Opinión - Bloomberg

Seria cripto capaz de fortalecer o setor de gestão de ativos?: Mark Gilbert

Mercados de criptomoedas oferecem oportunidade para gestores de fundos explorar nova base de clientes e obter nova fonte de receita

Gestores buscam rentabilizar carteiras com investimento em criptoativos
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Opinion — As perspectivas para o setor global de gestão de ativos, atormentada nos últimos anos por uma pressão impiedosa para a redução das taxas, está começando a parecer melhor. Com memestocks, finanças descentralizadas e tokens não fungíveis capturando as manchetes, os gerentes financeiros devem acompanhar o zeitgeist. Um novo relatório sugere que os mercados de criptomoedas oferecem grande oportunidade para gestores de fundos e empresas de gestão de patrimônio explorar uma nova base de clientes e obter uma nova fonte de receita. Pode me chamar de cético.

O Banco de Compensações Internacionais acabou de colocar criptoativos na categoria de risco mais alto, sugerindo que bancos deverão manter um dólar de capital para cada dólar de Bitcoin em seus livros. Os riscos são gritantes, incluindo a incerteza regulatória, o papel das criptomoedas na lavagem de dinheiro, a aparente vulnerabilidade das carteiras à fraude e a reação contra os custos ambientais da mineração de moedas digitais. Sem mencionar a volatilidade que viu o Bitcoin ser negociado na faixa de 130% no ano, deixando atualmente cerca de 40% de diferença em relação à alta de abril.

No entanto, o crescimento potencial para uma classe de ativos que explodiu nos últimos anos significa que a comunidade de gestão de fundos precisa estar preparada para atender à demanda dos clientes, de acordo com um estudo publicado recentemente pelo banco de investimento Morgan Stanley e pela consultoria Oliver Wyman.

Se o Bitcoin realmente é ouro digital, o mercado do ouro fornece um guia para seu potencial. A capitalização de mercado do ouro tem sido tradicionalmente entre 5% e 15% do produto interno bruto global, com cerca de 50% da demanda proveniente de seu uso como reserva de valor em vez de commodity. Com base nisso, o relatório argumenta que a fatia de mercado do Bitcoin pode chegar a US$ 6 trilhões em 2025.

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El Dorado pode virar realidade se a Securities and Exchange Commission finalmente aprovar um ETF que possa comprar Bitcoin nos EUA. O cenário mais otimista do relatório vê o Bitcoin saltando para US$ 9 trilhões em capitalização de mercado, gerando US$ 450 bilhões nos ETFs de taxas mais altas, com receita anual potencial de US$ 4,5 bilhões. Nenhum gerente de ativos no espaço altamente competitivo e passivo vai querer perder essa mina de ouro em potencial.

Há outras oportunidades de aumento de receitas para o setor de investimentos nos próximos cinco anos, afirmam os autores do relatório. No patrimônio privado, os ativos totais podem quase dobrar em 2025, para US$ 13 trilhões. Taxas pesadas ainda disponíveis de ativos, incluindo capital privado, capital de risco e imóveis, geram receita de US$ 21 bilhões/ano.

Outro ponto popular está na esfera do ESG. Uma mudança para estratégias ESG “mais maduras”, incluindo investimento de impacto, fará o mercado crescer de US$ 2 trilhões para US$ 6,5 trilhões. E na gestão de patrimônio, o relatório afirma que avanços tecnológicos tornarão mais barato para empresas produzirem portfólios personalizados para uma gama mais ampla de clientes ricos, mesmo aqueles com patrimônio inferior a US$ 10 milhões.

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Mas é na arena das criptos que as empresas de investimento enfrentam a escolha mais difícil. “Provavelmente, há benefícios significativos em ser um pioneiro”, afirma o relatório. Há também riscos significativos, tanto de reputação como financeiros. Isso provavelmente inibirá a introdução generalizada de ferramentas de portfólio baseadas em moedas virtuais, especialmente enquanto reguladores permanecem temerosos de serem vistos como legitimadores da classe de ativos.

Tudo isso torna a decisão atrasada da SEC sobre a aprovação de um ETF Bitcoin um momento chave. No caso de uma decisão positiva, haverá uma corrida maluca para criar um universo de produtos de investimento vinculados a moedas digitais. Até lá, cripto provavelmente permanecerá algo um pouco ousado demais para a maior parte da comunidade financeira.

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