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Para Unica, Conab é otimista ao estimar em ‘apenas’ 10% queda na produção de etanol

Entidade que representa usinas diz que números ainda não levam em conta todos os efeitos das geadas nem incêndios que têm atingido alguns canaviais, especialmente no interior de São Paulo

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São Paulo — A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou hoje que a produção brasileira de cana-de-açúcar da safra 2021/22 será pouco acima de 592 milhões de toneladas, volume 9,5% menor que a safra passada. Contudo, para a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), que representa as usinas, os efeitos das geadas, da seca e dos incêndios que têm atingido canaviais do interior de São Paulo talvez não tenham sido integralmente contabilizados.

“Os dados da Conab mostraram uma redução na produção de São Paulo, mas quando olhamos para todo o Centro-Sul ainda não vemos refletidos todos os efeitos da seca e das geadas. Tomara que os números sejam reais, mas ainda acreditamos que ainda estão muito otimistas”, afirma Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica.

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Na avaliação de Pádua, é certo que haverá uma redução no fornecimento de açúcar e etanol ao longo desta safra. A estratégia das usinas, contudo, deverá ser reduzir a produção do etanol hidratado (utilizado diretamente nos tanques dos carros), uma vez que o biocombustível tende a ficar menos competitivo que a gasolina. Por outro lado, o aumento da demanda por gasolina levará as indústrias a preservar a produção do etanol anidro (misturado à gasolina).

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Os dados da Conab mostram que a produção total de etanol anidro será de 9,84 bilhões de litros, volume 5,6% maior que os 9,32 bilhões produzidos na safra anterior. Já o etanol hidratado deve passar de 20,4 bilhões para pouco mais de 16 bilhões de litros, 21,6% menos.

Para manter o equilíbrio entre a demanda interna e externa, Pádua prevê que o Brasil deverá reduzir as exportações de etanol nessa safra. “Estimamos que deixaremos de vender ao exterior cerca de 1 bilhão de litros”, diz Pádua.

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Alexandre Inacio

Alexandre Inacio

Jornalista brasileiro, com mais de 20 anos de carreira. Com passagens pela Gazeta Mercantil, Broadcast e Valor Econômico, também atuou como chefe de comunicação de multinacionais, órgãos públicos e como consultor de inteligência de mercado de commodities.