(Bloomberg Opinion) Após milhões de jovens americanos passarem mais uma primavera de ansiedade para descobrir se foram aceitos por suas faculdades escolhidas, especialistas mais uma vez lamentam o absurdo e os males sociais do processo. Por que uma conspiração de oficiais de admissão deve ter tanto domínio sobre a autoestima de alunos do ensino médio e o acesso à elite?
Gostaria de oferecer uma solução radical: demitir estes funcionários e começar a utilizar a seleção aleatória.
Mas não sou a primeira a sugerir isto. A fundação progressista New America até mesmo fez da ideia - especificamente, adotar admissões de loteria em universidades altamente seletivas - parte de seu plano para alcançar maior diversidade no ensino superior. Há uma noção fraca de quem é “qualificado” - digamos, um diploma do ensino médio e uma média mínima de notas. Além disso, a seleção seria pública e comprovadamente aleatória. E diga adeus aos testes padronizados opcionais. Se você tiver interesse, seu nome aparecerá em um grande chapéu para sorteio.
Uma desvantagem é que as inscrições para as faculdades mais seletivas disparariam, derrubando as taxas de aceitação e deixando os candidatos “mais fortes” com poucas chances de entrar nas instituições escolhidas. Jovens que lutaram para tirar notas perfeitas, que passaram os anos do ensino médio se tornando realmente bons em esportes pouco populares, mas muito procurados, o legado e a descendência de grandes doadores, todos perderiam suas vantagens.
Com isso em mente, os pontos positivos seriam imensos. Preferências por legados, por admissões esportivas, por jovens cujos pais podem pagar aulas particulares para melhorar notas e pontuações de testes - tudo contribui fortemente para a desigualdade. O padrão de qualificação simples tiraria a pressão dos alunos para se adaptar à definição prevalecente do candidato ideal. Estariam livres para ser crianças de novo, fumando maconha e transando entre ler Dostoievski e escrever poesia ruim. Ou perseguindo esportes e disciplinas que realmente os interessam.
Mas e se os jovens admitidos não pudessem comparecer? E se as instituições não conseguissem ganhar dinheiro suficiente para pagar todos os seus administradores e manter todos os seus refeitórios e paredes de escalada? Pode ser hora de economizar. Por outro lado, deixar as admissões à mercê da sorte removeria a necessidade pelos departamentos extensos que atualmente executam o processo.
O melhor de tudo é que a seleção aleatória aumentaria imediatamente a diversidade que as faculdades dizem que procuram alcançar. As faculdades não teriam que se preocupar em lutar contra alegações de discriminação racial no Supremo Tribunal Federal, pois o processo de admissão seria naturalmente não discriminatório. Sem mais critérios “ocultos”. Sem mais testes tendenciosos. Apenas uma chance.
Se apenas algumas instituições concordassem, o resultado poderia ser uma vasta experiência nacional para testar a ideia de que - como sugere uma pesquisa recente - a diversidade agrega valor. A melhor forma de testar algo é amostrar aleatoriamente dois grupos, com um sujeito ao tratamento ou política em estudo e o outro servindo como controle. Tenho certeza de que algumas instituições particulares ficariam felizes em assumir a última função, insistindo em manter o antigo sistema de admissão.
Se o experimento demonstrasse que a diversidade é melhor, e que a seleção aleatória funciona, as instituições de ensino superior teriam uma escolha a fazer: abandonar o sistema antigo, ou admitir que realmente estão no negócio de perpetuar os privilégios da riqueza, e que todo o papo de seus diretores sobre admissão inclusiva não passa de um enfeite.
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