilidade à sessão os dados preliminares sobre desemprego nos EUA em programas estaduais regulares, que diminuíram para 310.000 na semana encerrada em 4 de setembro, o maior declínio desde o final de junho.

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Conversas EUA x China

No filtro dos traders também está o telefonema entre chefe de Estado norte-americano e o chinês Xi Jinping, uma tentativa de amenizar o desgaste nas relações entre ambos os países. A conversa, a primeira desde fevereiro, animou as operações na Ásia, onde o índice Xangai ficou no azul, com 0,27% de acréscimo e 3.703 pontos. O índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,9%, situando-se nos 25.205 pontos. O japonês Nikkei 225 voltou a fechar em alta, de 1,25%, aos 30.381 pontos.

O retorno às compras refletiu a diminuição das preocupações dos investidores com o setor tecnológico, depois que um jornal local esclareceu um relatório que dizia que o governo havia temporariamente interrompido a aprovação de novos jogos online. Segundo o South Chine Morning Post, há uma desaceleração no processo, não um congelamento total.

Nas negociações no Japão, influenciou positivamente a notícia de que o primeiro ministro japonês Yoshihide Suga estendeu a emergência financeira destinada a amenizar os efeitos do Covid-19 na economia. As restrições serão prolongadas até 30 de setembro em 19 áreas, incluindo Tóquio e Osaka, que tinham sido programadas para terminar no domingo.

Confira o comportamento de outros mercados na manhã de hoje:

Petróleo

  • Em Nova York, os contratos futuros de petróleo subiam 1,59%, para US$ 69,20 o barril. Os investidores continuam repercutindo a notícia de que a China havia liberado o petróleo de suas reservas estratégicas em uma intervenção sem precedentes no mercado global. Pequim aproveitou suas reservas gigantescas para “aliviar a pressão do aumento dos preços das matérias-primas”, de acordo com uma nota da Administração Nacional de Alimentos e Reservas Estratégicas, que não revelou mais detalhes.

Moedas

  • O euro subia 0,07%, para US$ 1,1833
  • O iene avançava 0,22%, para US$ 109,95
  • A libra esterlina ganhava 0,22%, cotada a US$ 1,3867
  • O Bloomberg Dollar Spot Index caía 0,1%

Ouro

  • O ouro à vista perdia 0,23%, para US$ 1.795 a onça troy

-- Com informações da Bloomberg News

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.

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